Janela de Cinema 2017: Penúltimo dia da mostra competitiva tem filmes sobre sexo e capitalismo

A política do corpo e a política do capital.

Com a mostra competitiva do X Janela Internacional de Cinema do Recife se aproximando do fim, o público já pode perceber que a seleção de longas-metragens foi uma das mais ousadas, tanto política quanto esteticamente, de todos os festivais brasileiros este ano.

Vimos filmes radicais que ousam registrar em VHS, em celular, abordando sem meios-termos o sexo, a política e a violência para questionar a ordem dominante e imaginar novos rumos possíveis para a sociedade. Os dois títulos apresentados nesta quinta-feira, A Noite e A Fábrica de Nada, confirmam essa tendência.

Sexo não é pornografia

A Noite, de Edgardo Castro, coloca o próprio cineasta no papel de um homem de meia-idade se relacionando com diversos anônimos pelas casas noturnas e motéis de Buenos Aires. O filme retrata cenas de sexo explícito que surpreenderam a plateia por sua naturalidade e pela sensação de melancolia atribuída à rotina do protagonista.

Os corpos não são idealizados, pelo contrário: o diretor busca retratar uma vida de excessos sem julgamento moral, tratando a nudez de homens e mulheres, cisgênero e transgênero, da mesma maneira. Talvez a narrativa canse pela repetição, mas constitui um interessante exercício de representação cinematográfica e representatividade social.

Leia a nossa crítica.

Trabalhadores do mundo, uni-vos

A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho, acompanha a saga dos trabalhadores de uma fábrica de elevadores em Portugal. Quando descobrem que o local vai ser fechado e os operários serão demitidos, começam a debater sobre as melhores maneiras de se unirem e combaterem os interesses dos patrões.

O drama é conduzido de modo clássico, contendo uma discussão política aprofundada e realista. É uma pena que o fervor político não contamine a forma do filme, comportada demais para uma discussão sobre revoluções sociais.

Leia a nossa crítica.

O terror nos rostos

Apresentado em sessão especial, fora da competição, o filme de terror brasileiro O Animal Cordial constitui a aguardada experiência de Gabriela Amaral Almeida no comando de longas-metragens. A especialista em cinema de gênero cria uma história de patrões, empregados e clientes de um restaurante presos no local após um assalto frustrado. 

A premissa sugere um terror social, explorando as relações de poder. No entanto, este é um elemento pouco abordado no resultado final. A obsessão por close-ups e enquadramentos com profundidade de campo reduzida impede que se explore o espaço e a sugestão - elementos fundamentais ao suspense e ao terror. Além disso, o fato de ter todos os personagens em cena cria problemas para o roteiro, que não consegue ocupá-los de modo verossímil enquanto filma um ou dois por vez.

Rumo à conclusão, os personagens tomam atitudes difíceis de acreditar, e o gore anunciado desde o começo, pela trilha e pelas atuações, nunca aparece de fato. Contrariando essa opinião, nosso crítico Rodrigo Torres, que assistiu ao filme no Festival do Rio, aprovou o resultado.

Leia a nossa crítica.

Confira as críticas do AdoroCinema sobre os longas-metragens do X Janela:

120 Batimentos Por Minuto

A Fábrica de Nada

A Moça do CalendárioA Noite

A Trama

Açúcar

Arábia

As Boas Maneiras

BaronesaBush Mama

Contatos Imediatos do Terceiro Grau

Era Uma Vez Brasília

Filhas do Pó

Gabriel e a MontanhaGarota Negra

Invisível

Me Chame Pelo Seu Nome

O Animal Cordial

O Nó do Diabo

Pela JanelaQue o Verão Nunca Mais Volte

Verão 1993

Zama

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