O Lagosta
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3,4
414 notas

61 Críticas do usuário

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Alvaro Triano
Alvaro Triano

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5,0
Enviada em 12 de abril de 2016
Filmes que fogem do senso comum devido sua visão de estranheza são vistos por muitos como pseudointelectuais. Por tentar perpassar uma realidade verossímil em um futuro distópico, o filme do grego Yorgos Lanthimos (Dente Canino) consegue ao mesmo tempo criticar a superficialidade das relações no século XXI e ser diferente ao ponto de transmitir o quanto somos vazios em nossos sentimentos mais afetivos. O filme "The Lobster" é uma produção melancólica que se agarra em suas metáforas para refletir a solidão de quem necessita de um par ou par ideal para que sua vida seja "Mais Feliz", vai falar justamente da corrida desenfreada e da imposição social pelo casamento como a resolução de todos os problemas. No futuro de The Lobster é proibido ficar solteiro, em todas as partes do mundo é exigido pelas autoridades um certificado de casamento para que você possa transitar livremente, caso esteja sem o seu ou a sua acompanhante. No longa conhecemos o calmo David (Colin Farrell ) recém-divorciado e conduzido para um hotel onde passará 45 dias em busca de sua alma gêmea (e bote alma gêmea nisso), caso não consiga dentro desse tempo será transformado em um animal de sua preferência, daí o título The Lobster ou A lagosta que é o animal escolhido pelo protagonista devido viver 100 anos. Para garantir mais dias no hotel, os inquilinos são obrigados a "Caçar" as pessoas na mata, os fora do sistema, para cada pessoa abatida mais 1 dia de hospedagem. No Hotel existem regras especificas que direcionam ao encontro do pretendente, desde o momento da dança (Valsa), dos exemplos de vida a dois e do apoio da gerente. Cada hospede é pressionado pelo sistema a encontrar o seu par de forma semelhante, isto é, aqueles que possuem alguma deficiência precisam encontrar alguém por igual, esse é o caso da garota hemorrágica, a mulher sem sentimentos ou o coxo. Aqueles que não se adequam ao sistema de casamento são compelidos a viverem isolados na mata, conhecidos como "Os solitários", um sistema totalmente oposto, pois aqui não é tolerado os flertes, namoros ou relacionamentos. Por não conseguir achar seu semelhante no Hotel, David é obrigado a fugir para a mata e viver como um Solitário, no entanto, nesse ambiente improvável ele encontra seu par, fugindo totalmente da regra dos dois sistemas vigentes. Em seu longa, Lanthimos consegue aproximar as diferenças, as subjetividades de forma metafórica e surreal, externando o real sentido do "Vazio Existencial" da sociedade, o design de produção aliado com a paleta de cores em tons pasteis conseguem transmitir toda a carga dramática da narrativa, em foco com uma trilha de suspense que revela a urgência de ser achado em meio a multidão. É interessante toda construção em volta de momentos chaves do filme, temos uma ópera rolando na primeira caçada na mata, uma metáfora bem interessante para as festas da atualidade e suas necessidades sexuais. Um filme de amor dos iguais que são diferentes, que no final de tudo ficam iguais de novo. Um espelho da superficialidade descrita pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seu livro " Amor Líquido". Um filme pseudointelectual para alguns, porém uma construção audiovisual reflexiva e impactante.
Rodrigo S.
Rodrigo S.

3 seguidores 15 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 17 de abril de 2019
Filme que intriga, confunde, embaraça e, no final, deixa sua mensagem de forma mais clara impossível. Indico demais para quem gosta de exercitar sua capacidade de interpretação e de traçar um paralelo entre a arte e a vida real.
OBS.: Se você somente gosta de filmes de super-herói ou de "Carga Explosiva" style (não te julgo), sai fora porque vai perder seu tempo.
Diogenes A.
Diogenes A.

