Os Sonhadores
Média
3,9
733 notas

33 Críticas do usuário

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SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR

1.597 seguidores 293 críticas Seguir usuário

2,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
A revolução de 68 em Paris é revisitada pelo mestre italiano de uma maneira tangencial. Através do trio formado pelo norte-americano Matthew (Michael Pitt) e os irmãos gêmeos Theo (Louis Garrel) e Isabelle (Eva Green) vivem no epicentro da revolução mais charmosa na história do século XX. Isso não quer dizer que eles sejam revolucionários propriamente ditos. A paixão pelo cinema fez com que o americano recém-chegado a Paris e os gêmeos viessem a se conhecer. O radicalismo do trio não está nas passeatas e nos confrontos com os policiais franceses, mas sim na relação que eles estabelecem entre si dentro do apartamento dos gêmeos franceses. Eles discutem cinema (Matthew prefere Buster Keaton a Charles Chaplin enquanto Theo aprecia este último), política (Theo é maoísta enquanto Matthew é contrário a um regime que permite que todos leiam apenas o livro vermelho), música (Matthew idolatra Jimi Hendrix, já Theo venera Eric Clapton). É em direção de Isabelle que a paixão de ambos converge. Esse triângulo tem inevitavelmente um tempo de duração limitado. Trata-se de uma homenagem explícita a François Truffaut, mais especificamente a seu filme "JULES E JIM". Por sinal, inúmeros filmes e diretores recebem deferência do diretor de "O ÚLTIMO TANGO EM PARIS" (com o qual "OS SONHADORES" guarda várias semelhanças). As transgressões do trio dentro do apartamento são muito maiores do que aquelas dos estudantes e trabalhadores franceses que transformaram as ruas de Paris num palco de ebulição política. Esta é uma característica do cinema de Bertolucci; a sensualidade como uma das formas de expressão mais poderosas do ser humano. A atuação do trio central é excelente, particularmente a belíssima Eva Green e o cover do Leonardo DiCaprio, Michael Pitt. É com ele que nos tendemos a simpatizar, por ser inteligente, articulado, diria, sensato. Já Theo com sua aparência blasé. e suas atitudes típicas de radicais-chique, não ganham o nosso afeto. Enfim, estamos diante de um raio X da adolescência européia no final dos anos 60. E ao som de The Doors, Jimi Hendrix e Janis Joplin nos tornamos admiradores e cúmplices destes sonhadores inocentes que Bernardo Bertolucci tão bem retratou.
ymara R.
ymara R.

838 seguidores 262 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 3 de dezembro de 2013
A cada obra de Bertolucci que eu vejo, minha relação de amor e ódio com ele cresce assustadoramente!!! A trilha sonora afe... maravilhosa...
Bruno Campos
Bruno Campos

630 seguidores 262 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 22 de fevereiro de 2018
Obra máxima do grande Bernardo Bertolucci. Um casal semi-incestuoso (tema clássico deste diretor) de irmãos franceses “seduz” um jovem americano (o excelente Michael Pitt) durante um protesto de amantes de Cinema, à época de Maio de 68. Os três vivem uma espécie de “triângulo”, sempre mediado pela História do Cinema (homenagem claríssima e central nesta obra-prima). A passagem dos personagens à vida adulta é questão primordial nos jogos eróticos e alegres do trio.
Vinipassos
Vinipassos

259 seguidores 178 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 5 de abril de 2014
Incrível como é retrata a vida desses 3 jovens, é impressionante, nudez constante, completamente artístico. Como cinéfilos, a direção e edição conseguiram capturar e colocar na tela oq se passaria na mente deles, em reprodução das cenas.
Ótimas atuações, como disseram, química perfeita e a Eva Green maravilhosa, q sonho.
Dá pra ver no olhar dos gêmeos q não há incesto, é como se fossem um só, vendo seu reflexo e nunca se desgrudando dele.
O sangue de Isabelle com Theo foi a coisa mais linda que já vi, sangue de fogo, excitante como gozo, incrível.
marcelo
marcelo

188 seguidores 181 críticas Seguir usuário

2,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Um ótimo filme ... ele busca as raizes do cinema ... sem contar que se passa na cidade mais linda do mundo ... com uma trilha sonora que vai de La Mer ... a Jim Morson e Janes Joplin .... fazia tempo que um filme tão inteligente era lançado.
Sílvia Cristina A.
Sílvia Cristina A.

109 seguidores 45 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 7 de janeiro de 2013
Assistir a Bertolucci é quase sempre o mesmo que levar uma bofetada no meio da cara. O sórdido se transforma em poesia e por mais que nos sintamos bem integrados a uma série de valores , nos deixamos seduzir por seu erotismo profundo e quase ingênuo. O sexo e o incesto em Bertolucci parecem soluções paliativas contra um mundo externo perigoso e terrível . O amor passional entre os irmãos não é uma apologia ao incesto ou a qualquer outra coisa que contraria a moral. Me parece mais um sintoma do medo da vida ; do medo do mundo. Como em "Último tango em Paris" , quase toda a trama decorre em um apartamento, onde os personagens se entregam a jogos e fantasias alimentadas por referências cinematográficas. Os sonhadores são cinéfilos; são dois transgressores ingênuos que pensam poder se refugiar da vida real por meio da imaginação; que pensam poder recriar o mundo por meio do cinema. Muito mais que um filme sobre o amor , o desejo e a sexualidade, "Os sonhadores" é um poema cinematográfico sobre os tênues limites entre o sonho e a realidade; uma homenagem sensível e perturbadora aos amantes da sétima arte.
Carlos
Carlos

