SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
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Encontros e Desencontros
Encontros e Desencontros
2,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
A ocidentalização do Japão é um tema que costuma preocupar os "fundamentalistas" étnicos. Como um país que outrora era regido pela ética dos samurais pode ser dominado pelos norte-americanos? Ok, Tóquio pode ser confundida com qualquer outra capital ocidental quando vista de longe. Ledo engano. Sofia Coppola mostra esse fenômeno muito bem. Os japoneses se apropriam da língua inglesa e a transformam numa outra coisa que é incompreensível para um "native speaker". Pegam os jogos de videogame ocidentais e dão um sentido diferente do que estamos acostumados aqui do lado ocidental. É evidente que a diretora que é filha do genial Francis Ford Coppola, a provar que filho de peixe, peixinho é, utiliza-se de uma linguagem metafórica para mostrar que as pessoas estão fora de sintonia hoje em dia. Para tal ela se utiliza de Bob Harris (Bill Murray, aquele velho comediante do programa Saturday Night Live e do filme "Ghostbusters"), um ator americano de meia-idade, em decadência, que vai para Tóquio filmar uma propaganda do whisky Suntory. Ele fica hospedado num hotel de luxo da capital japonesa. Não consegue entender os japoneses. Seu casamento de muitos anos já está mais pra lá que pra cá. Sofre de insônia. Vai para o bar do hotel onde encontra Charlotte (Scarlett Johansson). Esta, por sua vez, é casada com fotógrafo (Giovanni Ribisi), que não dá a mínima para ela. As portas estão abertas para que a amizade entre Bob e Charlotte decole. A solidão e a melancolia não são previlégios dos estrangeiros, assinala Coppola. A atuação comedida de Bill Murray é espetacular. Ele imitando Roger Moore para o comercial do whisky, cantando "More than this", do Roxy Music, se contendo para não extravasar seu carinho por Charlotte, faz um trabalho digno de levar o Oscar para casa. A linda e jovem Scarlett Johansson faz um dueto e tanto com Bill Murray. Belíssimo filme. Não perca.