Achar uma sessão legendada foi uma missão rank S. Falhei. Mas não liguei, já que pretendia assistir também a versão dublada (para quem mora no Rio de Janeiro, uma amigo do facebook me informou que há uma sessão legendada no CineStar Special Laura Alvin, em Ipanema, às 19H45). E antes do mimimi “nhé, dublado?”, digo que foi feito um ótimo trabalho na dublagem. Mesmo a voz do Naruto, feita pela Úrsula Bezerra, que a mim (e a muitos) não agrada, se saiu bem em sua versão jovem adulta (apesar de ainda forçada) se levarmos em conta o tom que ela criou para o personagem ainda no Naruto Clássico; em poucos minutos do longa, qualquer incômodo gerado pela comparação com o áudio original é afastado.
Aqueles que irão ao cinema provavelmente já sabem que não irão assistir um filme de proporções épicas com um título como The Last deva sugerir. O plot desse longa é puramente “NaruHina”, a história foi elaborada para introduzir o começo do relacionamento entre Naruto e Hinata, nada mais. Ou seja, quem espera de The Last uma trama que possa explorar todas aquelas pontas soltas deixadas entre o penúltimo e último capítulo do mangá, sairá bastante decepcionado. Apesar disso, o filme é satisfatório dentro de sua proposta, tanto que as melhores cenas são aquelas envolvendo o casal. Não é um filme de ação com romance, é um filme de romance com ação.
Nem é preciso dizer que o roteiro dos filmes de Naruto são, em geral, razoáveis. Com bons roteiros, temos o primeiro filme da fase clássica, Crônicas Ninjas da Princesa da Neve!, e o penúltimo da fase shippuden, Road to Ninja. Infelizmente, a execução de The Last fica aquém desses dois filmes, apesar da trama englobar as cinco vilas ninjas com uma ameaça de dimensão trágica que é a queda da Lua. Aliás, sobre essa trama, uma vez que prevê a destruição da Terra e que os personagens devam se dirigir à Lua, soa um tanto distante do tipo de enredo visto na obra original. Nem mesmo o vilão da história, Toneri Otsutsuki, consegue angariar algum carisma e uma convincente relação antagônica com Naruto.
Porém, para compensar as falhas do roteiro, The Last tem a seu favor uma qualidade de animação de encher os olhos, principalmente nas cenas de batalha (que no anime deixam a desejar), e uma excelente trilha sonora que é nostálgica quando procura compilar algumas músicas presentes na série animada. Ainda sobre os momentos de luta, são os melhores já apresentados nos filmes de Naruto (talvez até um pouco exagerados).
Fazendo uma comparação (e isso é uma opinião pessoal), diria que The Last vale duas vezes mais que DBZ — A Batalha dos Deuses e cinco vezes mais que CDZ — A Lenda do Santuário. O diferencial deste filme de Naruto é não ser um mero filler que possa ser descartado. Não acrescenta muito ao universo de Naruto, é verdade, mas explora muito bem uma relação romântica que passou batida na série (afinal, deve ser mesmo comum uma garota dizer “eu te amo”, se sacrificar pelo amado, e, eventualmente, ele nem sequer conversar com ela sobre isso).
Se você é um fã da série, provavelmente sairá satisfeito do cinema, como eu saí. Basta criar a expectativa certa para o filme, não achar que verá lutas e mais lutas, nem fazer careta quando ouvir vozes em português. É um filme para rir, se empolgar, achar bonitinho, e se divertir. Aproveite! Já que esta pode ser nossa única chance de ver o ninja loiro nos cinemas. Ou não. Se a bilheteria for boa, teremos Boruto em breve.
p.s: Talvez eu faça uma segunda resenha neste fim de semana, mas com spoilers.
p.s2: O “Goku” aparece no filme.
p.s3: Quem sair antes da cena pós-crédito é poser.