A construção de Dan Morgan (Mark Wahlberg), protagonista do filme “Plano em Família”, dirigido por Simon Cellan Jones, chama a atenção pela sutileza dos detalhes. Um devotado homem de família, um simpático vizinho, um bem-sucedido vendedor de carros, um homem nada violento. Porém, por trás dessa fachada, no olhar dele, a gente sente: Dan reprime o seu lado agressivo.
Tudo passa a fazer sentido quando nos é revelado que Dan, na realidade, vive uma vida dupla, uma vez que construiu essa persona como uma forma de esconder aquilo que ele realmente foi um dia: um assassino do governo, transformado em um dos líderes de um grupo de mercenários.
“Plano em Família”, portanto, aborda uma viagem de família que é mais uma das mentiras construídas por Dan. O que deveria ser um momento de descontração e de união familiar esconde a tentativa de fuga do protagonista quando seu paradeiro é descoberto pelo grupo de assassinos ao qual ele pertencia.
O filme se apoia, acertadamente, no carisma de Mark Wahlberg (que repete, aqui, o par romântico com Michelle Monaghan, com quem ele esteve também em “O Dia do Atentado”), que é o tipo perfeito para interpretar um simpático homem de família que é capaz de tudo pelos seus, mas também para se auto-defender. O longa tem bons momentos, com ênfase naqueles que colocam Dan na incômoda posição de sustentar sua mentira, enquanto defende sua família (sem que eles saibam de nada) dos seus antigos comparsas.