Desde seu anúncio em 2022, The Alto Knights gerou uma expectativa considerável entre os fãs do gênero de máfia, especialmente após a elogiada atuação de Robert De Niro em Assassinos da Lua das Flores. No papel, o projeto parecia infalível: um diretor experiente, um roteirista lendário e um dos maiores atores da história do cinema voltando às suas raízes. A Warner Bros. reuniu um time de peso, trazendo Barry Levinson de volta após um hiato de cinco anos, enquanto Nicholas Pileggi, roteirista de clássicos como Os Bons Companheiros e Cassino, saia da aposentadoria para escrever o roteiro. A presença de De Niro, um nome quase sinônimo do gênero, solidificava ainda mais a esperança de que esse seria um grande retorno do cinema de máfia, um gênero que, desde O Irlandês, parecia estar adormecido. No entanto, a execução do filme revela que The Alto Knights está mais interessado em se apoiar na nostalgia do que em contar uma história envolvente e inovadora.
A maior falha do longa reside em sua falta de identidade própria. Pileggi, que já escreveu alguns dos melhores roteiros de filmes de máfia da história, aqui parece se contentar em reciclar elementos batidos do gênero, sem introduzir novos olhares ou reflexões. A direção de Levinson busca emular a energia vibrante de Os Bons Companheiros, mas sem a mesma profundidade narrativa ou impacto visual. A montagem, por sua vez, se mostra confusa, alternando entre flashbacks e a linha temporal principal sem uma lógica clara, tornando a experiência por vezes frustrante.
Com um orçamento estimado em US$ 45 milhões, The Alto Knights não consegue traduzir essa verba em uma ambientação convincente dos anos 50. A construção de mundo é limitada, com poucos cenários realmente explorados e uma direção de arte que não imerge o público no submundo do crime. O figurino é um dos poucos elementos que remetem à época com eficiência, assim como a maquiagem que transforma Robert De Niro em Vito Genovese. No entanto, isso é insuficiente para dar ao filme a grandiosidade esperada.
O maior atrativo do longa, e também um de seus maiores problemas, é a escolha de De Niro para interpretar ambos os protagonistas. O marketing da Warner Bros. enfatizou essa decisão como um grande diferencial, mas na prática, a escolha acaba prejudicando a fluidez do filme. Al Pacino chegou a ser cotado para dividir a cena com De Niro, e talvez essa fosse uma escolha mais acertada, pois a carga de interpretar dois personagens centrais parece sobrecarregar o ator. Em um esforço para diferenciar suas duas performances, De Niro entrega uma versão de Vito Genovese que remete a Tommy DeVito, de Os Bons Companheiros (personagem de Joe Pesci), e um outro personagem mais contido e estratégico. Ainda que suas atuações sejam seguras, a escolha de torná-lo protagonista duplo retira dinamismo das interações e enfraquece o impacto emocional da trama. As cenas em que ambos os personagens dividem a tela são tecnicamente bem executadas, mas a sensação de que o filme poderia funcionar melhor com um segundo ator persiste ao longo de toda a duração.
A narração de De Niro, utilizada como recurso para conectar eventos e tapar buracos do roteiro, acaba se tornando um dos maiores sintomas da fragilidade narrativa de The Alto Knights. Em vez de permitir que a história se desenvolva organicamente, o filme recorre à exposição em excesso, tornando a experiência menos envolvente. O roteiro não estabelece com eficácia o conflito entre os dois protagonistas, e a falta de urgência nos acontecimentos tira qualquer peso emocional que a trama poderia ter.
No fim, The Alto Knights é um filme que aposta cegamente no saudosismo do público, mas que falha em entregar um gênero de máfia revigorado. Com uma narrativa derivativa, um protagonista sobrecarregado e uma execução que nunca empolga, o longa se revela uma oportunidade desperdiçada. O gênero, que já enfrenta dificuldades em termos de rentabilidade e interesse comercial, encontra aqui mais um obstáculo para seu renascimento. Se The Alto Knights fosse um verdadeiro sucessor dos clássicos de máfia, poderia abrir caminho para novas produções. No entanto, o que temos é um filme que, apesar de reunir um time de gigantes, nunca se torna memorável.