Homem Irracional
Média
3,8
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Diogo R.
Diogo R.

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4,0
Enviada em 3 de setembro de 2015
"Homem irracional" é um filme muito bom, não se pode negar. Mas não é excelente porque padece de um mal comum: falta de originalidade.
Só por ser um filme de Woody Allen, já se presume alta qualidade. O problema reside na tautologia (ou nostalgia?), pois não existe nenhum elemento 100% novo. Tudo que lá está já representa uma referência a uma obra anterior de Allen. Isso não é totalmente ruim, afinal, Allen é qualidade. Mas também não permite alcançar um patamar maior. O elenco é afinado, a história é bem interessante e o pano de fundo filosófico - com ênfase no existencialismo, certamente o maior charme de "Homem irracional", com belíssimos debates que foram de Kierkgaard a Simone de Beauvoir e Sartre - concede uma profundidade ímpar, se comparado ao resto do cinema a que costumamos assistir. Tudo isso sem ser chato ou exageradamente cult. Muito bom, mister reiterar. Um filme diferenciado dos demais, mas não diferenciado da filmografia de Woody Allen. E é por isso que é muito bom, mas não excelente.
João Carlos Correia
João Carlos Correia

19 seguidores 60 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 4 de janeiro de 2018
Todos conhecem Woody Allen como o grande cineasta vencedor de quatro Oscars (um de direção e três de roteiro) cujos filmes tais como Manhattan (1979); Broadway Danny Rose (1984); e Poderosa Afrodite (1995); apenas para citar alguns, caíram no gosto e imaginário públicos. Acima de tudo, ele é conhecido como comediante, com piadas ao mesmo tempo mordazes, sutis e inteligentes com temas que vão do sexo até a filosofia, passando pela política, metafísica, religião, esportes e literatura.
Entretanto, há muitas pessoas que se surpreendem com o que ficou conhecido como o “lado sério” de Allen com pouco – e, ás vezes, nenhum – senso de humor. Neste lado pode-se perceber a influência de cineastas que o estadunidense idolatra como o italiano Federico Felini (Ginger e Fred) e, principalmente, o sueco Ingmar Bergman (O Sétimo Selo). Dos mais de 50 filmes que Woody dirigiu, dá para contar nos dedos os seus chamados filmes sérios: Interiores (1978, que é puro Bergman), Setembro (1987), A Outra (1988). A essa escassa lista vem juntar-se o seu mais recente filme, Homem Irracional (2015).
Homem Irracional conta a história de Abe Lucas (o porto-riquenho Joaquin Phoenix, de Gladiador), um professor de filosofia depressivo e alcoólatra e que acaba de chegar a uma faculdade no interior dos EUA para lecionar. Devido a seu prestígio acadêmico, sua chegada é muito comentada e badalada tanto pelos professores como pelos estudantes. Abe desperta a atenção da professora Rita Richards (a estadunidense Parker Posey, de Superman – O Retorno) e da brilhante e bonita estudante Jill Pollard (a também estadunidense Emma Stone, de Birdman).
Apesar de todas as atenções, Abe está tão desiludido com a vida que não se interessa por mais nada, nem mesmo em ter um caso com Rita, que se entrega a ele inteiramente. Porém, começa a se relacionar cada vez mais com Jill – que se apaixona por ele - e, um dia no qual vão a um restaurante, ambos escutam a conversa entre uma mulher e seus amigos com os quais comenta que, no processo de seu divórcio, pode perder a guarda de seu filho devido ao juiz ser amigo de seu ex-marido. Essa conversa causa uma reviravolta interior em Abe, que decide matar o juiz por achar que, com isso, fará um favor ao mundo.
Literatura e filosofia são duas paixões de Allen, que sempre as utilizou tanto em seus filmes como nos livros e peças teatrais que escreveu. As referências à filosofia podem ser vistas ao longo do filme com citações de e sobre filósofos como, por exemplo, Martin Heidegger (1889-1976). O roteiro de O Homem Irracional, do próprio Allen, foi inspirado no romance Crime e Castigo, do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881), que é citado no filme. Não é a primeira vez que Woody inspira-se em um clássico da literatura. Em A Última Noite de Bóris Grushenko (1975) a inspiração veio de Guerra e Paz, do também escritor russo Leon Tolstói (1828-1910).
No romance de Dostoiévski, o ex-estudante de Direito Raskólnikov vive em extrema miséria, divide a humanidade em ordinários e extraordinários e vive sob a sombra de fazer algo importante. Um dia, Raskólnikov decide matar uma velha agiota para roubar seus pertences e aliviar seus problemas financeiros. Para ele, o crime é justificado porque, ao matar a agiota, estaria livrando o mundo de uma pessoa ordinária que causa mal às outras. Entretanto, após o assassinato, é atacado pelo remorso, mas é consolado por Sônia, uma prostituta, filha do bêbado e funcionário público Marmeládov, que lhe mostra o caminho do Evangelho e pede a ele que se entregue à polícia.
