Achei o filme muito bom, sensível, bem fotografado, interpretação maravilhosa da Juliette Binoche. As duas meninas também estão muito bem. Uma correção a uma das críticas, o filme não começa em um país da África, mas sim no Afeganistão, lugar para onde a fotógrafa, personagem de Binoche retorna no final do filme. Um ótimo programa. Bem feito, fotografia excelente e com mensagem: Lá pelas tantas a fotografa fala para a sua filha que faz as fotos, persegue as histórias em frentes de guerra, em lugares onde a injustiça, violência e carências são flagrantes, enfim, persegue e conta fotograficamente as histórias porque é preciso que alguém faça isso, mesmo colocando em risco suas próprias vidas. E, isso deve ser feito com raiva, porque só assim é possível que alguém ouça o grito dos injustiçados. Há uma cena em que um agente de um programa de assistência a refugiados de um país da África (agora, não lembro) diz, "suas fotos são poderosas", já começam a chegar reforços para proteger as pessoas dos acampamentos de refugiados, coisa que eles não tinham conseguido junto a ONU, por mais de um ano. A filha, carente da presença da mãe, amedrontada com a possibilidade de a qualquer momento receber a notícia da morte da mãe, inconformada com essa ausência, ao cabo de uma visita in loco neste país da África, onde foi buscar material para o seu trabalho na escola, diz aos colegas e professores que a sua mãe era a pessoa que fazia essas fotos, que era preciso fazer e, agora, entendia que aquelas pessoas, aquelas crianças abandonadas à própria sorte precisavam mais da mãe dela do que ela própria. O egoismo, a solução individualista dando lugar a uma visão humanista, plural, necessária! Lindo!
Uma outra correção, acho que na crítica do Rubens Ewald Filho, que diz que o filme se passa na Noruega. Não, a família da fotógrafa mora na Irlanda, isso fica patente não apenas pelas paisagens que também servem para a Noruega, mas por um jornal Irish que chega com críticas favoráveis à personagem interpretada por Binoche.