Este belo filme vai conquistando o espectador aos poucos. O argumento é original: dois funcionários de um abatedouro, Maria e Endre sonham o mesmo sonho diariamente, no qual ela é uma cerva e ele um cervo, que estão em uma planície nevada e mantém pouco contato físico. Curiosamente, quem detecta esse fato é uma psicóloga chamada para desvendar um incidente na empresa, e ela acha que ambos combinaram levá-la nessa brincadeira. Na realidade, o casal acaba se aproximando; ele é um homem que sofreu por amor no passado e tem medo de se machucar novamente, e tem um braço paralisado; enquanto ela é uma mulher com postura robótica, que evita contatos físicos, passa a imagem de fria e arrogante, mas no fundo quer se apaixonar. Para isso, como se fosse uma criança, começa a apreciar os toques em objetos de diferentes texturas, além de gostar de ouvir música romântica. Repentinamente, Endre procura desmanchar o relacionamento, ela tenta o suicídio, mas é "salva" por um telefonema dele propondo a reconciliação. A noite de amor do casal é bem-sucedida e, no dia seguinte, ambos percebem que não mais sonharam o mesmo sonho. Essa trama muito sensível e apaixonante foi premiada no festival de Berlim e concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro, merecidamente.