No filme de Allen, Abe tem a ambição de escrever um livro sobre Heidegger, que sempre acaba por adiar. Porém, após o assassinato do juiz, retoma com entusiasmo o projeto, a vida e também o caso com Rita. Diferente de Raskólnikov, Abe não tem nenhum remorso de seu crime, ao contrário, sente-se orgulhoso. Quem acaba por sentir remorso é Jill, pois foi ela quem chamou a atenção de Abe para a conversa sobre o juiz e, por sentir-se responsável pela atitude de Abe, que gerou seu remorso, pede a ele que se entregue à polícia. Abe é o Raskólnikov assassino, e Jill é, simultaneamente, o Raskólnikov torturado pelo arrependimento e Sonia, que tenta abrir os olhos dele quanto à imoralidade de seu ato e convencê-lo a fazer a coisa certa, isto é, render-se à lei.
Homem Irracional tem a narração de Abe e Jill e, assim como Dostoiévski em seu romance, Allen, por meio dessa narração, esmiúça as dúvidas e angústias e reproduz os pensamentos do casal central, em particular o lado psicológico de Abe em cometer o crime perfeito. Por ser um dos filmes sérios - e atípicos - do diretor, não há risadas ou gargalhadas, no máximo um risinho de canto de boca.
Para se ter uma ideia de como Homem Irracional é diferente dos outros que Woody realizou, a trilha sonora não é aquela que o diretor costuma usar normalmente. Continua sendo jazz, sim, mas não é o jazz antigo e tradicional de sempre, é um jazz moderno, que acaba por combinar bem com os personagens, especialmente Abe.
A fotografia do iraniano naturalizado francês Darius Khondji (que trabalhou com Allen em Igual a Tudo Na Vida, Meia-Noite em Paris, Para Roma Com Amor e Magia ao Luar) é muito bonita, mostrando as belas paisagens da cidade estadunidense de Newport e seus arredores, no estado de Rhode Island, onde o filme foi inteiramente feito.
Algumas pessoas podem estranhar em ver Joaquin Phoenix em um dos papéis principais, pois esse ator não aparenta ter o perfil “Alleniano”. Entretanto, ele surpreende com uma atuação bastante convincente, somados a uma aparência desleixada e uma barriga saliente (será que é dele mesmo ou algum efeito digital?) que lhe dá um ar de decadência tanto física como emocional e moral.
Emma Stone, que trabalhou no filme anterior de Allen, Magia ao Luar (2014), brilha intensamente. Tida como a nova musa do diretor, ela mostra que não é à toa que é uma estrela que sobe rapidamente. Sua atuação é esplêndida, digna de um Oscar – aliás, eu não vou achar nem um pouco estranho se ela for indicada ao prêmio por este filme – e sua beleza delicada juntamente com seu grande talento ainda podem torná-la uma atriz do primeiríssimo time de Hollywood.
Quem também surpreende no filme é Parker Posey. Se Abe e Jill são Raskólnikov e Sonia, Rita é Marmeládov. Como o leitor já deve ter percebido, o nome do pai da prostituta de bom coração deriva da palavra “marmelada”. Não porque ele seja um doce de pessoa, mas porque não possui um caráter firme. Assim também é Rita, tida como “fácil” na universidade, que não hesita em terminar seu casamento para ficar com Abe, apesar de desconfiar que ele seja um assassino. A atuação de Posey – conhecida nos EUA como a rainha dos filmes independentes - agradou tanto a Allen, que ele já a escalou para trabalhar em seu próximo filme, ainda sem título definido.
O ritmo do filme é um pouco lento e há alguns personagens, como o namorado de Jill (vivido pelo britânico Jamie Blackley, de Se Eu Ficar), cuja presença não interfere muito na trama, mas tem a habitual direção segura de Allen e toca em dilemas morais de nossa sociedade nos dias de hoje: neste mundo por muitas vezes insano, violento, ganancioso e mesquinho – principalmente levando-se em conta o atual cenário dominado por uma crise política e econômica e regida por uma doutrina neoliberal - estamos destinados à pequenez ou à grandeza? As ideias movem o homem ou o homem realiza as ideias? Temos o direito de decidir quem vive ou quem morre?
Desde o seu lançamento no último Festival de Cannes, a crítica estadunidense e europeia definiram Homem Irracional como “mediano” ou “um Woody Allen menor”. Mesmo que seja um trabalho médio ou menor em relação aos seus filmes anteriores, ainda assim é uma produção acima da média e, por ser justamente um filme atípico de Woody Allen, que ainda vai dar muito o que falar, é que vale a pena assisti-lo.
Não vou revelar o final para não estragar a surpresa, mas, quando o filme termina, vem a pergunta que não quer calar – principalmente para aqueles que assistiram com atenção: será que além de Dostoiévski, Woody Allen também leu Machado de Assis? Pois há algo de Brás Cubas nesse filme...

