Stranger Things é uma daquelas séries raras que fisgam o espectador logo no primeiro episódio. Desde os minutos iniciais, a produção deixa claro a que veio: uma homenagem assumida ao cinema dos anos 80, com bicicletas cortando a noite, amizades infantis como motor da história e referências claras a clássicos como ., Os Goonies, It e até O Exterminador do Futuro — especialmente na trilha sonora e na abertura icônica.
Mesmo para quem não viveu aquela época, a série consegue provocar uma forte sensação de nostalgia, graças à atmosfera cuidadosamente construída e ao carinho com que revisita esse imaginário. A premissa é simples, mas extremamente eficaz: o desaparecimento de um garoto dá início a uma narrativa que se divide em três núcleos principais, que avançam separadamente até se encontrarem de forma orgânica.
De um lado, o grupo de amigos que encontra uma menina misteriosa com poderes de telecinese e decide, por conta própria, ir atrás do amigo desaparecido. De outro, a mãe solteira, desesperada e desacreditada, que após inúmeras tentativas frustradas de ajuda resolve investigar sozinha. E, em paralelo, o xerife aparentemente apático que, ao perceber que há algo errado em Hawkins, passa a seguir pistas cada vez mais perturbadoras. Soma-se a isso o núcleo jovem, que tenta sobreviver à vida social do ensino médio enquanto também se envolve com os acontecimentos estranhos da cidade.
A força da primeira temporada está justamente na forma como essas histórias se entrelaçam, funcionando como um funil narrativo, ao mesmo tempo em que a série alterna com precisão entre terror, suspense e momentos de alívio emocional. Os personagens são carismáticos, bem apresentados e fáceis de se apegar, o que torna o mistério ainda mais envolvente.
No fim, a 1ª temporada de Stranger Things não apenas apresenta um universo intrigante, mas estabelece uma identidade própria, provando que nostalgia, quando bem utilizada, pode ser mais do que referência: pode ser emoção genuína.