Que Horas Ela Volta?
Média
4,5
1833 notas

346 Críticas do usuário

5
215 críticas
4
94 críticas
3
25 críticas
2
3 críticas
1
6 críticas
0
3 críticas
Organizar por
Críticas mais úteis Críticas mais recentes Por usuários que mais publicaram críticas Por usuários com mais seguidores
Sidnei C.
Sidnei C.

127 seguidores 101 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 21 de setembro de 2015
A primeira vez que ouvi falar no filme foi com a notícia que a dupla principal de atrizes, Regina Casé e Camila Márdila, haviam ganho o prêmio de interpretação feminina no Festival de Sundance, nos Estados Unidos. Ninguém duvida do talento de Regina Casé (embora mais conhecida pela veia cômica que dramática), que tem neste filme provavelmente o ponto alto de sua carreira como intérprete. Mas é também uma grata surpresa descobrir o talento da jovem Camila Márdila, que no filme interpreta sua filha, cuja chegada vai representar uma sacudida na vida da mãe.

Que Horas Ela Volta? é o terceiro filme da diretora Muylaert, que já havia demonstrado grande sensibilidade nos anteriores Durval Discos e É Proibido Fumar. Mas nada neles podia antever o nivel de qualidade de roteiro e direção que ela demonstra no filme. É a própria Muylaert que revela o segredo: o roteiro levou 4 anos para ser escrito, revisado várias vezes, e discutido com os atores envolvidos. Não há receita mágica para os bons filmes, e estudando a história por trás dos grandes clássicos do cinema, vamos encontrar métodos parecidos. Um bom roteiro, um excelente roteiro, é a base de qualquer bom filme. Que Horas Ela Volta? tem uma história aparentemente simples, mas é desenvolvido de forma que flui com perfeição, com ótimos diálogos e atenção aos detalhes: pequenas cenas e observações dentro da história que fazem toda a diferença.

Muylaert também é muito econômica e inteligente no uso das ferramentas do cinema. Não por acaso, o filme tem poucos movimentos de câmera, estruturado mais em cortes de planos/contra-planos, como se a diretora quisesse acentuar que a casa é como uma prisão para Val, impedindo sua mobilidade, que vai além da simplesmente física. A forma como a diretora constrói visualmente as cenas também é muito interessante, como na cena em que Val resolve usar o presente que deu à patroa para servir os convidados. Depois que ela fecha a porta, a câmera se mantém no mesmo enquadramento, fazendo a cena se construir apenas na nossa imaginação.

Com um excelente elenco de apoio, um roteiro enxuto e bem trabalhado, mesclando na dose certa o drama de observação social e a comédia, o filme aponta para uma nova possibilidade para o cinema brasileiro. Que horas Ela Volta? tem o grande mérito de dar voz aos seus personagens, não os transformando em clichês ou caricaturas. Na verdade, o filme vai além disso. Invertendo a lógica comum do cinema brasileiro, feito com o olhar do diretor classe média sobre a periferia da sociedade brasileira, no filme a empregada doméstica e sua filha ajudam a enxergarmos o ócio, a vida de aparências e falta de afeto entre seus patrões. Apesar de suas observações tão específicas sobre um Brasil que ainda não deixou totalmente pra trás os tempos de Casagrande & Senzala, sua história consegue ser simples, singela e tocante, o que justifica o enorme sucesso que vem tendo no exterior. Fale de sua aldeia, fale para o mundo.
Adriano Silva
Adriano Silva

1.614 seguidores 481 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 22 de abril de 2018
"Onde já se viu a filha da empregada sentar na mesa dos patrões? Você perdeu o juízo?"
QUE HORAS ELA VOLTA? (fora do país o filme ganhou o título de "The Second Mother"

O longa escrito e dirigido por Anna Muylaert (não conhecia seus trabalhos) coloca o dedo na ferida de vários problemas brasileiros. Anna Muylaert dá uma verdadeira aula com seu roteiro que expõe a dura realidade que muitos nordestinos enfrentam quando deixam a sua terra natal pra tentar a vida em São Paulo. Uma verdadeira crítica ácida, um verdadeiro soco no estômago, uma verdadeira escancarada nas grandes diferenças sociais que o Brasil sempre enfrentou, ainda enfrenta e continuará enfrentando por muitos anos.

