O Milagre é um daqueles filmes que prendem pela atmosfera e pelas atuações, e Florence Pugh entrega um show. Sua personagem carrega o peso da história com uma sutileza impressionante, oscilando entre a frieza de uma mulher guiada pela razão e a crescente empatia por Anna, a menina envolta em mistério, não só pessoal, mas alimentar. Enfim, Sebastián Lelio conduz a trama com paciência e graduação, deixando o suspense crescer aos poucos, sem pressa. A fotografia fria e a trilha sonora sutil ajudam a construir essa sensação de isolamento e inquietação alí ofertados. O filme mantém o espectador imerso até o fim, mas é justamente neste que peca um pouco: o desfecho acontece rápido demais. Nada que estrague a experiência, mas poderia ter sido mais bem dosado.
Ainda assim, O Milagre é uma obra envolvente, com uma protagonista que faz cada cena valer a pena. Um drama hipnótico que sabe provocar e instigar sem precisar de grandes exageros e entregas desnecessárias, mais mastigado que este contexto, só as inúmeras cenas de Florence comendo suas refeições, haha, brincadeiras a parte, é um ótimo filme!
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