"Foi um erro": Roteirista de Power Rangers desabafa sobre escalação de atores asiáticos e negros como Ranger Amarela e Ranger Preto
Diego Souza Carlos
Apaixonado por cultura pop, latinidades e karê, Diego ama as surpresas de Jordan Peele, Guillermo del Toro e Anna Muylaert. Entusiasta do MCU, se aventura em estudar e falar sobre cinema, TV e games.

Polêmicas, problemas internos e críticas da mídia fizeram atores saírem do programa pouco depois da primeira temporada.

Dificilmente uma pessoa que cresceu entre os anos 1990 e 2000 não teve algum tipo de contato com a franquia Power Rangers. Conhecido no mercado internacional como Mighty Morphin Power Rangers, a série fez parte da infância de inúmeros brasileiros através da TV aberta e de suas mais variadas encarnações - das versões que abraçavam animais e dinossauros àquelas que os heróis tinham poderes místicos.

Como qualquer outra série da época, a produção inspirada em Super Sentai também foi envolta em muitas controvérsias. Recentemente, o roteirista principal da saga, Tony Oliver, se manifestou sobre escolhas de elenco amplamente criticadas por questões raciais.

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Como são escolhidas as cores de cada Power Ranger?

O escritor afirma que a série foi ao ar por duas temporadas, com "o personagem negro, o Ranger Preto, e a personagem asiática, a Ranger Amarelo" porque "nenhum de nós está pensando em estereótipos", disse Dark Side of the Power Rangers, o episódio mais recente da série documental Hollywood Demons.

Embora tenha sugerido que não estavam pensando neste lugar-comum étnico, os personagens ainda ganharam características que reforçam estereótipos, já que, segundo o roteirista, o Ranger Preto (Walter Jones) "parecia ter a arrogância do grupo", enquanto a Ranger Amarela (Thuy Trang) era "pacífica, que tende a ser a consciência da equipe".

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Ainda no episódio, Oliver revela que foi apenas quando seu assistente "apontou isso em uma reunião" que a equipe observou que a construção dos personagens e a escalação do elenco seguiram moldes estereotipados. "Foi um erro", ele refletiu.

O episódio documental ainda mostra que o próprio elenco estava ciente e nada satisfeito com essa ótica. Em um registro de bastidores feito pelo coordenador de dublês, Jeff Pruitt, Jones olha para a câmera e diz: "Meu nome é Walter Jones, eu interpreto Zack. Eu sou negro e interpreto o Ranger Petro — vai entender."

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Amy Jo Johnson, que interpretou a primeira Ranger Rosa, lembrou que "Walter Jones costumava fazer piadas bem-humoradas sobre isso. Acho engraçado se isso fosse feito sem intenção pelos chefões. Mas, sério? Vamos lá. Isso não aconteceria hoje", compartilhou ela em um registro de 2013.

Jones, Trang e Austin St. John, o Ranger Vermelho, deixaram o programa por uma disputa salarial depois da 2ª temporada. Posteriormente, Haim Saban, criador e produtor da franquia, estabeleceu novos padrões de escalação para a série. O ator coreano-americano Johnny Yong Bosch assumiu o papel do Ranger Preto, enquanto a atriz afro-americana Karan Ashley se tornou a Ranger Amarela.

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