Assisti Resgate meio que “parcelado”, porque, sinceramente, foi um filme que não conseguiu me prender em momento nenhum. É um bom filme de ação, muito bem feito — os efeitos, a fotografia, a maquiagem, tudo impecável. Faz tempo que eu não via um filme de ação tão realista assim. O protagonista não é tratado como um super-herói (apesar de ter que matar uns mil caras, né, porque é o protagonista), mas ainda assim mostra que ele é humano, leva tiro, se machuca, sente dor. Isso foi um ponto muito positivo.
Mas, fora a parte técnica, não tem muita história. A ação é boa, mas repetitiva. Faltou um vilão marcante, algo que desse mais peso ao enredo. O que mais me incomodou foi a tentativa forçada de criar uma conexão emocional entre o protagonista e o menino. Tipo… ele conheceu o garoto há menos de 24 horas, e de repente parece que é o filho perdido dele. O menino, então, confia nele como se se conhecessem há anos — não faz sentido nenhum.
A cena em que o protagonista senta pra contar a história da vida dele pro menino me quebrou. Soou falso, porque ele é um mercenário — o trabalho dele é resgatar, extrair, sobreviver. É difícil imaginar que pra cada pessoa que ele salva ele vai se abrir emocionalmente e chorar junto. Se fosse pra ser mais realista, ele teria seguido o conselho do cara que o resgatou: “mete uma bala, pega o dinheiro e vai embora”. Isso sim faria mais sentido e até tornaria o final mais surpreendente.
No fim das contas, Resgate é um filme com boas cenas de ação, realismo técnico e bons efeitos, mas sem alma. Falta história, falta ligação emocional verdadeira, falta motivo pra se importar com o que tá acontecendo. É um filme bonito de se ver, mas vazio de sentir.