Sinopse:
Owen começa a assistir a um programa misterioso por influência de sua amiga Maddy. Mas o que parecia apenas uma série, revela os horrores do mundo sobrenatural. Diante do brilho fraco da TV, o vínculo de Owen com a realidade começa a se romper.
Crítica:
"Eu Vi o Brilho da TV" apresenta uma proposta intrigante ao unir elementos de terror psicológico com a jornada de autodescoberta de dois estudantes problemáticos, desempenhados por Justice Smith e Brigette Lundy-Paine. A narrativa começa de forma promissora, com a interação entre Owen e Maddy, que traz um frescor juvenil e uma representação honesta das inseguranças típicas da adolescência.
O filme se destaca pela sua atmosfera envolvente e pela habilidade da diretora Jane Schoenbrun em criar um senso de tensão a partir da relação dos personagens com seu programa de TV. A construção de um mundo onde o sobrenatural começa a invadir a realidade cotidiana é, sem dúvida, um ponto forte da obra. Os primeiros momentos em que a série começa a influenciar a vida de Owen são particularmente eficazes, evocando uma sensação de inquietação que permeia o filme.
Entretanto, à medida que a trama se desenvolve, a abordagem narrativa parece se perder em uma tentativa de sobrecarregar o espectador com simbolismos e reviravoltas. O ritmo do filme, que começa de forma fluida, acaba se tornando irregular, fazendo com que alguns momentos cruciais pareçam apressados ou mal elaborados. A exploração das identidades e realidades dos personagens, que poderia ser um ponto alto, é muitas vezes ofuscada pela complexidade excessiva da trama.
Os desempenhos da dupla principal são sólidos, mas a profundidade emocional que esperávamos em seus personagens não é totalmente realizada. O potencial dramático da relação entre Owen e Maddy fica aquém, talvez devido ao foco excessivo nas reviravoltas sobrenaturais, que acabam por tirar o centro emocional da história.
Os coadjuvantes, que incluem nomes de destaque como Danielle Deadwyler e Fred Durst, também têm pouco tempo de tela para deixar uma impressão significativa. Embora cada um deles traga um toque interessante, as suas histórias não são suficientemente exploradas, o que prejudica a compreensão global da dinâmica do grupo.
Finalmente, o filme conclui de forma que pode gerar mais confusão do que clareza, deixando muitas perguntas sem resposta. Embora isso possa ser intencional, servindo ao propósito de um terror psicológico, também pode deixar o público se sentindo insatisfeito ao invés de intrigado.
"Eu Vi o Brilho da TV" é um experimento que, apesar das suas falhas, oferece momentos de reflexão e um conceito cativante. A ambição da diretora e o talento do elenco prometem mais do que o filme entrega, resultando em uma experiência que, embora envolvente, acaba por não atingir todo seu potencial criativo. Não deixa de ser uma curiosidade para fãs do gênero, mas pode não agradar a todos os paladares.