SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
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Kinsey - Vamos Falar de Sexo
Kinsey - Vamos Falar de Sexo
2,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
A cinebiografia de Alfred Kinsey (Liam Neeson) é interessante por vários motivos. Ver transposta para o cinema a vida do homem que ousou desbravar a sexualidade humana de forma científica numa época em que esse assunto era tabu, é o principal mérito do diretor Bill Condon (o mesmo de "A ÚLTIMA CEIA"). Também merece todos os elogios a abordagem histórica da sociedade americana das décadas de 40 e 50 do século XX. A exploração das motivações psicológicas que tornaram Kinsey um obcecado pelo estudo da sexualidade. Enfim, Condon nos fornece um retrato abrangente do homem cujo nome dá título ao filme. Bem, ao enredo propriamente dito. A infância de Kinsey não pode ser considerada como um período feliz. Seu pai era um pastor protestante repressor. Não à toa Kinsey passa a dedicar-se ao estudo de insetos e de animais para se isolar da companhia paterna. O pai nutria uma predileção pelo irmão mais velho de Kinsey. Ao graduar-se em zoologia e colecionar mais de 100.000 espécies de insetos, Kinsey passa a lecionar na Universidade de Indiana. Ele se apaixona por uma de suas alunas, Clara (Laura Linney), e casa-se com ela. E é importante que se diga que Kinsey era virgem quando se casou. A vida sexual do casal não era satisfatória, o que fez com que eles procurassem um especialista no assunto. A partir de então, a vida sexual foi desfrutada ao máximo pelo casal. Inúmeros estudantes procuram Kinsey para perguntar-lhe sobre dúvidas quanto à sexualidade, o que faz com que o nosso protagonista passe a se dedicar inteiramente ao assunto. Torna-se, então, professor de educação sexual. Suas aulas tornam-se as mais concorridas no campus da Universidade de Indiana. Ele consegue financiamento da fundação Rockfeller para fazer uma grande pesquisa da vida sexual da população norte-americana, fato que redundou no livro "O comportamento sexual do homem", em 1948. É claro que as opiniões sobre o livro foram as mais variadas. Não faltaram as recriminações dos setores religiosos e politicamente retrógrados. Em plena época em que o mcartismo imperava, a vida pessoal e sexual de Kinsey, cujos relacionamentos com o pessoal do seu grupo de pesquisa foram denunciados pela imprensa. Com isso, a fundação Rockfeller viu-se pressionada a não mais financiar os estudos de campo de Prok, como Kinsey era carinhosamente chamado pelos seus estudantes. Excelente filme, seja na atuação brilhante de Neeson e de Linney, seja pelo roteiro enxuto e elucidativo da importância de Kinsey para as ciências do comportamento do século XX. A cantora Madonna tem muito o que agradecer a este homem que lhe abriu as portas para ela poder abordar o sexo para as audiência em todo o mundo.