Três nomes enormes se juntam em um dos filmes mais simples que já vi. O primeiro deles é Woody Allen, que sempre trabalhou com filmes subjetivos. Ainda temos Emma Stone e Joaquin Phoenix. Com tamanha grandeza, Homem Irracional se mostra um filme bastante simples em todos os quesitos. O enredo, por exemplo, tem como parte mais complexa alguns pensamentos de Kant e outros filósofos. A fotografia não cria novos estilos e nem usa CGI, usando apenas algumas praias como as melhores cenas. Em resumo, todos os quesitos são os mais simples e baratos possíveis.
O filme apresenta Abe Lucas, um professor de filosofia em meia idade que se muda para uma cidade do interior. Uma de suas alunas acaba “se encantando” por ele, e cria o ponto mais fraco do filme: um romance forçado que se mantém até o final. Uma da professoras também passa a ter o mesmo sentimento, e acaba tentando o mesmo que a aluna. Ambos interesses não abalam Abe no primeiro momento, que mantém sua postura de alcoólatra desiludido, muito bem retratado por Joaquin (assim como em Vício Inerente). Jill, a aluna, parece ter perdido para a professora, e mesmo estando em um relacionamento não considerado sério por ela mesma, continua tentando conquistar o professor.
A partir de alguns encontros, Lucas passa a admirá-la até que em uma cafeteria escuta uma mulher reclamar de seu ex-marido, o juiz da cidade, que iria arruinar a vida dela e ainda levaria a guarda das crianças. Desde então, o professor desperta de seu estado de infelicidade e passa a planejar a morte do desconhecido. Ele começa a se sentir mais disposto e chega a passar uma noite com Rita, a professora. Posteriormente, ele começa a se interessar por Jill, até o primeiro beijo roubado por ela. O romance, já previsto, acaba acontecendo e Jill é obrigada a se separar do namorado.
Abe Lucas decide dar continuidade ao assassinato e envenena Spangler. Sendo um total desconhecido do juiz, ele a nenhum momento foi considerado suspeito. O problema é que sua nova namorada e ele comentaram “querer matar” o desconhecido durante a conversa da viúva, e, isso sem motivo aparente, deixa a aluna desconfiada.
O momento mais alto do filme ocorre num jantar na casa de Emma Stone, quando o sogro do professor decide conversar sobre o assassinato e ele se depara com a necessidade de falar sobre seu feito. O ator age de uma forma extremamente natural e ainda leva a todos a criar sua própria linha de raciocínio. Phoenix parece ser qualquer um no caso em uma conversa tranquila com a família da namorada e passa despercebido até por ele mesmo.
Surgindo uma louca teoria da professora abandonada, Jill, por um motivo não muito aparente (outro ponto fraco do enredo), decide ir atrás do caso e acaba constatando que foi ele mesmo o assassino tendo como justificativa apenas a tentativa de fazer o mundo melhor sem o juiz Spangler . Depois de descoberto, o professor decide ir para a Europa e opta por matar a namorada-aluna. O problema que numa falsa conversa, ele arma um esquema que falhou e a briga se encerra quando ele escorrega em uma lanterna que ele mesmo deu a amada e cai no foço do elevador. O filme se encerra com Jill na mesma posição de Abe, refletindo sobre a posição que se encontra, mais uma vez tendo Kant como base do pensamento.
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