Projeto Flórida
Média
4,0
301 notas

33 Críticas do usuário

5
4 críticas
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Ravi Oliveira
Ravi Oliveira

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4,0
Enviada em 10 de setembro de 2025
Sinopse:
Moonee, uma agitada garotinha, faz novas amizades nas redondezas dos parques Disney. Ela vive com a mãe em uma hospedagem de beira de estrada e as duas contam com a proteção do gerente Bobby na batalha diária pela sobrevivência.



Crítica:
"Projeto Florida" é um retrato sensível e impactante da desigualdade social que muitas vezes fica oculta sob a fachada de felicidade que caracteriza destinos turísticos como Orlando. Dirigido por Sean Baker, o filme se destaca pela maneira autêntica com que aborda a vida de Moonee, uma garotinha de apenas 6 anos, e sua mãe, Halley, que enfrentam desafios cotidianos em um ambiente que deveria ser sinônimo de alegria e diversão.

A escolha de explorar a infância de Moonee em um cenário de pobreza oferece uma perspectiva única e necessária. Enquanto muitos visitantes da cidade buscam a magia dos parques temáticos, o filme revela uma realidade crua e comovente, onde as cores vibrantes podem esconder tristezas profundas. A atuação de Brooklynn Prince é surpreendente, trazendo vida à personagem de forma que o espectador não consegue deixar de se envolver em sua história.

A relação entre Moonee e sua mãe também é um dos pontos altos da narrativa. Halley, interpretada por Bria Vinaite, é uma mãe jovem e destemida que, apesar das dificuldades financeiras, tenta proporcionar momentos de felicidade para a filha. Essa dinâmica entre mãe e filha é complexa e traz à tona questões sobre a maternidade, a luta pela sobrevivência e as decisões difíceis que precisam ser tomadas.

O gerente Bobby, vivido por Willem Dafoe, também se destaca como uma figura de apoio em meio ao caos. Sua presença traz uma camada de empatia ao filme, mostrando que mesmo em ambientes desafiadores, há espaço para a bondade humana e a solidariedade. Assim, o filme não apenas critica as estruturas sociais que perpetuam a desigualdade, mas também celebra as pequenas interações que podem fazer a diferença na vida das pessoas.

Visualmente, "Projeto Florida" é uma obra de arte. Com uma paleta de cores vibrantes e uma direção que captura tanto a beleza quanto a dureza da vida em uma hospedagem de beira de estrada, o filme consegue transmitir uma sensação de realismo quase documental. A forma como Baker e Bergoch narram a história é envolvente, mantendo o espectador imerso na realidade da vida de Moonee.

No entanto, é importante notar que a narrativa, apesar de poderosa, pode ser desafiadora para alguns espectadores. O ritmo é contemplativo e, em certos momentos, pode parecer lento. Além disso, a falta de resolução e a continuidade da luta dos personagens pode deixar alguns espectadores se sentindo insatisfeitos.

Ainda assim, "Projeto Florida" é uma filmagem necessária em um mundo onde as disparidades sociais só têm crescido. A obra encoraja a reflexão sobre o que significa viver em um lugar onde a desigualdade é uma realidade cotidiana, mesmo diante de um dos destinos mais reconhecidos do mundo. A história de Moonee não é apenas uma experiência individual, mas um chamado à consciência coletiva, lembrando-nos de que a vida é complexa e multifacetada, sempre além da superfície.
Josimar M.
Josimar M.

13 seguidores 62 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 8 de abril de 2025
Com uma direção excelente. O filme nos proporciona muitas emoções e a realidade de uma família em específico, no meio de todo aquele turismo pela cidade da Florida.
Uma verdadeira e dura história de vida.
Adriano Côrtes Santos
Adriano Côrtes Santos

