Média
2,9
298 notas
Você assistiu Anora ?
3,5
Enviada em 28 de janeiro de 2025
Anora é o Parasita da vez, pois ambos os filmes, apesar das diferenças, contam a mesma história. É aquela coisa: a riqueza está tão visível e é esfregada de forma ostensiva na cara das pessoas, que elas querem, tanto os pobretões quanto a classe média que se acha elite mas não é, desfrutá-la também, seja como for. Uma vez desfrutados os benesses dessa riqueza pela plebe, mesmo que brevemente, é impossível para ela voltar à sua medíocre vida cotidiana, mesmo que fique visível nos parcos momentos em que a classe alta interage com as classes "inferiores", o nojo, sei que a palavra é forte, mas ela cabe aqui, que os de cima sentem pelos de baixo…Em Parasita, a perda dos benesses das mordomias pela plebe se transformou em psicopatia e sobrou tiro pra todo lado. Já em Anora, essa mesma perda se transformou em resignação desesperada de que a vidinha suburbana é o máximo que a ingênua protagonista sempre terá.
3,5
Enviada em 16 de fevereiro de 2025
Sean Baker, conhecido por sua abordagem realista e observacional, entrega em Anora uma narrativa que transita entre o drama e a comédia, abordando a relação entre classe, imigração e poder com um olhar crítico. A história acompanha Ani, uma stripper uzbeque-americana que se envolve com Vanya, filho de um oligarca russo, desencadeando um drama que expõe as dinâmicas de poder dentro de uma relação aparentemente improvável. O filme foi altamente aclamado, levando a Palma de Ouro em Cannes e garantindo várias indicações ao Oscar, BAFTA e Globo de Ouro. Mas essa aclamação é justificada?

A narrativa de Anora é estruturada como uma fábula moderna, onde um amor aparentemente improvável surge entre duas figuras de realidades opostas. O desenrolar do casamento impulsivo e a subsequente luta entre Ani e a família Zakharov exploram a luta de classes e a ilusão do "sonho americano". Embora Baker seja brilhante ao apresentar personagens marginais sem reduzi-los a estereótipos, a segunda metade do filme perde um pouco da força ao transformar a história em uma sucessão de confrontos previsíveis. O desfecho, por mais impactante que seja, sugere uma resignação que enfraquece a potência da jornada de Ani.

Mikey Madison entrega uma performance digna de prêmios, conferindo a Ani um equilíbrio entre vulnerabilidade e astúcia. Ela captura a ambiguidade da personagem, que oscila entre se aproveitar da situação e ser tragada por um jogo maior do que ela. Mark Eydelshteyn, como Vanya, é eficaz ao retratar um jovem mimado e ingênuo, mas sua atuação carece de camadas mais profundas, tornando a dinâmica entre o casal um pouco desequilibrada. O elenco coadjuvante, especialmente Yura Borisov como Toros, adiciona gravidade e ameaça à trama, elevando os momentos de tensão.

O roteiro de Baker é marcado por um realismo cru e uma naturalidade que dá autenticidade aos personagens. No entanto, a repetição de certas interações, especialmente entre Ani e os antagonistas, pode cansar. O filme brilha quando explora a relação entre Ani e os diversos homens que tentam controlá-la, mas enfraquece ao simplificar o arco de Vanya. A falta de um desenvolvimento mais profundo do protagonista masculino faz com que sua decisão final pareça previsível e, em certo ponto, artificial.

A cinematografia, como é característico de Baker, aposta no realismo e na captura da energia vibrante de Nova York e Las Vegas. A direção de fotografia enfatiza a claustrofobia dos espaços e a iluminação natural reforça o tom documental do filme. A escolha de enquadramentos fechados intensifica a imersão no mundo de Ani, destacando sua luta constante contra as forças que tentam dominá-la.

A trilha sonora é eficaz, mas não memorável. As escolhas musicais complementam a atmosfera do filme sem se sobrepor à história. O uso de silêncio em momentos-chave funciona bem, amplificando a carga emocional de determinadas cenas.

O desfecho de Anora é um dos aspectos mais discutíveis. A escolha de Ani de aceitar a anulação e sua cena final com Igor carregam um simbolismo forte, mas também deixam um gosto amargo. Embora a intenção de Baker seja mostrar a dura realidade de mulheres como Ani, o roteiro poderia ter dado a ela uma resolução menos conformista. No fim, a mensagem do filme pode ser interpretada tanto como um retrato brutal da desigualdade quanto como uma aceitação resignada de um destino predeterminado.

Anora é uma obra relevante e impactante, reafirmando o talento de Sean Baker em contar histórias sobre personagens marginalizados. A atuação de Mikey Madison é o ponto alto do filme, e a direção de Baker continua afiada. No entanto, a previsibilidade de algumas escolhas narrativas e a falta de profundidade no arco de Vanya impedem que o filme atinja um patamar ainda maior.

Ainda assim, Anora se destaca como uma das produções mais autêuticas e instigantes do cinema recente, garantindo seu lugar entre os filmes mais memoráveis de 2024.
3,0
Enviada em 18 de março de 2025
Com uma temática relativamente simples, mas muito bem dirigido. O caos predominante no filme todo foi o diferencial.

Sobre atuação, a protagonista ganhadora do Oscar vai bem, mas Fernanda Torres se sobressai.
3,0
Enviada em 1 de fevereiro de 2025
Filme tem suas partes engraçadas, mas no geral é fraco. Muita cena dispensável de sexo. Final não agradou. Nada de diferente. Enredo ja desgastado. Ponto positivo para o gagster careca. Que fica c a protagonista na cena final.
3,0
Enviada em 11 de fevereiro de 2025
Não gostei , vira comédia no meio do filme. Foi decepcionante . O final tambem não agradou. O início é bom, depois que da uma reviravolta
3,5
Enviada em 13 de fevereiro de 2025
achei um bom filme, a atriz primcipalm e boa mais achei bem bobo.
Murilo F.

9 críticas

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3,0
Enviada em 16 de março de 2025
Não achei ruim como muitos aqui , mas certamente não tem nada para oscar nesse filme. É previsível, se pretende engraçado, mas não achei graça, acho que conduzem com dignidade um filme nada especial. É mediano, não é uma decepção, atuações decentes.

Só lamento que Fernandinha tenho perdido para ela, realmente injusto
Wal Frota

1 crítica

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3,0
Enviada em 18 de fevereiro de 2025
Achei divertido e interessante. mas nada de tão fenomenal como está sendo alardeado pelos críticos em geral.
3,0
Enviada em 25 de janeiro de 2025
Concorrente direto nosso( atriz e melhor filme)indicado a 6 categorias no total, eu destacaria a reflexão sobre 2 universos distintos, no qual venceu o poderio econômico que passa, como um rolo compressor , sob tudo/todos que desafiam atrapalhar seus interesses. De todo o filme, a cena final...foi espetacular, dispensou falas e transbordou emoção. Um filme interessante, mas não espetacular.
⭐⭐⭐
3,0
Enviada em 7 de março de 2025
Filme "sessão da tarde" com muitas cenas desnecessárias de sexo. Não deveria concorrer a Oscar nenhum... Melhor filme do ano? Fala sério! 😂
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