Bom filme. Na verdade "Os Excêntricos Tenenbaums" possui dois grandes destaques: seu roteiro e a precisa caracterização dos personagens principais. Este é um filme que lembra um pouco "Magnólia", nem tanto pelo brilhantismo do filme de Paul Thomas Anderson mas sim porque também possui um roteiro linear, em que vários personagens interagem entre si, e sem um clímax definido. Isto acaba fazendo com que o filme, apesar de ter cenas simplesmente sensacionais, fique cansativo em sua metade, retomando o fôlego apenas no final. A divisão do filme em capítulos, como se fosse um livro, também acaba favorecendo a este cansaço do público. Mas o mais interessante no filme é justamente a caracterização dos personagens, que desde o início consegue fazer com que o público identifiquem como eles são. Há a depressiva Margot (Gwyneth Paltrow), que vive desiludida com seus parentes e seu casamento; o neutórico Chass, que ainda se recupera da morte da esposa; e Richie, o caçula da família que possui seus conflitos internos e transmite uma postura mais zen. Há ainda Royal, o pai pilantra que aos poucos descobre o valor da família que simplesmente abandonou; Etheline, a mãe zelosa que fez tudo pelos filhos; Eli, vizinho da família Tenenbaum que cresceu sonhando em se tornar um deles; Henry, contador da família que se apaixona por Etheline; e ainda Raleigh, que ao mesmo tempo em que trabalha numa experiência biológica sofre com os problemas em seu casamento com Margot. É toda esta gama de personagens que consegue fazer com que a história se torne tão interessante ao público, fazendo com que todos os atores surjam bem em cena, sem haver um destaque específico. Se o próprio modo como a história é contada não o tornasse cansativo no seu decorrer, possivelmente este "Os Excêntricos Tenenbaums" teria chegado perto da genialidade de "Magnólia"."