Filme apenas mediano do excelente diretor Jordan Peele, que embora tenha sido abraçado por boas críticas, dificilmente soa convincente. Acontece que a filosofia trabalha com lógica e infelizmente o filme fere muitas vezes o princípio aristotélico. Se a dualidade é antagônica como fica a questão dos criminosos reais? Como seria seu lado sombra? Peele cria um cinema metafórico interessante no tangente às referências psicológicas, temos Alice de Lewis Carroll como exemplo. Mas toda vez que pensamos que conseguimos decifrar o que ele quer dizer no seu roteiro, recebemos um balde de água fria na cachola no decorrer da trama, que, vira uma verdadeira salada de ideias desconexas. O ritmo do filme é desigual e não atinge um crescendo, por vezes somos bombardeados por trechos lentos e cansativos que não são usados com propósito artístico, são apenas lentos porque são chatos, e nessas horas fica difícil esconder os bocejos. A interpretação do elenco negro é de primeira, no entanto o filme peca na construção dos personagens coadjuvantes. Usar boas horas de projeção para se chegar ao inconclusivo para defender a epífase do prefácio é uma bofetada no espectador.
Jordan Peele, mais uma vez, consegue inovar em um gênero tão saturado de filmes clichês e previsíveis como o terror. Muito bem dirigido, atuado e escrito; 'Nós', supera toda a alta expectativa criada pelo novo projeto de um cineasta autoral e criativo. A audiência mais preguiçosa não deve gostar tanto assim, o que ele ainda mais a qualidade do longa.
Nós é um filme intrigante, e cheio de simbolismos que só assistindo numa primeira não seja possível captar todas as mensagens que o roteiro queira transmitir. Quem for procurando um terror com muitos sustos talvez possa sair decepcionado, por que o filme tem uma pegada diferente que o gênero costuma fazer por aí. O que eu mais gostei foi da trilha sonora, umas das melhores desses últimos anos, não seria exagero se recebesse alguma indicação nas premiações em 2020. Talvez o que incomode um pouco seja alguns alívios cômicos durante algumas cenas, ficando meio desordenado e quebrando o clima. E o que falar do final, é duvidoso mas muito interessante, e que vai ser comentando por algum tempo.
Assim como o filme "Corra", a obra mais uma vez aborda uma crítica social, em relação aos menos favorecidos e também traz um suspense/terror psicológico muito semelhante. Há muitos simbolismos retratados que em um primeiro momento podem não ser percebidos e outros que não fiquem claro mesmo (não entendi a do coelho), parece ser uma característica de Jordan Peele. O filme começa bem, mas a meu ver, assim como "Corra", há altos e baixos durante as cenas e termina com uma possível sequência...
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