1.008 seguidores 1.229 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 20 de novembro de 2024
Dirigido por Sean Baker, é um retrato visceral e poético da vida nos limites do "sonho americano". A trama acompanha Moonee, uma garota de seis anos que vive com sua jovem mãe em um motel barato próximo à Disney. Apesar das dificuldades, Moonee e seus amigos encontram magia na rotina, enquanto Bobby, o gerente do motel interpretado magistralmente por Willem Dafoe (indicado ao Oscar), serve como uma figura paterna e compassiva. O filme se destaca por atuações naturais, especialmente da estreante Brooklynn Prince, e por sua estética vibrante, que contrasta com a dura realidade social abordada. Sem apelar ao didatismo, a obra critica a desigualdade, o abandono social e o impacto do capitalismo, mostrando a força da infância em meio ao caos. "Projeto Flórida" é uma obra emocionante, visualmente marcante e essencial para quem busca um cinema humano e reflexivo. É uma obra de rara sensibilidade que combina narrativa envolvente, atuações excepcionais e uma estética visual impactante, além de oferecer uma crítica social poderosa sem perder o tom humano. A única razão para não alcançar a nota máxima seria seu ritmo contemplativo, que pode não agradar a todos os públicos. Ainda assim, é um filme indispensável para os amantes de cinema.
Carlos P.
Carlos P.

266 seguidores 431 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 9 de novembro de 2024
Uma história sobre o lado da infância não mostrado muito nos filmes. Crianças de famílias mais carentes, cujo principal recurso para brincar é a imaginação. A proximidade da localização onde o filme ocorre com o Magic Kingdom da Disney gera um contraste brilhante pra história.
Ótimo filme, história linda, grandes atuações. Acho que eu esperava um pouco mais do final mas ainda assim foi ótimo.
Billy Joy
Billy Joy

4 seguidores 51 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 29 de setembro de 2021
Os cenários de Projeto Flórida se manifestam como aspecto mais evidente, por serem tomados de cores berrantes e outdoors chamativos. Ao invés da espetacularização desses ambientes, há um sentimento de grandiosidade decadente, numa espécie de adoração à materialidade daquilo que é aprazível ao turista, acompanhada de uma supressão de qualquer aspecto que remeta ao familiar.

Sean Baker ressalta tudo isso através de um ótimo uso das lentes grande angulares. São muitos planos com os personagens quase como sendo engolidos pelos cenários, chamativos e deformados dentro da janela de imagem. É notável como os planos de Baker parecem pinturas, enquadramentos que representam o aprisionamento dos personagens dentro daquele universo. O tempo parece andar mais lentamente nos arredores do Castelo Mágico.

A mise-en-scène se concretiza de modo eficiente quando Baker consegue unir essa construção visual a uma sensível direção de atuação. O comportamento das crianças é muito bem caracterizado como um espelho dos adultos ao seu redor, sem tornar isso totalmente artificial. O trabalho de direção aqui é magistral no transitar entre o aspecto inocente dos atores mirins e a verbalização de um comportamento que é alheio a isso.

A narrativa do filme progride através de uma estrutura que remete ao episódico, como muitas cenas funcionam bem de modo isolado. Além disso, algumas transições são feitas de ações que não possuem conexão causal com os acontecimentos anteriores e seguintes. Longe de prejudicar o seu ritmo, há através disso um reforço no sentimento de desamparo na situação das personagens. Nessa irregularidade das cenas a trama se revela de modo sutil: não podemos prever o que se seguirá no filme, assim como as vidas das personagens, marginalizadas e desprendidas de qualquer raiz, não evidenciam qualquer objetivo que não seja o de sobreviver ao momento.

Como contraponto a essa narrativa que pouco progride dentro de uma lógica tradicional, a cena final possui aspectos que a diferem do restante do filme. Baker sai de uma estética mais própria do indie cinematográfico americano e encena uma sequência que parece até uma peça publicitária da Disney pelo modo como é filmada. Tal escolha possui seus riscos evidentes, podendo soar como um recurso genérico para elaborar um final sensível, mas acaba funcionando muito bem em torno dos contrastes com o restante da obra.

Até ali, o filme transmitia uma atmosfera que parecia espremer os personagens dentro dos cenários de grandiosidade decadente, na onipresença de um tom de cafonice suburbana estadunidense que se revela como totalmente entregue ao entorpecimento das atrações turísticas e seus periféricos mercadológicos. Nesse sentido, a decupagem da sequência final representa uma libertação, ainda que abertamente fantasiosa, dessas crianças.

