Se Todo Mundo em Pânico foi um soco no estômago do cinema de terror, Todo Mundo em Pânico 2 é aquele chute no saco que você não pediu, mas que, de alguma forma, ainda te faz rir enquanto vomita. Lançado em 2001, esse filme é a prova viva de que sequências podem ser piores, mais absurdas e, paradoxalmente, mais engraçadas que os originais—desde que você esteja disposto a abandonar qualquer resquício de sanidade.
O filme começa com uma paródia de O Exorcista que já entrega o tom: uma adolescente possuída (Megan Voorhees) urinando como se fosse uma cachoeira do Xingu e xingando a mãe com um vocabulário que faria um marinheiro corar. Os padres que tentam exorcizá-la? Um é um pedófilo (clássico) e o outro é interpretado por James Woods, que já nasceu com cara de psicopata. O exorcismo termina com a garota levando um tiro—porque, afinal, nada resolve possessão demoníaca melhor do que um bom velho lead therapy.
Depois dessa pérola introdutória, somos apresentados aos nossos "heróis" sobreviventes do primeiro filme (sim, todos eles, porque mortes em filmes de terror são tão permanentes quanto promessas de político). Cindy, Brenda, Shorty e Ray estão na faculdade agora, porque nada diz "superação de trauma" como ir para a universidade depois de sobreviver a um assassino mascarado. Eles são recrutados por um professor maluco (Tim Curry, porque é claro que ele está aqui) e seu assistente paraplégico (Chris Elliott, que parece ter saído de um pesadelo pós-bêbado) para passar um fim de semana em uma mansão assombrada. Spoiler: Ninguém lê o contrato antes de assinar.
- Cindy Campbell (Anna Faris): Ainda a protagonista mais desastrada do cinema, agora com um novo talento: construir tratores improvisados no porão usando apenas uma ejaculação e esperança. Seu romance com Buddy é tão forçado que até o filme zoou isso.
- Brenda Meeks (Regina Hall): A rainha do deboche continua roubando cenas, mesmo quando está sendo perseguida por fantasmas. Sua reação ao ver um boneco de palhaço sendo estuprado pelo Ray? "Que porra é essa?"—pergunta que todos nós fizemos.
- Shorty (Marlon Wayans): O maconheiro que sobreviveu ao primeiro filme agora enfrenta seu maior inimigo: um monstro de erva daninha que quer fumá-lo. A cena em que ele é enrolado como um baseado é tão absurda que chega a ser poética.
- Ray Wilkins (Shawn Wayans): Ainda confuso sobre sua sexualidade, Ray agora tem um caso de amor/horror com um boneco de palhaço. Sim, você leu certo. E sim, é tão perturbador quanto parece.
- Buddy (Christopher Masterson): O cara que acha que cuecões são uma forma válida de flerte. Seu relacionamento com Cindy é construído sobre traumas compartilhados e ejaculações poderosas. Romance puro.
- Professor Oldman (Tim Curry): O único homem que consegue fazer um papel de cientista louco parecer ainda mais louco. Sua morte, seduzido por um fantasma, é digna de um Oscar—se o Oscar tivesse uma categoria "Melhor Morte Ridícula".
- Hanson (o Zelador): Um homem com uma mão deformada e hábitos alimentares nojentos. Basicamente, o sonho de toda garota.
O filme é uma montanha-russa de humor negro, escatológico e sexual que oscila entre "Isso é genial" e "Alguém foi preso por escrever isso?". Destaques incluem:
- O Exorcismo Falhado: Megan vomitando em câmera lenta enquanto o padre McFeely faz piadas pedófilas. Tudo isso termina com um tiro. "Amen".
- O Boneco de Palhaço Estuprador: Sim, Ray é violentado por um boneco. Não, ninguém explica. Sim, é tão bizarro quanto parece.
- Shorty Fumado Pelo Monstro de Maconha: A cena em que ele é enrolado e "fumado" é tão nonsense que chega a ser filosófica. "Cara, eu tô sendo carburado?"
- A Cena do Freezer: Cindy masturba Buddy para libertá-los do freezer usando a ejaculação como propulsor. Se isso não é cinema, eu não sei o que é.
- O Final "Romântico": Shorty recebendo um boquete de um fantasma enquanto atropela o zelador. "E viveram felizes para sempre".
Todo Mundo em Pânico 2 é um filme que não se leva a sério nem por um segundo—e é exatamente por isso que funciona. É sujo, escrachado, politicamente incorreto e absolutamente hilário se você estiver no estado mental certo (leia-se: bêbado ou chapado).
É pior que o primeiro? Tecnicamente, sim. É mais engraçado? Absolutamente. Se Scary Movie era uma paródia, Scary Movie 2 é uma paródia da paródia—um meta-comédia que ri da própria existência.