O grande CAMPEÃO do ano de 2005!!!
Realmente é difícil achar uma palavra que defina essa obra que acabo de assistir.
Menina de Ouro (Million Dollar Baby) é simplesmente uma obra fantástica, daquelas que você não sabe se chora, se aplaude de pé, se grita, ou simplesmente fica mais de um minuto olhando para a tela, vendo os créditos finais subirem, ao mesmo tempo que soluça com um nó na garganta com os olhos se enchendo de lágrimas (essa foi a minha reação).
Clint Eastwood nos premia com uma obra simplesmente perfeita, uma pérola em forma de filme. Menina de Ouro é um filme sobre um esporte violento (Boxe), mas engana-se quem pensa que o longa se baseia unicamente nesse esporte. O filme é uma história de vida belíssima, um relato muito forte, uma lição de vida e de coragem e determinação. Muito forte, verdadeiro, impactante, pesado, incômodo, tocante, singelo, puro. Uma obra-prima, um conceito de vida muito forte, uma maneira de enxergar a vida com outros olhos, de traçar um objetivo e segui-lo até o fim, buscando unicamente o resultado esperado. Impossível não se emocionar com essa obra, impossível não se impactar com essa obra, é um filme muito verdadeiro no seu propósito, que foge do clichê (principalmente ao final, quando se espera uma coisa e somos completamente impactados com outra).
GÊNIO, se tem uma palavra que define esse homem, essa palavra é GÊNIO.
A genialidade que o mestre da sétima arte Clint Eastwood coloca nesse filme é impressionante. Clint dirigi o filme, produz o filme (junto com Paul Haggis, Albert S. Ruddy, contando com o Coprodutor Bobby Moresco e o produtor de set Robert Lorenz) compõe a trilha sonora e ainda tem uma brilhante atuação, é realmente magnífico. O roteiro foi escrito por Paul Haggis (também participa da produção), baseado em contos de "F.X. Toole. Um dos pontos que eu mais gostei no longa foi sem dúvidas o roteiro, está bem encaixado, bem elaborado, bem trabalhado e consegue seguir em um caminho perfeito, principalmente com os desfechos finais. O diretor e Roteirista se preocuparam com cada detalhe do filme, para entregar uma obra que realmente impactasse o espectador, e no meu conceito, me impactou e muito.
O longa de Eastwood ainda conta com uma ótima fotografia, com um tom escuro e cinzento. A trilha sonora é bem leve, e ao final, ela é responsável por transmitir o desconforto ao espectador. Os diálogos são bem intensos e muito funcionais, principalmente entre os debates de Clint Eastwood e Morgan Freeman (por sinal, um dos pontos alto da trama e de suas atuações).
Além de diretor, compositor e produtor, Clint Eastwood tem uma belíssima atuação. Clint interpreta Frankie Dunn, um homem que passou a vida nos ringues, tendo agenciado e treinado grandes boxeadores. No momento, Frankie já está com uma idade avançada e leva a vida em uma academia de boxe buscando novos lutadores, ele sempre tenta passar para os seus alunos a sua lição de vida, e a sua frase que diz: Deve se proteger sempre. Frankie é um homem amargurado com algumas coisas do seu passado, como o afastamento de sua única filha, isso contribuiu com sua personalidade de ser uma pessoa totalmente fechada e com poucos relacionamentos. Clint dá show em sua atuação, dá show em cena, uma interpretação perfeita e muito verdadeira, onde podemos acompanhar seu personagem se desenvolver e se engradecer com o passar do tempo, chegando ao ápice de sua atuação ao final da trama, quando ele se mostra muito incomodado e culpado com sua decisão final. Chega a ser angustiante observar a cena que ele está indeciso e confuso, se deve ou não tomar certa atitude, sua atuação chega a perfeição nesse momento, suas lágrimas nos olhos são muito forte e verdadeira. Realmente uma atuação digna de Oscar, no qual ele foi justamente indicado. Clint ainda foi indicado e vencedor do prêmio de melhor diretor no Oscar e no Globo de Ouro no ano de 2005.
Hilary Swank está magnífica em sua personagem, que grandiosa atuação, que ótimo trabalho desenvolvido, daqueles que você se impressiona, daqueles de se aplaudir de pé, não tem como crítica-la, ela está perfeita em cada cena, mostrando uma atuação realmente impecável. Hilary é a grande Menina de Ouro, ela interpreta Maggie Fitzgerald, uma garota pobre que leva a vida como atendente de uma lanchonete, vindo de uma família pobre e com um passado muito difícil. Porém ela tem um sonho na vida: Se tornar uma grande lutadora de boxe. Maggie é muito determinada e possui um dom ainda não lapidado, mas ao chegar na academia de Frankie Dunn e ao conhece-lo, ela vê a oportunidade de alcançar seu objetivo na vida. Portanto não será uma tarefa fácil convencer Frankie a se tornar seu treinador, uma vez que ele sempre repete a frase: Não treino garotas, e além de considera-la velha pra profissão. Ela é uma garota muito corajosa e não desiste do seu objetivo, mesmo com as objeções de Frankie no início, mas o parceiro e amigo de Frankie, Eddie Scrap (Morgan Freeman) lhe encoraja e até à ajuda a melhorar e aprender mais sobre a postura no boxe. Hilary Swank levou seu segundo Oscar de melhor atriz (o primeiro foi em Boys Don't Cry / 1999) e ainda o Globo de Ouro daquele ano. Realmente foram prêmios muito bem merecidos, ela se entregou de corpo e alma na personagem, treinando pesado durante 3 meses e ganhando massa muscular. Belíssima atriz, com uma atuação marcante e com um final chocante e avassalador!!!
Morgan Freeman completa o trio de ouro desse belo filme, ele é Eddie Scrap, um ex lutador de boxe, que teve sua melhor fase no esporte vivendo suas 109 lutas. Amigo e zelador da academia de Frankie Dunn, ele funciona como uma espécie de conselheiro do amigo, mas guarda uma certa mágoa sobre um acontecimento no passado envolvendo ambos. Morgan Freeman é outro que merece receber os maiores elogios na trama, sua atuação está impecável, ele se mostra um personagem frio e obscuro, que guarda lembranças e histórias marcantes de seu passado, e uma certa frustração por não ter alcançado todos os seus objetivos no passado. Ele consegue observar o potencial de Maggie e até quando Frankie vira as costas para ela, ele surge como um incentivador, e até ensinando um pouco de sua experiência. Morgan levou o Oscar de ator coadjuvante naquele ano e foi merecido, fez um belíssimo trabalho e foi muito bem reconhecido.
Portanto: Menina de Ouro é uma obra épica e marcante, que será lembrada por séculos. Com um elenco de peso e muito competente, que entregou genialidade em cada trabalho.
Com um roteiro magnífico e verdadeiro, de impressionar qualquer um, com um final tocante, emocionante e pesado. Clint Eastwood fez um de seus melhores trabalhos (se não for o melhor). O longa foi indicado em sete categorias no Oscar em 2005, levando o prêmio em 4 delas, e justamente as 4 mais acertadas (só faltou o de melhor ator para Clint Eastwood). O longa ainda foi premiado no Globo de Ouro com melhor diretor e melhor atriz.
Às vezes questionamos as premiações do Oscar, mas em 2005 o prêmio de melhor filme ficou em ótimas mãos!!!