Godard, mais uma vez, faz um filme para consolidar sua aversão às normas e padrões, sendo esse filme uma resposta direta ao luxo de "O Desprezo", filme anterior e engomadinho do mesmo.
O filme em si, não é interessante e é despretensioso, não se importando com o assalto como panorama central, mas como já dizia Tarantino, aqui Godard extrai e foca na poesia nas entrelinhas, desviando a narrativa e despreocupado com o desfecho, compondo cenas icônicas, como a memorável cena do recorde de visita ao museu do Louvre, que é retomada em "Os Sonhadores"(2003); e com a cena belíssima da dança no bar, cena que influenciou a dança de Mia e Vincent em "Pulp Fiction"(1994). Ademais, Godard usa da liberdade do roteiro para dar foco ao triângulo amoroso dos personagens, o que atrasa mais ainda a narrativa, provando a falta de compromisso do diretor com a narrativa em si.
Godard, a primeira vista pode parecer pedante e desleixado, no entanto convém ressaltar que ele sempre esteve preocupado em estilizar o cinema e revolucioná-lo, buscando sempre brincar com a linguagem e com seus roteiros. O filme é focado no anarquismo iconoclástico de Godard.
Nota: 7.6