Guerreiras do K-Pop
Críticas AdoroCinema
4,0
Muito bom
Guerreiras do K-Pop

Estrelas do K-Pop caçam demônios e lançam hits: Ninguém esperava que uma animação escondida da Netflix seria um dos maiores hits de 2025

por Katiúscia Vianna

Muito se discute sobre o streaming ser o fim do cinema, mas o debate se tornou mais interessante com a explosão de Guerreiras do K-Pop. O longa produzido pela Sony Pictures Animation vem quebrando recordes na Netflix, ao mesmo tempo que enche salas com sessões especiais e lidera paradas musicais com os hits da trilha sonora. Mas qual foi o segredo por trás do sucesso do filme animado?

Qual é a história de Guerreiras do K-Pop?

Sony Pictures Animation

Ambientada na Coréia do Sul, a trama gira ao redor de Rumi, Mira e Zoey - um trio de amigas talentosas que formam o conjunto musical Huntrix. Mas, por trás do sucesso mundial da banda, as meninas usam os poderes de suas canções para caçar demônios. Sua missão é manter fortalecido o Honmoon, uma barreira mística que separa o mundo dos humanos e dos seres maléficos.

Porém, seu sucesso é ameaçado com a chegada dos Saja Boys, uma boy band formada por demônios, cujo objetivo é roubar os fãs da Huntrix e enfraquecer o Honmoon, proporcionando a dominação mundial pelo poderoso e assustador Gwi-Ma. Para piorar as coisas, Rumi esconde um segredo de suas amigas que pode ameaçar o futuro das Huntrix, ao mesmo tempo que se aproxima de Jinu, o líder dos Saja Boys - que, por sua vez, também pode ser mais do que aparenta.

O sucesso das Guerreiras do K-Pop dentro e fora da Netflix

Sony Pictures Animation

Se você está meio perdido nas fofocas de 2025 (ou está lendo essa resenha no futuro), vamos recapitular o sucesso de K-Pop Demon Hunters (no original): A animação se tornou o longa mais assistido da história da Netflix, liderou bilheterias norte-americanas (cuja exibição nos cinemas coloca as Huntrix no caminho de indicações ao Oscar) e fez um marco ao ter quatro canções no top 10 mais popular da Billboard.

No Brasil, o sucesso também chegou, já que - desde sua estreia - o filme não sai do top 10 da Netflix. Sem falar que a tradução de “Soda Pop” para “Meu Pequeno Guaraná” na dublagem se tornou viral nas redes sociais, com milhões de visualizações. (Inclusive, recomendo você cantar o refrão de “Meu Pequeno Guaraná” na frente de alguém que ainda não conhece o filme: é uma experiência hilária!)

E sim, não é a primeira vez que uma animação musical conquista o público - basta verificar o histórico da Disney, inclusive com os recentes “Let It Go” (Frozen) ou “We Don’t Talk About Bruno” (Encanto). Mas diante de uma sociedade com cansaço de remakes live-actions e filmes de super-heróis, na qual animações originais sofrem para conseguir reconhecimento dentre as milhares de sequências que roubam os holofotes… É inegável que as Guerreiras do K-Pop fizeram um burburinho bem legal.

O som da nossa voz em Guerreiras do K-Pop

Sony Pictures Animation

Para começar, podemos falar que a trilha sonora é realmente contagiante: desde as mais viciantes como “Golden” e “Soda Pop”, até aquelas que completam os arcos narrativos como “How It’s Done”, “Your Idol” e “What It Sounds Like”. Embarcando no hype do k-pop (e em sua tremenda habilidade de serem ouvidas repetidamente sem cansar), as canções conseguiram superar os preconceitos que cercam esse gênero musical, conquistando não somente os mais jovens, como também outros “fandoms” de diferentes gerações. (Também ajuda uma das canções ter uma versão cantada por integrantes da banda TWICE, uma das maiores do k-pop atual!)

Se, por um lado, as canções (cujo grupo de compositores também inclui EJAE, a artista por trás da voz cantada de Rumi na versão original) são um sucesso que vai dominar as retrospectivas do spotify da galera no fim do ano, é importante ressaltar que a trama de Guerreiras do K-Pop também é uma de suas qualidades. De um modo de vista técnico, é uma estrutura bem simples até, com mensagens de aceitação, amizade e poder da música.

Só que a trama é cercada de momentos engraçados e pequenos detalhes que fazem a diferença na hora da identificação do público. Veja o caso das Huntrix: Rumi, Mira e Zoey possuem personalidades bem definidas; elas não são apenas divas do k-pop. Existe um cuidado no visual delas, é claro, mas também há humanização das personagens, que têm expressões engraçadas e momentos naturais de parceria.

No final das contas, Rumi, Mira e Zoey também são jovens comuns, que arrasam no estilo, mas também têm seus momentos constrangedores. Gente com a gente, elas também ficam abaladas pelo tanquinho de um membro dos Saja Boys, por exemplo, numa piada recorrente da trama. Já a jornada de Rumi, que precisa aprender a abraçar as cicatrizes para não perder sua essência, é tocante.

Qual é o segredo do sucesso das Guerreiras do K-Pop?

Sony Pictures Animation

Na questão do humor, muito crédito surge na animação em si, que apresenta belas misturas de estilos - como foi destaque em outras produções aclamadas da Sony Pictures Animation, como os recentes A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas e os primeiros filmes da franquia de Miles Morales: Homem-Aranha no Aranhaverso e Homem-Aranha: Através do Aranhaverso. Todos esses foram (pelo menos) indicados ao Oscar, seria um bom sinal para as Huntrix?

Para este projeto, os diretores Maggie Kang e Chris Appelhans se inspiraram em visuais de clipes e bandas de k-pop, como nos looks ou coreografias dos personagens principais, mas também misturam com as expressões exageradas vistas em animes, tudo numa modernização no uso de 3D. A cultura coreana, inclusive, é grande inspiração por trás do longa, até mesmo na escolha de Derpy e Sussie, o tigre e o pássaro mágicos que roubam a cena ao longo da história. (Ps: Podem me mandar links para comprar a pelúcia do tigre, muito obrigada!)

Ainda há muito o que se discutir sobre streamings, cinemas e o futuro do mercado. Mas a lição que deve ser aprendida aqui é como apostas em novas vozes e estilos ainda podem valer a pena - inclusive para os bolsos de produtores obcecados em lucros. O sucesso das Guerreiras do K-Pop prova que há espaço, não apenas para mais histórias protagonizadas por mulheres, mas por personagens situados fora dos Estados Unidos e para animações originais que não sejam apenas continuações de franquias já estabelecidas.

Hollywood está tão cercada de remakes, sequências ou usos de propriedades intelectuais conhecidas, que acaba esquecendo que toda história precisa surgir de algum lugar. E, para se tornar uma futura franquia, precisa de espaço para começar. É inegável que as Guerreiras do K-Pop ainda terão muito futuro pela frente, mas espero que ninguém esqueça como boas ideias podem surgir de onde menos se imagina… Pois eu duvido que estava no bingo de alguém como um dos maiores sucessos de 2025 seria um filme vendido para a o streaming que nem divulgação teve. Nunca duvide do poder feminino. E do poder do fandom de k-pop...

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