P.S. – Para aqueles que se interessaram, mas, por algum motivo, não podem ler Crime e Castigo (um calhamaço de cerca de 600 páginas), há várias adaptações do livro feitas para o cinema e a TV. A minha sugestão vai para a versão feita na antiga União Soviética, em 1970. Dirigida por Lev Kulidzhanov e estrelada por Georgi Taratorkin (como Raskólnikov) e Tatyana Bedova (Sonia), é considerada a melhor adaptação dessa obra de Dostoiévski. No Brasil, o filme foi lançado em DVD na coleção “Grandes Livros no Cinema”, do jornal Folha de São Paulo, e, atualmente, pode ser encontrado em sebos.
Nelson J
Nelson J

51.030 seguidores 1.977 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 15 de janeiro de 2025
Tipico Allen. Conflituoso sobre a ética e a moral, o sentido da vida e da filosofia teórica. Stone e phoenix em grande estilo.
Guilherme M.
Guilherme M.

104 seguidores 154 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 31 de janeiro de 2020
Bom filme, nada de espetacular mas cumpre bem seu papel, bons diálogos, e toca na questão existencial. Nota: 7/10
Paula S.
Paula S.

13 seguidores 40 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 4 de maio de 2016
Um suspense bem descontraído, para mim se torna favorável por não ser tão chavão, apesar de não ter assistido à outros trabalhos de Wood Allen, tais como são citados na crítica de Francisco Russo. Trilha sonora bem leve e solta, as cenas de gravações bem coloridas e vivas. Simplesmente incrível e bem contemporâneo, ao terminar de assistir dei risadas de contentamento e sarcasmo, uma comédia sensacional. Phoenix sempre soando em seus personagens toda a sensualidade, que o torna um ator admirável. Assisti ao filme sem saber que era suspense, e nem concordo muito, apenas com algumas evidências.
Isaías S.
Isaías S.

11 seguidores 6 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 31 de julho de 2016
Woody Allen é conhecido por gostar de misturar no roteiro dos seus filmes absurdo e ordem natural das circunstancias uma vez tomadas. Não é diferente desse filme, eu não o indicaria a qualquer pessoa, pois não é um filme comercial. Mas se você tiver um pouco de sensibilidade e dá uma vez outra de antropólogo sem teorias, de alguma maneira irá gostar desse filme.
Marco G.
Marco G.

540 seguidores 244 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 1 de setembro de 2015
O filme parece ter sido feito para o instável do ator Joaquim Phoenix. O diretor explora com categoria o drama filosófico existencial de um ser humano que sofre com a banalidade da sociedade comum. Muito bom, assistam..
Julio L.
Julio L.

10 seguidores 9 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 5 de janeiro de 2016
Recomendo este filme fantástico.

Woddy Allen que para mim é um raros gênios ainda vivos, coloca mais uma vez em questão a moralidade da nossa civilização. Até que ponto as reflexões filosóficas e existênciais são saudáveis ou produtivas? Vale a pena?

O filme pode parecer algum outro que já tenha assistido do próprio Woddy Allen, mas não importa, ele é foda.
Ana Paula F.
Ana Paula F.

1 seguidor 12 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 29 de julho de 2017
Adorei!! O filme é rápido, ficamos tão curiosos que passa voando!
spoiler: Achei fraco a polícia não ter achado o copo de suco com resquícios de veneno, verificado as digitais (ele não estava de luvas), teria eliminado o suspeito inocente, mas talvez seja mto "C.S.I" na mente!
Elvira S.
Elvira S.

9 seguidores 1 crítica Seguir usuário

4,0
Enviada em 25 de setembro de 2015
O filme é trata de uma questão muito pertinente, a relação entre a reflexão, a filosofia e a prática. É sensível quanto ao mau uso das ideias filosóficas, basicamente da ética do ponto de vista de diferentes filósofos. A questão proposta aos alunos, logo no início, tem uma natureza inteiramente distinta da decisão de eliminar o juiz que supostamente prejudicava a mãe com relação à guarda dos filhos. E o professor, em sua ânsia por encontrar um sentido para a própria vida desconsidera esta diferença. Canguilhem afirma "Ação é irmã do sonho e filha do rigor". Acho que essa é a moral do filme, se é que há alguma moral. Gostei muito.
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