O título "Tio Frank", do filme dirigido e escrito por Alan Ball (criador da série "Six Feet Under", que foi ao ar pela HBO nos anos de 2001 a 2005), faz referência àquele que foi a maior influência de Beth (Sophia Lillis), no período de sua adolescência. Além dele ser a pessoa que ela emulava ser, pois ela o considerava como inteligente, engraçado e atencioso; foi dele a frase que transformou a vida dela: "você quer ser a pessoa que os outros desejam que você seja, ou você quer ser a pessoa que você deseja ser?".
Beth ainda não sabia, mas essa frase era bastante representativa também da pessoa que Frank (Paul Bettany) era, e das escolhas que ele tomou para si mesmo. Ao se mudar para Nova York, onde seguiria carreira como professor universitário, Frank se tornou um forasteiro em sua própria família, alguém com quem eles não enxergavam mais semelhança, alguém cuja vida era um mistério.
A sobrinha Beth transporá essa barreira a partir do momento em que ela se tornar, também, uma forasteira, uma estudante na Universidade de Nova York, e passar a ter um contato mais próximo com o tio. É justamente numa viagem de carro, em que Frank e Beth voltam para casa para o funeral do pai/avô, que Beth conhecerá Frank na sua forma mais verdadeira, na medida em que nos é revelado a pessoa que ele decidiu ser.
"Tio Frank" é um filme que fala a respeito de relacionamentos (amorosos e familiares), porém, principalmente, é um filme sobre o sentimento de ser - e de abraçar - aquilo que você deseja ser. No decorrer da obra, Alan Ball trata sobre esses temas com a sensibilidade que é típica ao seu olhar, tendo como base uma atuação forte e, ao mesmo tempo, sutil de Paul Bettany. O último ato de "Tio Frank" nos dá algumas das cenas mais lindas vistas em um filme, no ano de 2020, e resumem a mensagem maior que este filme deseja nos passar: a de amor e a de amar aqueles que nos rodeiam.