Código Desconhecido - Crítica
Humanidade desconhecida
Ano 2000, populares tocam blues em Paris e dois jovens brigam. O branco humilha uma imigrante romena, o negro se ofende pela imigrante que estava pedindo esmola e manda o rapaz branco Jean (Alexandre Hamidi) pedir desculpas. Ele se recusa e está armada uma grande confusão no meio da rua.
De repente a polícia aparece, o rapaz negro Amadou (Ona Lu Yenke), já temendo represálias, sem ninguém cobrar nada começa a se explicar diante das autoridades. Jean que humilhou a mulher é liberado, Amadou é algemado e preso, a imigrante ilegal romena Maria (Luminita Gheorghiu) é deportada.
O diretor Michael Haneke faz as transposições de uma cena para outra de maneira radical, com o uso de bastante corte seco construindo assim a atmosfera do filme e utiliza em várias cenas o estilo documentário, nos planos-seqüência.
Código Desconhecido (Code Inconnu, França - 2000, 35mm, 118min.) é um longa-metragem que trata, além do preconceito racial a temática da discórdia e da violência do nosso cotidiano, e o quanto podemos ser impotentes em determinadas situações. Haneke causa impacto na forma ácida de abordar um determinado tema, que é uma de suas características já conhecida em obras como: O Sétimo Continen (88), Violência Gratuita (97), A Pianista (2001), entre outros.
Há momentos em que fatos soam realmente como verdadeiros, como no caso do fotógrafo Georges (Thierry Neuvic), quando volta de uma cobertura de guerra em Kosovo e nos mostra seu trabalho através de fotojornalismo.
O jovem negro leva uma moça branca para jantar e de cara esbarra com o preconceito, quando um garçom diz que a mesa que ele havia reservado perto da porta de entrada no restaurante estava ocupada, porque ele tinha chegado atrasado.
No ritmo da narrativa em corte seco Anne (Juliette Binoche), que é a namorada do correspondente de guerra Georges, conta que fez um aborto enquanto ele estava fora por causa do trabalho, ele não esboça reação. Anne conta isso dentro do supermercado.
Georges diz:
- "Você vai comprar arroz?"
O fio condutor da história é Anne (Juliette Binoche), em desempenho brilhante onde vive um papel de uma atriz, que leva uma vida de típica francesa de classe média.
Quase não existe trilha sonora, apenas rapidamente com uma banda de blues e em momentos que o professor de música Amadou, filho de imigrantes negros, toca batuques africanos em plena Paris.
Michael Haneke, no seu roteiro expõe de forma clara os conflitos entre os franceses e os estrangeiros. Através dos personagens nos aproxima com esse fato tão decorrente nas grandes cidades do mundo.
Texto publicado originalmente em 2007
Sergio Batisteli é jornalista, criador de conteúdo do 'Blog do Sergio Batisteli - CineConecta'