Esta é a dura realidade de Val (Regina Casé). Uma pernambucana que se mudou para São Paulo há mais de 10 anos na tentativa de conseguir um emprego e uma vida melhor para ajudar na criação (mesmo de longe) de Jéssica (Camila Márdila). Uma filha que ela deixou no Pernambuco, e agora ela está vindo para São Paulo tentar o vestibular. O que de certa forma parecia como uma vida normal na realidade de Val, poderá estar mudando drasticamente.

O roteiro de "QUE HORAS ELA VOLTA?" é o verdadeiro ponto em questão, o que faz toda a diferença no longa. É muito inteligente e genial a forma como o roteiro nos leva até a vida de Val, nos apresentando uma empregada doméstica que trabalha para uma família de classe média alta no bairro do Morumbi. Todas as frases que as empregadas estão acostumadas a ouvirem de seus patrões como, "ela é praticamente da família", "essa casa também é dela", por ter se doado durante anos na criação dos filhos dos patrões. Tudo não passa de uma grande fachada, até porque a empregada tem que viver nos quartinhos dos fundos e fazer as suas refeições em locais separados e, jamais cogitar a possibilidade de utilizar os objetos e locais de seus patrões (como no caso da piscina que Val nunca tocou).

Essa é a realidade que se instalou na cabeça de Val, porém tudo começará a mudar com a chegada de Jéssica. A filha de Val é o oposto da mãe, uma garota que chega pra mudar a rotina da casa, pra expor os problemas que a própria Val acostumou a aceitar durante todos esses anos. É interessante notar como a chegada de Jéssica começa a incomodar a patroa de Val, que se dizia sua amiga e a considerava da família. A garota por outro lado é a grande causadora de toda turbulência, por não aceitar as condições imposta pela mãe e as condições que a mãe se acostumou a aceitar de seus patrões (exatamente a realidade das domésticas quando decidem trazerem os seus filhos pra passar um tempo no quartinho dos fundos da casa dos seus patrões).

É interessante notar o verdadeiro caráter de cada membro da família. Como no caso de Bárbara (Karine Teles), a patroa de Val, que se mostra de uma forma e exibe a sua máscara de ser humano bondoso, que aceita a pobre da empregada como alguém de sua família unicamente por ter passado anos de sua vida em sua presença. Mas essa máscara cai quando ela começa a ser confrontada pela filha da empregada, mostrando o seu verdadeiro lado prepotente e preconceituoso, que aceita (como uma obrigação de bom ser humano) um mero presente de aniversário da empregada, mas se recusa a utilizá-lo em uma ocasião especial, como ela mesmo disse (porque a ocasião requer objetos comprados na Suécia e não presentes da empregada).

José Carlos (Lourenço Mutarelli) é o chefe da família que também carrega os seus desejos e suas frustrações, a própria atitude dele com a Jéssica mostra isso. Em querer logo estabelecer uma boa relação com ela, em querer tratá-la igualmente como um membro de sua família, em querer conquistá-la com sua atenção de boa pessoa (a cena do abraço já define essa parte com bastante curiosidade, e até a cena engraçada do abrupto pedido de casamento). Por outro lado temos Fabinho (Michel Joelsas), que se mostra uma pessoa perdida tentando se descobrir em meio a sua difícil família. Ele tenta buscar uma namorada, ele tenta passar no vestibular, ou até mesmo perder a sua virgindade, mas no fundo ele se mostra uma pessoa bastante frustrada. Ele mostra um grande apego por Val, até por uma falta de carinho e atenção de mãe, o que se encaixa perfeitamente no título do filme fora do país "The Second Mother".

Regina Casé nos surpreende (positivamente) e nos mostra um trabalho completamente fantástico. Com uma atuação grandiosa, ela soube nos passar a sua realidade de vida e nos imergir em seu mundo - aplausos! Camila Márdila também entrega um trabalho muito bem apresentável e muito bem atuado, ela souber encaixar a sua personagem direitinho na trama. Ela é a grande responsável pelas grandes reviravoltas na família, conseguindo fazer a sua mãe enxergar o seu verdadeiro local na sociedade. Karine Teles e Lourenço Mutarelli completam muito bem com o casal de classe média alta.