9 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 5 de dezembro de 2020
INTOLERÂNCIA. Essa palavra é palavra chave do filme.
Embora o filme não aborde a política, vivemos um mundo muito parecido ao filme, quando o assunto são os expectros políticos (direita e esquerda), um lado não tolera nem aceita o outro, assim como no filme, onde se vive num mundo onde não é possível viver sozinho e, quem não arruma um par é punido de forma bizarra e do outro lado, uma sociedade que não aceita casais, e quem se relaciona amorosamente é punido de forma cruel.
O filme também navega por muitos temas paralelos, amor, mentira, imposisão social, compatibilidade de gênero, etc.
O ritmo do filme não é empolgante, mas os temas abordados são muito ricos e vale muito a reflexão ao terminar.
JOÃO S.
JOÃO S.

1 seguidor 16 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 19 de janeiro de 2019
Filmaço! Excelente roteiro, bizarro, com críticas sociais e políticas. Atuações sem sentimentos que se relacionam diretamente com o tema e clima do filme.
Murilo A
Murilo A

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 18 de janeiro de 2019
Esse filme merece as cinco estrelas, a despeito de qualquer crítica do tipo "Não faz sentido" ou "Não tem roteiro".

Categorizado na Netflix como Humor Negro, imagino que o correto seria colocá-lo na categoria do Nonsense, o que não quer dizer que a história do filme é caótica ou desorganizada, mas que não encontra paralelos nas possibilidades atuais da vida real. É uma espécie de realismo fantástico, na sua mais bela acepção.

Durando quase duas horas, O Lagosta prende o espectador do início ao fim através de um mecanismo muito simples, que é a necessidade de explicações para cenas altamente impactantes.

spoiler: A primeira, por exemplo, com a mulher que sai do carro e mata o burro (e que vai permanecer sem explicação até o fim do filme), nada mais é do que um anzol que nos fisga e nos faz ficar debatendo até o fim da história para enteder o que está acontecendo. Quer um exemplo de como isso funciona? Eu comecei a assistir ao filme com o Whatsapp aberto, e quando vi aquela cena pensei: "Peraí, eu preciso ver isso de novo. Onde está o sentido disso aqui? O que foi que perdi?" e essa sensação durou duas horas. Quando o filme acabou, tive necessidade de voltar e ver a cena outra vez, procurando algo que me explicasse o porquê daquilo. Mas não tem nada explícito. Só aí lembrei que estava conversando no Whatsapp.


Acho que a grande característica desta obra é trabalhar com a inteligência de quem assiste. Muita coisa, o espectador é obrigado a depreender, deduzir, concluir por si só. As pontas soltas são só detalhes que não tiram o sentido da narrativa principal, mas a enriquecem. Eu gosto disso. Me irritaria se o filme tivesse necessidade de explicar pormenorizadamente, através de uma cena muito explícita, ou (no pior dos casos) através de uma fala de personagem, o sentido por trás do seu roteiro.

Mas, afinal, por que The Lobster é um filme magistral na sua proposta? Porque ele argumenta sobre seu tema. E qual é o tema? Nossa necessidade de se adaptar às outras pessoas para se incluir na sociedade, principalmente dentro de relacionamentos afetivos.

Nesta narrativa, as pessoas são obrigadas a se encaixar em uma de duas categorias estanques: casais ou isolados. Escolher um desses grupos tem consequências, que é viver fingindo que combina com o parceiro ou parceira ou passar o resto dos dias sem poder se envolver afetivamente com qualquer outra pessoa (e sendo caçado pelos que pretendem não ser solitários).

Um filme que usa metáforas com tanta destreza nunca poderá ser classificado como ruim.
Ana P
Ana P

1 crítica Seguir usuário

5,0
Enviada em 7 de fevereiro de 2019
O filme não é como a maioria: simplista! As metáforas são pertinentes e deixa aquelas interrogações sobre o comportamento social e suas implicações. Não é filme para quem gosta de roteiro mastigado.
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