Antes de analisarmos o filme é necessário que tenhamos em mente a sua trilha sonora. Aliás, antes de se tornar diretor de cinema, Cameron Crowe foi crítico da lendária revista de música Billboard. Todos os seus filmes têm uma trilha sonora "poderosa" (vide "QUASE FAMOSOS" e "JERRY MAGUIRE"). As músicas foram fundamentais para a elaboração do roteiro, como o próprio diretor já revelou em diversas entrevistas. Com "My father´s gun", de Elton John; "Learning to fly" e "It´ll all work out", de Tom Petty & the Heartbreakers; "Jesus was a crossmaker", dos Hollies; e, principalmente, "Come pick me up", de Ryan Adams, os espectadores literalmente viajam para o interior dos EUA. O personagem principal é Drew Baylor (Orlando Bloom), um desenhista de tênis, que vê o seu último trabalho ter uma derrocada histórica: deu um prejuízo de quase 1 milhão de dólares para a companhia que ele trabalhava. Prestes a cometer o suicídio, Drew recebe um telefonema de que seu pai havia falecido devido a um infarto na pequena cidade de Elizabethtown. Á mãe e a irmã moram no estado do Oregon, na costa oeste americana. Trocando em miúdos, no outro lado do mundo. A tarefa de Drew foi a de viajar até o estado de Kentucky, vestir o seu pai com um terno azul, cremá-lo e jogar as cinzas dele no mar. O moço não contava que com a morte do pai poderia conhecê-lo melhor através das pessoas que conheceram o piloto formado na famosa academia de West Point. Drew também não contava em encontrar Claire (Kirsten Dunst) que abrirá o coração e as estradas do fracassado designer. A cena em que Hollie (Susan Sarandon), a mãe de Drew, fala sobre o marido para a platéia (aquela coisa de americano ficar dando depoimento sobre o falecido), na qual ela sapateou ao som de "Moon river", canção predileta do marido, e quando ela conta como o vizinho teve uma ereção ao abraçá-la ao saber da notícia da morte do amigo é sensasional. E antes do casal ficar junto, Drew faz uma viagem de dois dias pelo sul dos EUA. Os negócios dele foram de mal a pior, no entanto, sua vida amorosa não poderia ser melhor. A velha e mítica "segunda chance" dá as caras. Belo filme para se ver e melhor ainda para se escutar.