No fim das contas, o título do filme acaba, através de sua ambiguidade, ressaltando a ideia de materialidade inebriante dos arredores. Não há projeto para a Flórida destas personagens além daquele, de concreto e aço, que recebe tal alcunha. Não há sonhos, senão os imediatos: o sorvete do dia, a calda extra, o novo quarto de aluguel.
Kamila A.
Kamila A.

7.940 seguidores 816 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 22 de maio de 2021
Quando o cinema aborda histórias passadas na infância, normalmente ele nos relata contos sobre a perda da inocência nesta fase da vida. Este não é o caso de “Projeto Flórida“. O filme dirigido e co-escrito por Sean Baker nos coloca diante de crianças que são crianças, que brincam, que se divertem, que fazem estripulias e traquinagens, apesar das dificuldades das suas vidas.

Moonne (Brooklynn Prince) é uma dessas crianças. Mesmo tendo idade pra isso (ela tem 6 anos), Moonne não frequenta a escola e passa os seus dias com outros amiguinhos da mesma idade brincando entre os prédios, as paisagens e locais abandonados da cidade onde mora - que fica localizada nas proximidades dos parques da Disney.

Sua mãe, Halley (Bria Vinaite) tem histórico de prisão, está desempregada (em consequência da crise econômica que os EUA viveram em anos recentes) e vive de bicos e de pequenos golpes para poder manter as duas morando num quarto de hotel na beira da estrada e para poder dar o mínimo de sustento a elas.

Sean Baker opta por fazer de seu filme uma série de pequenas colagens, com uma abordagem um tanto realista, sobre a rotina de Moonne e sua mãe, focando na vivência da infância; nas dificuldades de quem está vivendo um dia de cada vez, tentando sobreviver; e na resiliência de quem tenta impor limites e regras que são necessários para a nossa vida em sociedade.

Talvez, por isso mesmo, o final de “Projeto Flórida” seja tão impactante. Uma criança como Moonne, independente de tudo que ela vive e passa, não merece perder a inocência. Pelo contrário: ela merece o que de melhor a vida pode oferecer a ela.
Gabriel dos Anjos
Gabriel dos Anjos

1 seguidor 8 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 9 de novembro de 2020
Filme conta e nos mostra com maestria a visão das crianças em um ambiente pobre em Orlando, Florida. Destaque para a atuação de Brooklyn Price como Moone (nossa protagonista). A fotografia do filme é linda, mostrando enquadramentos muito criativos. DIálogos muito bons, cenas emocionantes. Enfim, um prato cheio para quem quer um filme sensível e fantástico.
Luís Fernando Lima
Luís Fernando Lima

2 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 20 de setembro de 2020
Muito bom filme, apesar de triste. É possível extrair condutas do que não fazer rs. Eu só não digo que é excelente, porque o final é sem sentido. Realmente, é o ponto fraco do filme. Foi como se tudo tivesse dado certo e, no momento do grand finale, um fracasso. Mesmo assim, ainda vale à pena assistir.
Nelson Jr
Nelson Jr

24 seguidores 235 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 17 de julho de 2020
Um filme que nos transmite muita reflexão! um tanto amador , mas  com bons atores , destaque para a pequena  Brooklyn Prince ( Monne) , excelente atriz! ., nos mostra o contraste entre a riqueza da sociedade americana e a pobreza que mora ao lado, sobre a irresponsabilidade de uma mãe em relação a vida e a filha.., mostra a infância vivida de forma livre , plena! como antigamente.., que hj não existe mais.., e nos faz analizar a atitude de, retirar uma criança, que vive feliz ! alegre! bem tratada , do convívio da mãe , mesmo essa mãe não sendo responsável em suas atitudes, é a melhor solução? .., nos mostra as relações humanas da forma mais natural possível..., um filme simples , mas de grande humanidade! ., Realmente é um filme muito interessante, que abre um leque de discussões e debates.
Robert Barboza
Robert Barboza

8 seguidores 74 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 17 de junho de 2020
Mostrar a realidade de pessoas pobres em filmes é sempre cativante, mas essa produção traz a diferença social entre as crianças. Contar a história de uma criança pobre, com uma mãe com sérios problemas criminais e vizinha do mais famoso parque de diversões do mundo choca, pois mesmo morando tão perto da maior diversão de todas para uma criança, a chance dela curti-lo algum dia é bem pequena.
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