John Wayne e Stanley Kubrick são, sem dúvida, dois dos nomes mais lendários da história do cinema. Ambos deixaram marcas profundas na indústria e são valorizados tanto por cinéfilos quanto pelo público em geral. Mas e se eu te contasse que eles tiveram a chance de trabalharem juntos, porém um deles nem atendeu a ligação do outro?
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Embora Wayne seja quase um sinônimo de faroeste, sua carreira não se limitou ao gênero. Em 1962, ele estrelou O Mais Longo dos Dias, um épico de guerra que se tornou o seu maior sucesso comercial. Apenas dois anos depois, ele teve a chance de participar de mais um filme de guerrra, mas recusou — e de um jeito bem grosseiro!
Kubrick queria John Wayne em Dr. Fantástico
Stanley Kubrick queria Wayne para interpretar o Major T.J. "King"Kong em Dr. Fantástico (1964), o piloto que, na icônica cena final, cavalga em uma bomba nuclear enquanto grita enlouquecidamente. No início, Peter Sellers interpretaria esse papel, além de outros três personagens no filme.
No entanto, devido a dificuldades com o sotaque do Texas, ao perfeccionismo de Kubrick e a uma suposta torção no joelho (há quem diga que ele apenas não queria aceitar essa função), foi necessário buscar outro ator.
Columbia Pictures
A produção então decidiu que, se Sellers não poderia fazer o papel, precisavam de um cowboy da vida real — alguém cuja a essência gritasse "americano durão". E quem poderia ser mais adequado para isso do que John Wayne?
Mas havia um problema: Wayne nem sequer considerou a proposta. Kubrick não era, na época, o diretor cultuado que conhecemos hoje. Apesar de já ter impressionado com Glória Feita de Sangue (1957) e Spartacus (1960), ele ainda não tinha alcançado o status lendário que ganharia posteriormente. Para Wayne, um filme satírico sobre a Guerra Fria não parecia digno de seu tempo, e ele simplesmente ignorou a oferta.
Outros cowboys também disseram não ao filme
Columbia Pictures
Após a recusa de Wayne, a produção tentou contatar Dan Blocker, estrela da série Bonanza. A resposta foi igualmente negativa e veio em forma de um telegrama: "Muito obrigado, mas o material é muito progressista para Dan. Ou para qualquer outra pessoa que eu conheço, aliás". Cowboys sendo cowboys.
No fim das contas, o papel do Major King Kong ficou com Slim Pickens, um ator e ex-competidor de rodeio que realmente entendia de cavalos. A escolha acabou sendo perfeita, pois Pickens trouxe uma autenticidade cômica e exagerada ao personagem, tornando-o ainda mais memorável.
Aliás, um detalhe curioso: quando Pickens se alistou na Segunda Guerra Mundial e foi perguntado sobre sua profissão, ele respondeu "rodeio". Os militares entenderam "rádio", e ele passou toda a guerra trabalhando em um estação de comunicação — uma ironia digna de um roteiro de Kubrick, não é?
Por fim, a recusa de Wayne não foi de todo ruim, pelo contrário, foi um golpe de sorte para Dr. Fantástico. E talvez tenha sido melhor assim, afinal, não são todos que conseguiriam imaginar o Duke em um filme de Kubrick.
*Conteúdo Global AdoroCinema.