Ata-me!
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3,9
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Magicc G.
Magicc G.

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5,0
Enviada em 30 de novembro de 2013
Ata-me (1990)
Sempre tive resistência a filmes "antigos" e mais ainda ao "Almodovar", mas hoje com muita alegria digo que estava RENDONDAMENTE enganada. Sensacional. É só o que posso dizer.

Um filme que pela elegância da loucura nos faz repensar o conceito do que de fato é o amor e como podemos de fato nos "atar" a ele sem perceber. O Ricky (Antonio Banderas) é um jovem que acaba de sair de uma instituição psiquiátrica com a roupa do corpo e uma ideia na cabeça e no coração: encontrar um emprego e se casar com a atriz Marina Osorio (victoria Abril), embora só a tenha visto uma vez.

Como o outro nem sempre está disposto a ser receptivo aos sentimentos alheios, Ricky encontra uma forma no mínimo peculiar de demonstrar o quanto ama Marina e como, se ela o conhecer melhor também irá amá-lo, nem que para isso a tenha que amarrar/atar durante dias em sua própria casa.

A mensagem da trama, que apesar de forte em alguns momentos traz uma leveza maravilhosa com atuações singulares, é tão simples que emociona. Como disse o querido Juca do CCR, nesta vida quando se encontra o amor não é preciso incorporar papéis e fingir ser quem não é. Sejamos loucos também, por que a loucura é parte importante para que recobremos nossa sanidade. No fim das contas, como diz a maravilhosa trilha do filme "...e ainda que os sonhos se rompam em pedaços, resistirei, resistirei..."

E se de fato for amor, resistirá. Por que no fim das contas "o que tiver que vir que venha o que tiver que ir que vá".
Sílvia Cristina A.
Sílvia Cristina A.

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5,0
Enviada em 31 de janeiro de 2013
Sexy e bem-humorado filme de Almodóvar sobre o amour-fou. "Atame" fala sobre temas semelhantes ao mórbido "Matador" e ao assustador "A pele que habito", com leveza e comicidade , sem perder de vista seu caráter passional e apaixonante . Almodóvar é um mestre em trabalhar com situações limite , com personagens hiperbólicos que amam demais ; que erram demais ; que desejam demais ; que são ingênuos e transgressores na mesma proporção. Seu universo explode em cores , em gestos amplos e em amores desmedidos e exagerados , em uma sexualidade cinematográfica. É um verdadeiro banquete de emoções à flor da pele , onde tudo pode acontecer quando o tema é viver intensamente. Quando Rick e Marina finalmente se relacionam sexualmente , podemos ver seus corpos por meio de um grande espelho no teto , que nos remete ao mundo voyeur do cinema , onde cada espectador passa a espreitar a intimidade alheia ; onde o amor vira espetáculo, porém, não no sentido hollywoodiano da palavra. Em Almodóvar o amor não é cor-de-rosa e perfeito , porém, é o essencial da vida ; é o que a justifica ; o que a faz valer a pena , mesmo com todas as loucuras e fragilidades que os seres humanos apresentam. O gosto pelo desvio, pelo imperfeito ; o olhar sensível que lança sobre os marginalizados torna seus filmes extremamente humanos. Como em outras obras de Almodóvar as cores são vivazes e há uma interessante mescla de elementos sagrados e profanos. A mesma mulher que brinca com um vibrador usa um crucifixo, representando desta forma a Espanha barroca e mestiça , carregada de sensualidade e religiosidade ao mesmo tempo. O filme é todo marcado por uma aura de transgressão e instabilidade , começando pelos pequenos furtos que Rick comete e nos remete à marginalidade. Para delinear seu caráter instável, nos faz mergulhar no mundo dos traficantes , dos loucos ; cita romances interrompidos abruptamente , reencontros repentinos e inesperados. Duas cenas em "Atame" merecem destaque: a frase do cineasta veterano que considera amor e terror a mesma coisa , faces da mesma moeda. Este tema será levado às últimas consequências em "A pele que habito". Outra cena célebre é quando a personagem de Victoria Abril diz "Atame" para o personagem de Antonio Banderas. O verbo atar não se conjuga no imperativo . Porém, no universo de Almodóvar seu pedido/ordem soará muito natural. Vibrante , afetivo, sensual , tragicômico e profundamente espanhol.
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