Um dos mais tradicionais festivais de cinema do Brasil, o Festival de Brasília iniciou nesta terça-feira (15) sua 53ª edição - desta vez no formato online devido à pandemia do coronavírus. Com 30 filmes integrando a programação, o evento será exibido nas plataformas digitais Canal Brasil e Canais Globo até 20/12.
Dentre os filmes selecionados (você confere a lista completa ao fim desta matéria), está o documentário Candango: Memórias do Festival. Dirigido por Lino Meirelles, a produção está em competição dentro da Mostra Brasília.
Candango, que será exibido amanhã (17), tem a proposta de revisitar a história do Festival de Brasília por meio de depoimentos de diversas figuras que vivenciaram alguma das diversas fases - positivas ou não - nos últimos 50 anos.
De críticos como Luiz Zanin, Maria Rosário Caetano e Rubens Ewald Filho até atores como Rodrigo Santoro e diretores como Lúcia Murat e Neville D'Almeida, o espectador acompanha relatos que não só dizem respeito ao festival como também ao cenário político e social do Brasil.
Além disso, os recortes de materiais de arquivo e entrevistas se estendem aos principais filmes que venceram os prêmios mais aguardados, o que faz com que a arte e a realidade se combinem de forma prazerosa ao longo da narrativa.
Candango: Memórias do Festival é um resgate de memória social e política
A política sempre foi ponto forte neste evento. Afinal, o Festival de Brasília sofreu com os atos da Ditadura e teve algumas de suas edições realizadas em formato extremamente reduzido, com menos de dez longas-metragens. No entanto, sua desafiadora realização era uma vitória a cada ano que passava e, como bem demarcam os entrevistados no documentário, o festival sempre foi um refúgio nas décadas de 60 e 70.
"Precisamos restaurar nossa cultura cinematográfica", afirma diretor Neville D'Almeida em debate sobre passado e futuro do mercado audiovisual brasileiroTal resgate de uma época que parece tão distante (e ao mesmo tempo atual devido aos desafios impostos pela pandemia e pelo atual governo brasileiro) transforma Candango em uma obra relevante no sentido de utilizar o cinema como ferramenta para entender a história do nosso país. Isso diz muito - especialmente em tempos em que fazer cinema no Brasil já se tornou, por si só, um ato político.
Onde acompanhar o Festival de Brasília 2020?
Através do Canal Brasil (na TV ou no site) e do streaming Canais Globo.
Lista de filmes selecionados
Mostra Oficial
Longa-Metragem
A Luz de Mario Carneiro, Betse de Paula
Entre Nós Talvez Estejam Multidões, Aiano Bemfica e Pedro Maia de Brito
Espero que Esta te Encontre e que Esteja Bem, Natara Ney
Ivan, O TerrirVel, Mario Abbade
Longe do Paraíso, Orlando Senna
Por Onde anda Makunaíma?, Rodrigo Séllos
Mostra Oficial
Curta-Metragem
À Beira do Planeta Mainha Soprou a Gente, Bruna Barros e Bruna Castro
A Morte Branca do Feiticeiro Negro, Rodrigo Ribeiro
A Tradicional Família Brasileira KATU, Rodrigo Sena
Distopia, Lilih Curi
Guardião dos Caminhos, Milena Manfredini
Inabitável, Matheus Faria e Enock Carvalho
Mãtãnãg, A Encantada, Shawara Maxakali e Charles Bicalho
Ouro Para o Bem do Brasil, Gregory Baltz
Pausa para o Café, Tamiris Tertuliano
Quanto Pesa, Breno Nina
República, Grace Passô
Vitória, Ricardo Alves Jr.
Mostra Brasília
Longa-Metragem
Cadê Edson?, Dácia Ibiapina
Candango: Memórias do Festival, Lino Meirelles
O Mergulho na Piscina Vazia, Edson Fogaça
Utopia e Distopia, Jorge Bodanzky
Mostra Brasília
Curta-Metragem
Algoritmo, Thiago Foresti
Brasília 60 + 60: Do Sonho ao Futuro, Raquel Piantino
Curumins, Pablo Ravi
Delfini Brasília, Olhar Operário, Maria do Socorro Madeira
Do Outro Lado, David Murad
Eric, Letícia Castanheira
Questão de Bom Senso, Péterson Paim
Rosas do Asfalto, Daiane Cortes