Hugh Jackman se despede do Wolverine
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Logan é o melhor filme de super-heróis de 2017, sim ou com certeza? A maioria acompanhou o relator, mas há algo de indiscutível no longa-metragem: nenhuma outra obra do gênero foi tão importante. Ambicioso, o filme baseado em uma das HQs mais sombrias do Carcaju buscou no western as influências necessárias para contar a história de um homem solitário que luta sozinho contra algozes maiores que seus inimigos em carne osso: as memórias do passado e a própria natureza. Para isso, adotou a censura 18 anos para ser o primeiro da franquia condizente com essa essência amargurada e violenta do protagonista, apostando no discernimento do público e em uma qualidade artística menos apelativa ao comercial para presentear Hugh Jackman com o único final possível para o seu Wolverine. Assim, pôde ser mais que um sucesso de bilheteria, mas uma despedida comovente, magnífica.
O fenômeno It - A Coisa
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O desempenho mais surpreendente de 2017 foi de It - A Coisa. Ninguém poderia esperar que um conto de mais de 1000 páginas de Stephen King, pouco engajamento na cultura popular atual, poderia faturar US$ 327 milhões nos Estados Unidos, outro caminhão de dinheiro no resto do mundo, terminando o ano à frente de Liga da Justiça (US$ 648 milhões), Logan (US$ 616 milhões) e Transformers: O Último Cavaleiro (US$ 605 milhões). Ainda mais importante, a divisão em duas partes promovida pelo cineasta argentino Andy Muschietti funcionou independentemente e permitiu que o filme explorasse uma nostalgia retrô muito em alta após o sucesso de Stranger Things. No caso, It se aprofundou até melhor nos laços de amizade de garotos que desbravam livremente uma cidadezinha nos EUA dos anos 80 que a série da Netflix, tratando o Clube dos Otários como uma reverência digna a toda uma época do cinema americano e um grupo com que nos importamos e queremos reencontrar no já aguardado It - Parte 2.
O renascimento de Thor
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O apocalipse nórdico foi desconcertado em Thor: Ragnarok, provocando a ira de quem leu uma coisa nas HQs e foi aos cinemas com uma expectativa cristalizada (e se fechou para ela). Quem foi aos cinemas de mente aberta, curtiu muito uma aventura colorida, dinâmica, tão atrevida e engraçada quanto os trabalhos anteriores do diretor Taika Waititi (O Que Fazemos nas Sombras) e à feição do talento cômico de Chris Hemsworth — um tanto impensável quando ele surgiu para o mundo como o Deus do Trovão, há 6 anos. A receita funcionou tão bem que resultou na maior bilheteria da franquia, muito à frente das arrecadações de Thor (US$ 449 milhões) e O Mundo Sombrio (US$ 644 milhões) em 2013, a oitava melhor de 2017 (no momento, US$ 847 milhões), e o único legado possível: o renascimento da franquia e um interesse que o público ainda não tinha pelo Thor.
12 brasileiros em Berlim
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O cinema brasileiro viveu um ano complicado comercialmente falando. No âmbito artístico, porém, segue muito bem, obrigado. Um indicativo disso foram os 12 filmes selecionados para o Festival de Berlim 2017. Joaquim foi o grante destaque, tendo concorrido ao Urso de Ouro na competição oficial de longas-metragens. Como Nossos Pais, Pendular e Vazante foram exibidos na mostra Panorama; No Intenso Agora esteve na Dokumente; Rifle integrou a Fórum; As Duas Irenes e Mulher do Pai representaram o país na mostra Generation; e Não Devore Meu Coração concorreu na Geração 14 Plus. Estás Vendo Coisas, na seleção oficial, e os curtas Em Busca da Terra Sem Males e Vênus - Filó, A Fadinha Lésbica fecham essa lista de dar orgulho para a produção cinematográfica do circuito de arte nacional.
3 estúdios multibilionários
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Pela primeira vez na história, três estúdios de Hollywood faturaram mais de US$ 5 bilhões em um ano. Na terceira posição, a Universal, que atingiu a marca pela segunda vez em 105 anos de história graças a dois filmes bilionários: Velozes & Furiosos 8 (US$ 1.263 bilhão) e Meu Malvado Favorito 3 (US$ 1.263 bilhão).
A Warner Bros. contornou a crise do Universo Estendido DC com uma oferta mais variada. Suas principais bilheterias foram Mulher-Maravilha (US$ 821 milhões), It - A Coisa (US$ 698 milhões), Liga da Justiça (US$ 648 milhões), Kong: A Ilha da Caveira (US$ 566 milhões) e Dunkirk (US$ 525 milhões). Também foi a segunda vez que a Warner alcançou esse recorde.
A Disney liderou esse ranking de maneira soberba. No dia 30 de novembro, durante o bom desempenho de Thor: Ragnarok, o Estúdio do Mickey quebrou a barreira dos US$ 5 bilhões pela terceira vez consecutiva — algo inédito. Três semanas depois, graças ao faturamento absurdo de Star Wars - Os Últimos Jedi, se tornou o primeiro a faturar US$ 6 bilhões por dois anos seguidos. E a tendência, com a compra da Fox, é só crescer... Explodir!