O longa ainda possui uma bela direção, com um belo trabalho de câmeras, onde os focos mais fechados em ângulos menores me surpreendeu (como nas cenas que a câmera foca em um único local, muitas das vezes mostrando algo, ou alguma coisa que vai acontecer, ou somente as diversas reações de Val - fantástico). O trabalho de fotografia também é bem notável! Assim como "Bingo: O Rei das Manhãs" estava cotado pra receber uma indicação ao Oscar desse ano na categoria de Filme Estrangeiro, o trabalho de Anna Muylaert também esteve cotado pra receber uma indicação no Oscar de 2016, mas infelizmente nenhum dos dois conseguiu a indicação. Porém, o longa foi muito bem lembrado e aclamado em outras premiações.

QUE HORAS ELA VOLTA? nos entrega mais um belo trabalho do cinema nacional. Vale muito a pena conferir [22/04/2018]
Crismika
Crismika

1.192 seguidores 510 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 12 de janeiro de 2016
Um filme simples e comovente sobre o cotidiano de muitas patroas e empregadas em São Paulo, abordando de forma bem elegante a inversão de valores, os patrões não tem tempo para os filhos e os empregados tem morar no emprego para criar os filhos longe de si. Então os filhos dos patrões tornam-se filhos de criação dos empregados e os filhos dos empregados nem conhecem os pais que precisam trabalhar de forma quase escrava para criá-los. O filme trata do assunto de forma muito delicada com todo o talento, delicadeza e experiência da atriz Regina Casé. Para ver e pensar muito no assunto e rever os VALORES perdidos nos dias tão corridos de hoje. Vale a pena assistir e refletir sobre isso...
Daniel Novaes
Daniel Novaes

7.774 seguidores 873 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 19 de setembro de 2015
Filme cru. passa a realidade vivida por milhares de pessoas. forte... comodismo versus atitude... várias situações fortes analisadas e mostradas em universos micro. Grande atuação de Regina Case
Alan David
Alan David

17.183 seguidores 685 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 25 de outubro de 2015
Belíssima atuação de Regina Casé, lembra Montenegro em Central do Brasil, quanto ao filme toca em vários assuntos criticando a sociedade, pena que exageram na quantidade e acaba não explorando direito todos, mesmo assim é um grande filme.
Luiz L.
Luiz L.

25 seguidores 6 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 16 de setembro de 2015
Que filme maravilhoso... Faz rir...faz chorar....mas acima de tudo faz pensar em nossa realidade é preconceitos... Regina Case da um show
Ricardo Pitão
Ricardo Pitão

18 seguidores 102 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 9 de fevereiro de 2025
O filme conta a trajetória de Val (Regina Case) empregada doméstica que deu uma aula de interpretação diga-se de passagem.
Tudo muda com a chegada de sua filha Jéssica, (Camila Márdila) ela vem do nordeste pra São Paulo pra prestar vestibular para arquitetura e estuda muito e gabarita a prova ao contrário de Fabinho o filho da patroa que não passa no vestibular gerando uma imensa inveja por conta da patroa que é rica, paga o melhor colégio pro seu filho que lhe causa a maior frustração.
Taí um filme nacional limpo, sem putaria e sem excesso de palavrões.
Foi uma grata surpresa assistir este grande filme.
Bravíssimo!!!

Vitor Araujo
Vitor Araujo

3.873 seguidores 618 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 30 de março de 2016
Doméstica. Patrões. Filha. Classes sociais. Realidade. Envolvente. Engraçado. Vida. Atuação. Diferente.
Ana A
Ana A

20 seguidores 37 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 14 de novembro de 2015
A cena de abertura de Que Horas Ela Volta? revela como será o andamento da história durante boa parte da película, o carinho entre a serviçal e o pequeno Fabinho transcendente a barreira social e a rejeição e falta de compreensão de uma filha que se sente abandonada pela mãe no nordeste.

