Vou me vestir do que Moore queria, quando produziu tal "documentário". A saúde americana é ruim, a francesa e britânica são perfeitas e Cuba tem um sistema de saúde melhor que os americanos. O governo paga salários milionários para qualquer médico. E sim, em qualquer assunto, Marx deve ser cultuado. Pois bem, se foi essa a idéia de Moore, só alguém sem cérebro pra se banhar nesse mar de "verdades".
O documentário SICKO, do cineasta Michael Moore, mostra a situação dos estadunidenses que são submetidos a péssimas condições de saúde devido o sistema de saúde deficiente do país. No primeiro momento, é exposto ao público vários casos de pessoas que não foram tratadas, mesmo doentes ou vítimas de acidentes, por não obterem plano de saúde privado (única forma de acesso a saúde). Em seguida, há uma comparação com outros sistemas de saúde no mundo, como Inglaterra e França, que explicita o abismo entre as condições de saúde da população dos EUA e dos demais países. Por fim, o cineasta leva um grupo de americanos com doenças severas que não receberam tratamento em seu país para Cuba. O que surpreende o espectador é o acolhimento da equipe médica cubana que, mesmo com todo o histórico conflituoso entre os países, em momento algum recusam assistência e medicamentos, muito pelo contrário. O documentário é muito bom, me emocionei diversas vezes assistindo. A narrativa é sucinta e leve mas a pauta é extremamente forte. É triste ver que uma nação com tantos recursos nega saúde ao próprio povo e vende ela como um produto. Acho importante nós, como brasileiros, termos ciência que temos um ótimo sistema de saúde ofertado a todos. Viva o SUS!
Sobre os comentários que li aqui, a proposta do filme - fazer uma crítica aos EUA - é válida: ajuda a arejar as ideias, a questionar coisas que a gente vai engolindo sem perceber mas que acaba fazendo mal, deixando a gente mais fragilizado, dócil e suscetível a nos prejudicarmos.
Mas é preciso lembrar, a meu ver, que os EUA são um outro país. E como todos os outros países, os EUA têm sua cultura, sua história, seus interesses nacionais... são, enfim, mais um dos muitos outros países estrangeiros a nós. Tenho a impressão de que se não levarmos em consideração que Michael Moore é profundamente estadunidense, podemos nos enganar e eventualmente até esquecermos dos nossos próprios interesses nacionais.
Agora sobre o filme em si, achei bem escrito e bem realizado. Nota-se que a equipe fez um profundo trabalho de pesquisa tanto de casos como de locação e de música. É ingenuidade pensar que possa haver um filme "isento", todos os filmes têm uma intenção. Mas por não ser ficção, pode ser considerado documentário. Mas acho que cai numa armadilha muito comum: explorar dramas individuais. Algo como fazem os noticiários popularescos da TV: a Dona Maria chorando o desabamento de seu barraco é muito mais importante que a conjuntura social que a levou a morar naquele barraco. E é nesse ponto - foco total no indivíduo, nunca na coletividade - que dá para perceber que Moore é "demasiado", profundamente "americano".
Morei lá 15 anos. Sempre fui republicano. o documentario relata fielmente a verdade. O povo brasileiro jamais pode permitir que o governo atual "importe" esse sistema.
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