Depois do Acidente começa com uma proposta pesada e promissora, mas a execução da primeira temporada deixa muito a desejar. Sinceramente, foi quase um teste de resistência. A trama fica presa num luto interminável, episódio após episódio, como se o roteiro tivesse medo de avançar. Tudo é extremamente arrastado, repetitivo e sem qualquer emoção além da dor constante. É claro que o tema é triste, mas faltou ritmo, criatividade e, principalmente, evolução dos personagens. A impressão é de que nada acontece além de sofrimento.
A segunda temporada, por outro lado, finalmente traz movimento. A volta da Tamara, ex-esposa do Charro, dá à série exatamente o que faltava: tensão, conflito, combustível emocional. A dinâmica entre os personagens fica mais interessante e a história parece ganhar corpo. É como se, de repente, a série tivesse lembrado que precisa envolver o público.
Só que essa melhora dura pouco.
A decisão mais revoltante da temporada — e da série inteira — é a morte do Charro. É uma escolha narrativa que não só destrói o envolvimento emocional do público, como também quebra completamente o potencial que estava sendo construído. E o pior: o Emiliano matou o Charro e simplesmente não teve consequência nenhuma. Nada. Zero. Uma morte tão forte, e a série trata como se fosse descartá mostra uma falha enorme de coerência e de coragem narrativa.
Depois disso, ainda fazem a Tamara ir embora, deixando a sensação de abandono, de história solta, como se tudo tivesse sido jogado para o alto no último minuto. O final da segunda temporada não fecha nada, não honra o que construiu e não respeita o impacto que esses personagens tiveram na trama.
Na minha visão, a série tem boas intenções, uma premissa forte e temas que poderiam render uma obra muito profunda. Mas se perde no exagero emocional, nos caminhos fáceis do drama e em decisões que parecem feitas mais para chocar do que para contar uma história bem construída. Falta consequência, falta coerência e falta cuidado com o público.
No fim, Depois do Acidente até tenta, mas entrega menos do que promete. E, sinceramente? Eu também odeio a morte do Charro. Foi o golpe final numa narrativa que tinha tudo para ser melhor.