A intimidade entre o Fabinho e a empregada da família, Val, é sincera, ele não a ver como uma simples empregada em sua casa, ela é sua amiga e confidente, mas mesmo com esta intimidade, é notável que a empregada de longa data não é vista como membro da família pelos integrantes da casa.

A segregação de Val dentro da casa é bem clara, a divisória da cozinha para os outros ambientes da casa deixa explícito qual é o seu lugar, ela também não pode desfrutar dos prazeres oferecidos pelo local e tem o seu pequeno quarto, quente e abafado, como local de descanso. A atriz e apresentadora Regina Casé transmiti de uma forma bem suave a ingenuidade da Val, que nos faz simpatizar com a personagem e torcer para que ela perceba a situação na qual se encontra.

Um dos pontos chaves, que mostra o quão Val é ignorada, é na festa de aniversário de sua patroa, os convidados não tomam conhecimento de sua existência e a ignoram completamente, os únicos que sentem a sua presença são o Fabinho e seus amigos, revelando o quão presente ela é em sua vida.

A chegada de Jessica, sua filha, abala o cotidiano e o ambiente da famíliar. Inicialmente, há o velho preconceito disfarçado de piadinhas inocentes e a desconfiança, Val e a filha não têm um bom relacionamento e ao ver a forma como mãe é tratada na casa, aumenta ainda mais o atrito entre as duas, Jessica não compreende como ela pôde ser “trocada” por uma forma de subsistência em uma casa que não pertence a sua mãe.

E a indignação de Jessica é compreensível, ela enxerga o que nós enxergamos, a forma como a família trata a sua serviçal é ultrajante porque nós percebemos que ela nunca será parte daquele universo por mais que ame aquelas pessoais incapazes de se levarem para pegar um copo de água.

A forma como a diretora Anna Muylaert nos expõe a esta realidade é algo incrível, com uma forma seca e ao mesmo tempo sutil, nós conseguimos perceber que a realidade das empregadas domésticas é paralela a uma realidade de fantasias vividas por pessoas de classes mais privilegiadas e descobrir este universo e ver como ele é impactante na vida das pessoas envolvidas é desolador.

Que Horas Ela Volta? é nos apresentado no momento mais oportuno possível, nós presenciamos uma espécie de revolução nos direitos trabalhistas das empregadas domésticas e este filme nos faz perceber o motivo, abdicar de sua vida e bem mais precioso é sacrificante e nada mais justo do que reivindicar uma compensação por algo que, em muitos casos, é irrecuperável.
Diogo Codiceira
Diogo Codiceira

24 seguidores 883 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 12 de outubro de 2024
Apesar de ser bem acolhido, essa obra acabou ficando de fora da premiação do oscar de melhor filme estrangeiro. Uma pena, pois apesar da década de 2010, o tema do poder doméstico ser bastante debatido no cinema sul-americano, esse em especial merecia no mínimo uma indicação. O que faz desse filme de Anna Muylaert especial é ter pego a comédia característica brasileira e jogar bem com a crônica social. Devemos ainda destacar a excepcional atuação de Regina Casé como Val, que interpretou uma emprega que trabalhava há anos para uma mesma família da elite de São Paulo. Val por sua vez, não vê a sua filha, que mora em Recife. há 10 anos e a mesma acaba reencontrando a sua mãe em São Paulo pelo motivo de ir tentar prestar vestibular na mesma cidade Tal encontro transforma numa revolução entre classe dentro do casarão em que Val trabalha. A atuação de Regina foge do estereótipo nordestino e de Camila Márdila (Jéssica, a filha de Val) que foge de uma simples atuação de uma adolescente problemática, e sim para um interiorização da indignação e não aceitação da sua realidade e da a da sua mãe. A direção do filme soube explorar bem os cômodos da casa (quarto, cozinha, piscina etc), além dos diálogos que permite observar com clareza a distinção entre as classe inseridas no filme.
Quer ver mais críticas?
  • As últimas críticas do AdoroCinema
  • Melhores filmes
  • Melhores filmes de acordo a imprensa