Filme com todos os elementos para ser um Cult. História, fotografia, trilha sonora e ritmo muito interessantes. Com o mote da violência, o filme possibilita uma discussão sobre normalidade e patologia, sem dicotomias.
Aborda a banalidade do mal, especialmente representado pela figura medíocre do jornalista "chorão", um sujeito aparentemente comum, que é capaz de sentir prazer ao matar. Apresenta claramente um mix de referências cinematograficas clássicas, como Psicose, de Alfred Hitchcock, assim como traços da obra de Tarantino. Começa com uma narrativa intrigante, contemporânea (temática da violência e das tecnologias), mas de repente, torna-se esdrúxulo, com cenas cômicas que ambicionavam ser de suspense. Isso é visível na cena de perseguição no hotel, que é no minimo ridícula e improvável. Diálogos desnecessários tb surgem na trama e estes mereceriam ser deletados, assim como certos atos de violência (facada no taxista que lia jornall) que incitam o riso e suspendem ou cortam a tensão psicológica que os diretores almejavam criar. Uma cena emblemática é a do assassino japonês, cuja atuação é ótima e lembra Hannibal, interpretado por Anthony Hopkins, com rosto vermelho, banhado de sangue, encarnando o próprio diabo. Porém, a sequência apresenta uma polícia infantilizada e desatenta, em uma abordagem absolutamente inverossímel. Talvez porque a lei (simbólica ) seja algo complemente inexistente nesta ficção, o que está de acordo com a insanidade dos dois personagens centrais.
Mesmo com tantos descompassos, há momentos que a narrativa volta a ser Cult, com sofisticação. Embora a longa sequência final traga novamente à tona uma violência esdrúxula e repetitiva, que nem mais causa efeitos de choque no expectador, o desfecho é inusitado e inteligente. O que causa estranhamento é a decepção de um dos dois assassinos pela falta de complementaridade do outro, mais ou menos como um romance que não acaba bem. Um outro aspecto muitíssimo interessante é a questão da repetição, insinuada pelo pequeno menino, que assiste e se regojiza com a morte. Paira, então, uma interrogação: Será ele um novo voyeur exibicionista assassino?