Mostra de Tiradentes 2016: Alguns filmes que mexem com nossos nervos

Jonas e O Diabo Mora Aqui levantam a questão: o cinema deve conduzir o espectador ou deixá-lo imaginar livremente?

Kauê Zilli

Ao lado de cineastas consagrados como Andrea Tonacci, Júlio Bressane e Ruy Guerra, a 19ª Mostra de Tiradentes reserva espaço principalmente para novos diretores. Dois filmes de jovens cineastas apresentam estratégias quase opostas na maneira de se relacionar com o espectador: um deles tenta mostrar elementos demais, já o outro prefere deixar o público imaginar suas próprias ficções.

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Um romance na baleia

Jonas faz uma releitura da história de Jonas e a Baleia: desta vez, o protagonista (Jesuíta Barbosa), um jovem de origem pobre, se apaixona por uma garota rica (Laura Neiva) e decide sequestrá-la, mantendo-a presa dentro de uma gigantesca alegoria de carnaval, em forma de baleia.

A premissa é criativa, e o elenco chama a atenção. Mas a diretora Lô Politi usa e abusa de efeitos de estilo, com a câmera tremida, imagens desfocadas e um clímax apoiado em efeitos especiais de baixa qualidade. O romance é minimizado pela avalanche de estímulos que conduz tanto o olhar do espectador que não o deixa construir uma fantasia por si próprio.

Leia a nossa crítica.

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Um terror no casarão

O Diabo Mora Aqui é um exemplar de filme nacional de terror sobre jovens que se fecham em um antigo casarão abandonado e descobrem a presença de fantasmas do passado. A trama não é original, mas dentro do gênero, os diretores Dante Vescio e Rodrigo Gasparini extraem o melhor de sua equipe, oferecendo imagens belas, um ritmo eficaz e atuações muito boas.

Acima de tudo, esta produção não aposta nos excessos, na vontade de chocar a qualquer preço. Mesmo com curta duração, o suspense é construído com calma, preferindo solicitar a imaginação do espectador a revelar todos os sustos e mortes. Um raro e bem-vindo terror nacional inteligente.

Leia a nossa crítica.

Críticas da 19ª Mostra de Tiradentes

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