A atriz Salma Hayek ainda era uma adolescente quando conheceu, na Cidade do México, a obra da pintora Frida Kahlo. E quanto mais ela conhecia da vida profissional e pessoal da artista, mais ela se apaixonava por Frida. Não demorou muito até que ela começou a planejar a realização de um filme sobre a pintora. O único problema é que esta idéia já havia passado pelas mentes de outras pessoas.
Excetuando-se o projeto de Hayek, dois outros roteiros rolavam em Hollywood: um com Madonna no papel principal, e outro com Jennifer Lopez. Na briga final, Hayek levou a melhor, simplesmente porque contava com o financiamento e apoio da Miramax e porque conseguiu atrair bons nomes para o elenco – como, por exemplo, Alfred Molina, Geoffrey Rush, Ashley Judd, Antonio Banderas e Edward Norton, seu então namorado, que também ajudou a escrever o roteiro final do filme.
Por isso dá para imaginar a emoção da atriz mexicana ao ver este projeto se tornando realidade depois de quase vinte anos de espera. E ela tem que estar feliz mesmo, pois “Frida” é o melhor filme de sua carreira (conquistando seis indicações ao Oscar 2003, das quais venceu duas estatuetas: Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Maquiagem) e a sua melhor performance como atriz, até o momento.
“Frida” é um filme muito ambicioso e tenta passar para as gerações mais jovens a força, personalidade e carisma que a pintora possuía. É incrível acompanhar toda a força de vontade que Kahlo teve ao superar as adversidades que se impunham no seu caminho. Também é gratificante ver o quanto era ela leal, companheira e compreensiva com todos aqueles que a rodeavam – seu marido, Diego Rivera; seus pais; irmãos e amigos.
Neste meio tempo, o filme mostra toda a consciência política de Kahlo, que era uma comunista convicta. Mas, com certeza, o grande foco de “Frida” se encontra nas relações amorosas da pintora – com Diego Rivera, Leon Trotsky e algumas mulheres – e como elas influenciaram a sua obra.
Falando na obra da artista, ela ocupa lugar de destaque no filme, servindo como pano de fundo aos acontecimentos que nos são retratados, uma vez que, ao vermos os quadros que ela criou, conseguimos entender o por quê de tanta dor e baixa auto-estima.
É este o grande mérito da diretora Julie Taymor: mostrar a alma sofrida de Frida Kahlo por meio de seus quadros. Atmosfera que é complementada pela excelente fotografia de Rodrigo Prieto – não indicada injustamente ao Oscar – que coloca cores vivas em cena, com o objetivo de nos fazer ver que o que Frida mais possuía era uma vontade imensa de viver.