-Alien, a oitava maravilha das ficções científicas.
Ridley Scott entrega uma ficção científica pautada em um suspense magistralmente bem regido por sua direção firme e competente. Onde se mistura o terror e o sci-fi de forma orgânica e bem conversada. O elenco está funcionalmente equilibrado, onde temos alívio cômico, personalidades fortes bem construídas e apresentadas e um conflito implícito entre eles que é bem legal de assistir. Toda a parte técnica é um show de efeitos práticos e uma ambientação muito boa imposta pela excelente fotografia de Derek Vanlint e bem estruturada pela ótima trilha sonora de Jerry Goldsmith.
Como ficção cientifica, Alien (1979) é arrebatador na construção de sua atmosfera e trama sci-fi, com uma mini aventura de exploração espacial que é bem integra e bem regida pela direção de Ridley Scott, e, como terror, é meticuloso na criação de tensão por meio do suspense em volta do alien. A obra além de ter ótimos elementos para o sci-fi e para o terror, conta também com o equilíbrio narrativo perfeito entre essas duas vertentes, digo que não só tem o equilíbrio perfeito como as duas coisas conseguem ser uma mistura homogênea perfeita, é difícil designar onde a ficção científica termina e onde o terror começa e/ou visse versa, pois os dois gêneros andam juntos desde o primeiro ato até o último em uma harmonia grandiosa e incessantemente bem vigorosa.
Toda essa qualidade narrativa passa não somente pela direção de Ridley e/ou pelo roteiro, pois não basta somente equilibrar essas duas coisas mas também acoplar bem a trama e o elenco dentro delas e também trazer uma cinematografia que dialogue com tudo isso. E aqui você tem os dois, pois o elenco está bastante encaixado na proposta, conta com uma boa variedade de personalidades que juntas dão a química e a mecânica perfeita para a trama soar atrativa e dinâmica. Ripley (Sigourney Weaver) rouba a cena ao ser bem incisiva nas suas decisões e entrar sempre em combate com os outros personagens, Dallas (Tom Skerritt) é suave em seu tom de voz mas é um líder que consegue ter sua presença bem notada ao decorrer da trama, ele esbanja compreensividade em suas atitudes e isso traz um ar de empatia para seu com seu personagem, já Ash é uma espécie de personagem neutro mas que quando sob pressão consegue mostrar atitudes e expor suas unhas e dentes além de ter uma boa atuação de Ian Holm nesse papel, pois ele consegue trazer olhares profundos e diversos durante a trama.
O restante do elenco entrega bem seus papeis, que são funcionais e bem oportunos, Veronica Cartwright (Lambert) atua bem como a personagem encarregada de entregar momentos melodramáticos de gritarias incessantes nos momentos de terror e horror; Harry Dean como Brett e Yaphet Kotto Parker são os personagens encarregados de nos dar o alívio cômico, eles o fazem muito bem e não comprometem em nada essa parte, além de no fim os três servirem muito bem o papel de carne fresca pronta para o abate, engraçado e bem coeso mesmo é o roteiro estar ciente disso e brincar em um diálogo cômico de cota de salários da tripulação, que claramente é uma alusão ao salário dos atores para uma mesma função final no filme: morrer para o alien. Além disso a obra carrega boas qualidades técnicas, como os efeitos práticos para a construção dos cenários complexos do planeta rochoso; a fotografia de Derek Vanlint dentro desse aspecto ajuda muito e a trilha sonora de Jerry Goldsmith que é excelente ao trazer incômodo e instigar bem nos momentos de tensão.
No mais, Ridley Scott entrega uma ficção científica arrebatadora com um suspense bem dirigido e uma atmosfera única, traz uma direção que eleva toda essa narrativa ao criar essa atmosfera pesada e conta com efeitos práticos muito bons, que junto de uma fotografia e trilha sonora excelentes ajudam nesse aspecto. O elenco está mágico e Sigourney Weaver entrega uma personagem perseverante e junto de Ian Holm e Tom Skerritt mantém a intensidade do longa até o fim.