Em Busca de Redenção
Notoriamente, muitos astros do cinema acabam exercitando suas habilidades cinematográficas escrevendo roteiros, produzindo ou dirigindo filmes. Alguns desses indivíduos não se saem bem e desistem de imediato, outros, como Tommy Lee Jones, não só se deu bem como tem dirigido filmes de tempos em tempos.
Na nova aposta de Jones, ele atua como produtor, roteirista, diretor e ator, permitindo que essa miscelânea nos presenteie com uma obra dramática acima da média, com ótimos momentos e uma história belíssima por sua simplicidade.
Na película em questão, a ótima Hilary Swank interpreta Mary Bee Cuddy, uma jovem infeliz que não conseguiu casar e sempre foi rejeitada por conta de sua autoridade e autonomia, algo que os homens da época relatam claramente o incômodo. Insatisfeita com tais atitudes dos homens, ela se entrega a empreitada de transportar três mulheres com problemas mentais do estado de Nebraska para Iowa, sozinha e com recursos mínimos.
Durante o percurso, Cuddy encontra Georges Briggs (Jones, em excelente performance) a beira de perder a vida. Para salvá-lo, ela exige que o mesmo se junte a ela no transporte das mulheres. Bom, a partir desse encontro somos presenteados com diversas situações, sejam elas tristes ou engraçadas, sempre visando complementar a difícil tarefa abraçada pelo casal de protagonistas.
Hilary Swank carrega o peso dramático de sua personagem de forma exemplar, assumindo a delicadeza e a rigidez sempre que são exigidas. Ao encarar uma tarefa tão complicada, se esforça ao máximo para executá-la, mostrando que as mulheres não são monstros e muito menos malucas, mas as circunstancias que criaram tal situação e a atenção faz toda a diferença, já que notamos algumas mudanças com o cuidado oferecido ao trio feminino.
Tommy Lee Jones faz uso do recurso de flashbacks para contar o passado das mulheres transportadas, com sutilezas e deixando o espectador captar os permenores de cada uma delas, já que as motivações que as deixaram mentalmente instáveis são críticas e merecem cuidado na exposição. São poucos, devo admitir, mas é o suficiente para que sejamos complacentes com essas pessoas e seus sofrimentos.
No aspecto gráfico do filme, a escolha das locações não poderiam ser melhores, pois não somente a cidade onde tudo começa, mas todo o trajeto passa por cenários secos, cuja fotografia soa inspirada para mostrar a simplicidade das casas, vestuário e relevo por onde a dupla principal viaja. Isso permite compor uma história ainda mais crível e elevar o caráter de drama de forma estratosférica, dadas as dificuldades que o ambiente e a época criam no contexto.
THE HOMESMAN é um filme prazeroso de se ver, com uma aposta dramática convincente, ainda que Meryl Streep apenas "visite" a produção, temos umas duras horas envolventes e cativantes. Apesar de uma situação inesperada ocorrer no início do terceiro ato, deixando o espectador perdido, as ações seguintes são dignas de nota, mostrando como a tolerância e solidariedade são plenamente capazes de promover a redenção.
RECOMENDADÍSSIMO !!!