É comum vermos em histórias de origem um passado traumático na vida dos protagonistas. Normalmente associados a momentos de superação que levam heróis a assumiram uma missão de salvar o mundo, a cidade ou o bairro, isso também tem relação com o surgimento de vilões.
Um estudo recente, no entanto, mostra como a infância de qualquer personagem não define o futuro dos mesmos. Um estudo recente aponta que "a quantidade de eventos potencialmente traumáticos que um personagem vivenciou na infância — medidos com um questionário da vida real — não teve influência sobre se ele era um herói ou vilão".
Sorria, você está sendo filmado: Você sabia que salas de cinema têm câmeras que gravam no escuro?A partir de uma pesquisa de Julia Wigmore, da Universidade de Calgary, no Canadá, e outros colegas, vários apontamentos reforçam que, embora alguém tenha um passado extremamente desafiador, isso não corresponde com exatidão a quem essas pessoas irão se tornar.
Eles usaram um questionário chamado ACE (Adverse Childhood Experiences), que coleta dados sobre eventos traumáticos que acontecem entre 1 e 17 anos, como abuso físico, exposição à violência doméstica, pobreza, discriminação, entre outros. Quanto maior a pontuação, mais delicado é o caso.
Warner Bros.
Para entender a relação com o cinema baseado em quadrinhos, o grupo assistiu a 33 filmes de super-heróis, um misto entre Marvel e DC, para entender como a representação da infância dos personagens pode influenciar o público. Este estudo incluiu 19 personagens masculinos, 8 femininos e 1 de gênero fluido. Dentre eles estavam heróis como Batman, Homem-Aranha, Viúva Negra e Mulher-Maravilha.
Nenhuma ligação estatisticamente significativa foi encontrada para personagens que se tornaram heróis ou vilões. Inclusive, a variação das pontuações ACE afirmaram que não há uma precisão entre acontecimentos da infância, já que existiam personagens com passados delicados que acabaram indo para os dois lados.
O que acontece com seu cérebro quando você assiste a um filme? Psicologia explica efeitos de cada gênero cinematográfico na química cerebralSegundo o estudo, essa descoberta se assemelha com a vida real, de que o resultado deste formulário não prevê comportamentos problemáticos ou nobres, mas pode ser usado para auxiliar em questões pontuais na vida de cada pessoa estudada.
“Nosso estudo descobriu que qualquer um pode ser um super-herói, independentemente de sua infância, gênero ou universo cinematográfico. Esperamos que as crianças sejam inspiradas por super-heróis que superaram desafios para serem resilientes em suas próprias vidas”, concluíram os pesquisadores (via Eurekalert).