Em dado momento do filme, Jedediah e Octavius entram numa sequência de ação onde, devido ao seu tamanho mínimo, enfrentam um obstáculo incrível para eles, mas que a câmera mostra como algo banal. Foi assim no primeiro filme, foi assim no segundo. E isso exemplifica, de forma básica, Uma Noite no Museu 3.
A trama mais uma vez traz um problema envolvendo a placa de Ahkmenrah, com um Ben Stiller tendo que resolver todos os problemas novamente, com a ajuda de seus aliados de sempre, com a pequena dupla Jed e Tavius, Roosevelt, Átila e tantos outros conhecidos. A diferença aqui é que os roteiristas resolveram misturar os dois filmes anteriores para gerar este novo. Temos os problemas entre pai e filho que vimos no primeiro filme, a viagem para um museu diferente, para trazer novos personagens e muitas piadas recicladas e repetidas.
A sorte é que, por mais que seja uma repetição, o filme ainda consegue manter um funcionamento interessante ao mudar o ritmo das coisas. A ação é bem menor e não há uma grande aura de aventura, pois esta foi diluída com um pouco de drama e a comédia usual da série. Também não há um real vilão, o que tira o foco do filme em uma batalha ou disputa para então focar nas relações entre o vigia Larry e seus amados amigos de cera. Isso acaba rendendo algumas boas cenas para quem acompanhou os filmes até aqui, principalmente no seu final.
O campo das novidades, Londres, a nova locação, deixa um pouco a desejar. Não houve a variedade de personagens ou situações que os outros filmes trouxeram, embora alguns momentos se tornassem bons, em especial um onde há uso da famosa pintura das escadas de Escher. Outro ponto positivo está na personagem de Rebel Wilson, trazendo um novo ar para a comédia do filme, já que Ben Stiller focou em repetir as piadas já usadas nos outros filmes. Infelizmente isso vem com um problema de roteiro que é a falta de foco nos personagens. A de Rebel é totalmente dispensável, servindo apenas com o intuito de ser um alívio cômico diferente, algo que seria bom, mas que acaba deixando um gosto azedo na boca e uma sensação de que faltou algo. Outros personagens sofrem com esse problema, como a família de Ahkmenrah.
Mesmo com alguns defeitos, não se pode dizer que Uma Noite no Museu 3 é ruim. É uma repetição do que deu certo nos outros filmes, o que cansa o espectador em certos momentos, mas, ainda assim, mantém uma qualidade, especialmente para quem acompanhou os outros filmes e já tem algum apego ou conhecimento dos personagens. A mensagem de pai e filho fica para trás e é fraca, mas a outra (e mais importante), relacionada até mesmo a Robin Williams, funciona. Mesmo que os amigos de Larry “morressem”, a lembrança continuaria ali, mesmo com a vida seguindo em frente. A magia não acaba, ela encontra outras formas de alegrar as vidas. A homenagem de um ícone como Robin Williams poderia ser melhor, mas, nesse filme, foi sincera, e isso já basta para nós.