Cores Mutantes.
Já consolidada no cinema, a franquia dos X-Men tem rendido filmes interessantes pela discussão voltada ao preconceito, principalmente no que tange a participação dos mutantes como heróis e civis. Neste último exemplar, o conceito se mantém, se expandindo para um razoável tom dramático como abordado no filme anterior.
O primeiro mutante que se tem notícia é En Sabah Nur, também conhecido como Apocalipse (Oscar Isaac), ser este que ficou adormecido por séculos devido a ações humanas que questionavam sua existência. Ao ser acordado muito tempo depois, o mutante que se considera o deus de todos, busca pupilos para tomar conta do planeta e provar sua plena superioridade. Seus aliados diretos são Erik Lehnsherr / Magneto (Michael Fassbender), Betsy Braddock / Psylocke (Olivia Munn), Ororo Munroe / Tempestade (Alexandra Shipp) e Warren Worthington III / Anjo (Ben Hardy), mutantes estes que se sentem exclusos socialmente mas que encontram no vilão um alternativa para se mostrarem importantes a sua maneira.
Evidentemente que também temos um grande grupo de mutantes do lado bom para frear as articulações do azulado Apocalipse. Sendo mais uma vez liderados por Charles Xavier (James McAvoy), os mutantes a nos divertir são Mística (Jennifer Lawrence), Jean Grey (Sophie Turner), Hank McCoy (Nicholas Hoult), Mercúrio (Evan Peters), Scott Summers (Tye Sheridan) e Kurt Wagner (Kodi Smit-McPhee), grupo este que fará jus as suas habilidades para se antepor às maquinações do recém chegado vilão.
Apesar da variedade interessante de personagens e de um vilão cujas características soam presunçosamente implacáveis, temos um filme que deixa de lado aquilo que melhor sustentou a franquia em seu auge: os personagens. Apocalipse se foca por demais nas alegorias visuais, buscando criar situações gráficas através do CG em escala absurda, deixando a impressão que o filme foi feito quase em sua totalidade dentro de uma sala com fundo verde. Poderia até não ser problema se fosse bem funcional, como é o caso de 300, mas aqui quem tem momentos interessantes são apenas Xavier e Magneto, pois a vida de ambos mostra-se delicada por conta de suas aspirações e desejos pessoais bem distintos.
Decerto que temos bons momentos na produção, como o caso da presença de Mercúrio em uma das cenas mais divertidas do longa; ou mesmo a forma como Xavier busca a evolução física e mental de seus pupilos como uma consequência natural; e até a rápida aparição de Wolverine como a famigerada Arma X; todos eles são elementos que ajudam a manter a atenção voltada para a telinha, assim como o figurino que, apesar de bem colorido, deixa os personagens um pouco mais próximos de suas origens em HQ's.
Não que X-MEN - APOCALIPSE seja um filme ruim e descartável, longe disso, mas pensando em como Dias de Um Futuro Esquecido recomeçou a série de forma tão majestosa, acreditava-se que teríamos uma continuação a contento. Um vilão que mostra-se potencialmente indestrutível, mas que pouco apresenta em termos de desenvolvimento, acaba resultando no maior problema do filme. Espero tenha uma continuação melhor explorada, principalmente por algumas idéias que surgiram ao evoluir certos mutantes.