Parece que Ainda Estou Aqui gerou reações mistas, especialmente no que diz respeito ao equilíbrio entre o drama familiar e a representação do contexto histórico.
A atuação de Fernanda Torres foi amplamente elogiada, destacando-se como o ponto alto do filme. No entanto, críticas à superficialidade do roteiro e ao ritmo arrastado da história são recorrentes.
A trama negligencia detalhes essenciais, omitindo aspectos fundamentais da trajetória das personagens, como a circunstância que levou um dos protagonistas a se tornar cadeirante.
Além disso, alguns críticos apontam que o filme evita um exame mais profundo da luta de Eunice Paiva por justiça, tornando sua abordagem excessivamente suavizada.
Ao assistir ao filme, senti falta de mais informações sobre as filhas, especialmente sobre a depressão que Eunice e sua filha enfrentaram após serem presas. Esse aspecto poderia ter sido mais aprofundado para dar maior impacto emocional à narrativa.
Além disso, o som me pareceu desagradável, com certos ruídos – como o barulho dos escapamentos dos carros – excessivamente enaltecidos. A filmagem também me soou estranha, especialmente em algumas cenas.
Ainda estamos muito distantes do padrão dos filmes norte-americanos, tanto na parte técnica quanto na forma como as histórias são contadas.
Ao optar por dar mais ênfase à jornada emocional da protagonista e menos ao impacto político e histórico da ditadura, Walter Salles transformou a violência do regime militar em um mero drama familiar, no qual a busca da esposa pelo marido desaparecido se torna o foco central. Isso pode ter limitado a força da obra para quem esperava um drama mais contundente e informativo.
Além disso, críticas ao ritmo lento e à qualidade técnica sugerem que o filme pode não ter sido tão envolvente quanto poderia. Há cenas que parecem desnecessárias e diálogos que soam fracos e pouco inspirados. No geral, trata-se de uma obra mediana, que entrega uma experiência apenas razoável. (Daniel Bastos)
Em relação aos aspectos técnicos, como som e filmagem, algumas críticas mencionam problemas na qualidade do áudio e no estilo de filmagem. No entanto, essa percepção pode variar entre os espectadores.
Pelo que foi comentado, Ainda Estou Aqui se sustenta na atuação brilhante de sua protagonista, mas peca ao não explorar de forma mais profunda o contexto histórico e as consequências da ditadura.
Isso pode torná-lo frustrante para quem busca uma experiência mais densa e impactante.
Acho que ela – Fernanda Torres – deveria ganhar o Oscar, mas não o filme!