De cara já adianto que vou torcer muito, mas muito mesmo que "Menina de ouro" seja premiado com a estatueta mais cobiçada: Oscar de melhor filme. Frankie (Clint Eastwood) é dono de uma academia de boxe decadente. Os poucos lutadores que têm alguma chance de trazer algum lucro para Frankie, acabam se afastando pelo fato dele ser muito cuidadoso com a carreira dos seus pupilos. Trocando em miúdos, ele chega a abrir mão da chance de ter um boxeador que possa disputar o cinturão de campeão por não achar que o mesmo está suficientemente preparado. Parte dessa forma de Frankie agir deve-se a ele não ter "jogado a toalha" quando Eddie (Morgan Freeman) perdeu a visão em um dos olhos numa luta há muitos anos. Eddie não permitiu que Frankie interferisse. Como Eddie, que é o narrador do filme, chega a dizer a certa altura do filme, "eu tive a minha parte na vida". Ele saboreou o gosto da glória, apesar de agora viver num quartinho dentro da academia, numa solidão de fazer inveja aos monges tibetanos. O abandono também se aplica a Frankie, que tenta se corresponder com a filha que o abandonou por razões não explicadas. Tudo transcorria de forma normal até o dia em que Maggie (Hilary Swank), uma garçonete pobre e "caipira" de 31 anos de idade adentra a academia pedindo para que Frankie, ou "boss" (chefe), a treine. No início Frankie nega-se a treinar Maggie, que ganha a confiança de Eddie. Ela passa a treinar todo dia na academia após largar o seu trabalho. De tanto insistir Maggie consegue convencer Frankie a treiná-la. O lado paterno de Frankie passou a vir à tona na medida em que lidava com Maggie. Esta que, por sua vez, tinha uma família que só fazia humilhá-la, mas quando a questão era dinheiro aí as coisas eram diferentes. Acho que todos nós conhecemos bem esse roteiro. Pai e filha, por assim dizer, foram se aprimorando dentro e fora dos ringues. Em poucos meses Maggie já estava lutando nos ringues europeus, a garçonete da California havia conquistado o mundo. Infelizmente a vida não é feita só de vitórias. A atuação de Hilary Swank é simplesmente fantástica. Não tenho a menor dúvida de que ela levará o Oscar de melhor atriz. É importante também frisarmos que a narração de Eddie (Morgan Freeman) é um espetáculo à parte. Aliás, não existe ator que consiga transmitir tamanha segurança e sabedoria quando surge na telona. E, por último, Clint Eastwood, continua com o mesmo jeitão característico: cara calado, vivendo com os seus demônios internos, com um senso de humor perspicaz, só que como um bom vinho, está cada vez melhor na direção dos seus filmes. E esta película é a melhor filme de 2005.