67 seguidores 117 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
...Uma obra prima. Um dos melhores filmes que já vi. A fotografia é maravilhosa, a trilha sonora com músicas dos artistas importantes na época que se passa o filme, na revolta estudantil de 68. Filme educativo, aprendemos sobre a história moderna da humanidade, e ainda sobre a história do cinema. E os temas abordados, como incesto, paixão suicída, foram muito bem abordados. Se tornou poético e realista. Diferente de outros filmes do Bertolucci como LA LUNA, em que a questão das drogas e do incesto são tratadas de forma bizarra e desnecessária. Parece que Bertolucci se aprimorou ao longo do tempo até nos apresentar com esta obra de arte, OS SONHADORES. Pois antes desse filme eu não apreciava em nada esse diretor, acho muito patológico.
Igor Durden
Igor Durden

52 seguidores 96 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2012
Uma obra-prima do cinema francês e italiano!!
A forma como o filme retrata a juventude, a paixão e o sexo de uma forma realista e não apelativa! Atuação boa de todo o elemco, trilha sonora realmente muito linda!!! Enfim, esse filme, é top da minha lista dos melhores estrangeiros que ja vi!!
Nota 100
Zé Luiz
Zé Luiz

39 seguidores 48 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 29 de janeiro de 2020
Esse filme é um arauto a sétima arte! Muito bem tecido entre o movimento social de 1968 em Paris, os cineastas, o enredo de outras obras atemporais, somada a paixão de três cinéfilos e amantes da liberdade. Os Sonhadores é um dos filmes sagrados para quem ama Cinema. O auge do filme é a narrativa misturada aos simbolismos cinematográficos. Se você tiver pudor ao nu e liberdade sexual, é melhor nem assistir, porque estes estão misturados semanticamente com a película. Poeticamente poderoso e aliado a uma trilha sonora sem defeitos.
Cinemauniversal
Cinemauniversal

37 seguidores 5 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 8 de agosto de 2013
A revolução, o medo, o delírio e a obra de Bertolucci.

Quando Bernardo Bertolucci (O Último Tango em Paris) começou a filmar Os Sonhadores, de primeira linha, no primeiro ato, e não apenas em sua introdução dos créditos iniciais, a certeza era absoluta: esse é um filme para se deliciar. E não foi por menos. Existe aqui uma instigante e sexy homenagem ao cinema, à forma de se fazer arte e como se debruçar em metáforas compostas da máxima competência que esta sétima propõe aos leitores/espectadores. Quem tentar compreender um dos melhores e mais deliciosos filmes de Bertolucci como apenas amostragens poéticas sexuais, está enganado até a segunda ordem.

Matthew é um estudante americano que está alocado na Paris de 1968. Ano de muitas manifestações no cinema, ele conhece dois irmãos franceses (gêmeos, segundo eles) e os três começam a viver experiências sexuais visivelmente eróticas entre eles. De imediato vem o pensamento de incesto, libidinosas práticas, homossexualidade. No entanto, mais do que isso, e, além disso, vale frisar, a poética desses acontecimentos é somente um plano secundário para o que o autor quer insinuar, mas não respondendo, a seus leitores. Com Theo e Isabelle, o estudante é recebido numa nova atmosfera de desejos e concepções sobre o prazer do descobrimento, deixando para trás, por um momento, suas antigas e conservadoras inquietações.

Dentre os três personagens centrais, Isabelle é a mais interessante. Quando apresentada ao espectador, é tão reveladora e complexa quanto os dois rapazes. Complexidade essa maximizada nos atos seguintes, reportando aos que assistem dúvidas sobre sua consciência frágil e doce, a sóbria e por vezes patológica sonhadora condição psicológica. Doçura e devaneio. Já Theo é um bom traço de política no texto, discutindo com Matthew sobre as incapacidades e congruências de se lutar contra a repressão, munido pela violência e pelas ideologias destronadas pelos regimes da França dos anos 60. A década das revoluções culturais, da nova música, do cinema de autor, da sexualidade e do grito do povo.

Assistir a Os Sonhadores é aprender mais e mais sobre cinema. Ser um passageiro no navio de emoções e prazeres do diretor italiano que viaja com sua câmera com os suaves planos-sequência, pelos quartos e corredores da bela casa desenhada como um espaço que respira desejo e contradições. Nesse ambiente, o trio de amigos que inicialmente experimentaram uma nova forma de conhecer um ao outro, evolui para o que se poderia chamar de "triângulo amoroso contemplativo". Eles chegam a um nível tão íntimo (cenas como a da masturbação frente a uma foto de Marlene Dietrich; quando Matthew e Isabelle fazem amor diante de Theo; ou quando correm nos corredores do Museu do Louvre, fazendo uma bela referência a Band à Part, e aceitando o estudante americano como um deles) que sofrem as consequências de se dar abertura ao outro, revelando aos seus o lado mais profundo e enigmático de cada um.

Mesmo assim, ainda que mergulhados (literalmente, a cena da banheira, belíssima!) um dentro da mente do outro, como indivíduos simbióticos, os três se tornam dois. Theo e Isabelle são únicos: são apenas o Um, e não há nada que os faça separar. Enquanto que Matthew é apenas um secundário, sem nenhuma interferência significativa neles.

Bernardo Bertolucci não quer provar nada, apenas insistir que o leitor desenvolva suas próprias interpretações dos personagens, das proposições sobre política, poder e cultura. As cenas não contem nenhum pudor: vaginas e pênis são mostrados livremente, a fim de desnudar a sociedade de seus preceitos entendidos como corretos, mesmo diante de tanta corrupção e a doença da igualdade de direitos entre os indivíduos que a compõe. Muita música, muito sexo, e muita filosofia para apresentar outro lado do prazer, dos desejos e do saber sonhar com algo, mesmo que vá contra um amigo ou contra uma nação; neste último caso, complacente com a situação, acredita Theo.
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