"Babilônia", novo filme de Damien Chazelle traz muitos aspectos da sua curta e fantástica carreira: O amor pelo cinema, o amor pela música, os grandiosos planos sequências e os ousados travellings. Damien conta a história de 4 personagem com um importante contribuição histórica para o cinema, apesar dos 4 personagens serem carismáticos e envolventes, nem todos tem um arco de desenvolvimento completo, pois apesar das mais de 3 horas de filme, os ousados planos sequências e coreografias magníficas tomam um bom tempo de tela, o que faz as 3 horas passarem voando porém diminui a presença de tela dos 4 núcleos principais. O roteiro, com toques de "La La Land" fala sobre amor, ambição, legado e superação e apresenta alguns ótimos subtextos, principalmente os envolvendo o personagem Jack Cornad, vivido espetacularmente pelo Brad Pitt, mesmo que o núcleo com mais desenvolvimento e tempo de tela seja da dupla Nellie LaRoy e Manny Torres, que tem um conturbado segundo ato mas contam com um belo desfecho final. Como já tido, Chazelle traz muitos recursos narrativos do seu filme de maior sucesso. "La La Land" que aqui não funcionam muito bem, por outro lado, ele vem com seu lado musical forte aliando uma caotica coreografia que funciona perfeitamente, e conversa com as enlouquecedoras narrativas que virão a seguir, sempre explorando o excesso de drogas, glamour, sexo e bebidas da classica Hollywood. Outro ponto legal, Chazelle faz do cinema um dos personagens do seu longa, todas as suas mudanças, desenvolvimentos e evoluções dos anos 20 para os 30 são muito bem pautadas. O roteiro contém bons discursos e monólogos e trafega por meandros da loucura de estar no centro do desenvolvimento de uma arte gigantesca que tinha menos de 40 anos ainda, as mortes, os problemas de produção e as construções gigantescas de cenários são apresentadas, e são belas, Chazelle fez da narrativa do seu longa uma loucura com organização, algo que parece não ter um foco claro, isso se dá pelo ângulo de ponto de vista que seu filme narra, algo que vai além de grandes produtoras e grandes atores, temos uma narrativa sobre legado e amor que irá se perpetuar, não necessariamente por conta desse filme, mas sim por conta de centenas de milhares de filmes que saem e emocionam tantas pessoas, e seu apoteótico e polêmico final referencia isso. "Babilônia" está muito longe de ser um filme perfeito, sua direção, apesar de grandiosa tem problemas de transição, seu roteiro peca um pouco de aprofundamento em alguns pontos, como por exemplo no núcleo do Sidney, porém temos mais uma prova do potencial cinematográfico que Chazelle tem como diretor, filme com ótimas atuações, uma descontrolável e imersiva direção e um roteiro de altos e baixos. 8,5/10