É um filme para assitir sem a visão literal do que aparece na tela, pois não é possível entender de forma objetiva, como se fosse um filme de ação. Se não entender pelas entrelinhas, que são bem claras, realmente não faz sentido nenhum só analisando as cenas. A mensagem começa com os filhotes de passarinho no ninho que, pela sobrevivência, um deles acaba jogando outros dois filhotes para fora, que caem e morrem e ainda assim a mãe continua alimentando o filhote sobrevivente no ninho, mostrando que a natureza pode ser cruel no ponto de vista humano. Isso porque a criança vê os filhotes mortos no chão e fica chateada, e diz para a professora (que é a atriz principal) que aquilo não é justo. A mulher responde que aquilo acontece, que é da natureza, mas é possível ver que ela também fica incomodada com aquilo. Isso revela a ideia de que, quando nos tornamos adultos, temos a noção da natureza das coisas, mas que nos sentimos desconfortáveis com as situações que nos impõem algo na vida, como naturais, como o filme passa a explicar logo em seguida. Quando um casal decide formar uma família, adquirir um lar, o filme simboliza a ideia (que é controversa, mas é apenas um ponto de vista do filme) que cada um desse casal abdica da sua vida anterior, passando a viver em um looping, com uma vida de rotina enfadonha e que chega a ser sufocante, mesmo que segura e confortável. Quando o homem passa a cavar o buraco (que na verdade é o próprio buraco), ele se assusta ao encontrar um corpo, após cavar por vários anos, pois ele sabe que aquele é o destino dele também. Tanto que os anos passam e eles continuam contando como se fossem dias, com a mesma aparência, o que revela o fato de que o tempo passa e, com a rotina, não percebemos as mudanças em nós mesmos e o quanto o tempo passou, ou negamos a aceitar isso. A chegada da criança é algo inesperado, estranho, e eles vêem a criança como algo sobrenatural, de forma negativa e até mesmo monstruosa. É uma visão que o filme quer passar de não aceitação da rotina sufocante, dos padrões repetidos e da imposição para cuidar de alguém, que grita quando está com fome e tem necessidades e caprichos, e que irrita ao repetir o que os pais fazem e dizem, com a negação e mesmo nojo pelos pais, vez que a mulher repete: Não sou sua mãe! Quando a mulher decide confrontar o filho, acertando com a picareta após a morte do homem, ela vai em uma imersão psicológica, por finalmente confrontar a situação, e começa a ver cenas de seus pais ou de outros casais que passam pelo mesmo dilema da rotina, com uma mulher sentada à mesa angustiada com uma criança e um homem que se matou na banheira. Depois, ela retorna para a sua mesma casa, para a rotina, sem escapatória, sem solução, com o filho que ela rejeita, sem o marido, e pergunta para o filho: O que uma mãe faz? E ele responde que ela deve criar o filho. Ela continua: E depois? E o filho responde: Depois ela morre. Ela então morre e as suas últimas palavras para o filho são: Não sou sua mãe! Como alguém não acha essa cena demais?! É um último suspiro de negação da realidade, uma tentativa de não se perder já estando perdida, de não aceitar que o seu papel na vida é somente criar alguém e morrer, que é algo muito além disso apenas! E no final, o filho consegue sair do condomínio de casas, no carro dos pais, após enterrar os pais no jardim. Com olhos de literalidade, não há como entender, pois o carro não tinha gasolina quando o casal tentou sair por várias vezes do condomínio e nunca conseguiu, mesmo a pé, mas isso revela que o casal estava estagnado de tal forma na rotina, que não conseguiu se desvencilhar da casa, e assim os dois foram enterrados lá pelo filho. O filho então inicia a sua vida no mundo, fora do alcance daquela rotina, mas.... Ele acaba trabalhando na imobiliária que vende as casas no condomínio! No lugar do antigo vendedor, que era idoso e morre com a chegada do jovem, passando o seu crachá para ele! O filme mostra uma visão de que as pessoas são descartáveis, por isso ele, jovem, coloca o vendedor idoso em uma saco que fica bem pequeno e o guarda dentro de uma gaveta! O filme passa a visão do papel das pessoas na sociedade, como se fosse natural, mas evidenciando a crueldade subentendida no papel de cada um, nas relações familiares, de trabalho e etarismo, como se fossem naturais. Será?