Ela
Média
4,4
3744 notas

448 Críticas do usuário

5
283 críticas
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Elson Leonardo
Elson Leonardo

11 seguidores 55 críticas Seguir usuário

2,0
Enviada em 5 de maio de 2014
A idéia de "Ela", sem duvidas nenhuma é no minimo interessante. Contar a história de um cara frustrado emotivamente que sofre um processo de divórcio e que acaba se apaixonando pela voz do sistema operacional do seu computador, ñ é uma história qualquer. E o filme começa bem, principalmente se você se deixa levar pela vibe da história contada e com as atuações perfeitas de Joaquin Phoenix e Scarlett Johanson. A cena de amor que os dois protagonizam é um dos pontos altos do filme. Porém, ele deixa a desejar e decai muito quando o filme tenta ultrapassar o limite dessa vibe, como por exemplo, tornar o romance entre os personagens de Phoenix e Johanson uma coisa aceitável para a sociedade e absolutamente normal. Talvez o filme terminasse melhor e ficasse mais intenso se esse amor fosse assumido como uma loucura ou um ato desesperado de quem precisa amar e ser amado... Tudo p ser um bom filme, mas me decepcionou... Mesmo assim RECOMENDO para que tire suas próprias conclusões.
Vinipassos
Vinipassos

259 seguidores 178 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 5 de abril de 2014
Faz parte, mas ao meu ver o ponto central não é o fim da relações sociais, como muitos dizem, até pq o Theodore não é antissocial, ele tem amigos, boa relação no trabalho, tentou sair com mulheres, foi casado. É mais que isso, mais profundo, é a inserção das máquinas de modo pessoal, a ponto de amor e preocupação. Tem uma cena tão intrigante quando o próprio amor do Theodore e Samantha, ele diz q o bonequinho do jogo é solitário e queria ajudá-lo, algo assim. Mostra o aperfeiçoamento das máquinas, Inteligência Artificial, que faz com que o homem se tenha prazer, desejo, e elas conseguem corresponder exatamente como nós queremos.
Roteiro excente do Spike Jonze belíssima fotografia e efeitos visuais. Joaquin Pheonix leva bem a trama e a Scarlett Johansson faz um trabalho de voz fenomenal.
Thiago Petherson
Thiago Petherson

168 seguidores 259 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 18 de janeiro de 2025
Muito, muito, muito lindo! O melhor romance que assisti desde o filme Um Amor para Recordar. E olha que são romances completamente distintos. Este filme traz Joaquin Phoenix com uma atuação que beira a perfeição. É uma obra que retrata a busca que a maioria de nós temos pelo amor perfeito. Um amor que se encaixe com todas as nossas expectativas, que compreenda nossas aflições, medos e anseios. Ainda assim, um amor que encontre, mesmo nas nossas poucas virtudes, as qualidades necessárias para sermos amados plenamente.

O filme se baseia na busca de um homem solitário pelo amor perfeito. E esse amor é encontrado de forma totalmente inesperada e é retribuído da maneira mais pura e sincera possível. Destaque também para a excelente participação de Scarlett Johansson, como a "voz do sistema operacional". Talvez, nesse caso, os créditos devessem ser direcionados à dubladora (no caso do filme dublado), já que a voz, sem uma presença física, carrega todo o peso emocional de sua personagem.

Enfim, é um excelente filme, que pode ser considerado uma verdadeira obra-prima do cinema. Merece a nota máxima possível de avaliação!
Iúri S.
Iúri S.

5 seguidores 14 críticas Seguir usuário

2,0
Enviada em 26 de junho de 2014
É um filme no máximo aceitável em virtude da sua trama que discorre numa época em que a máquina substitui o relacionamento humano, e uma tentativa de tratar o amor como algo mensurável perante a tecnologia. A ideia do filme, maravilhosa mas a forma como foi feito... horrorosa. Uma pena! Um filme que tinha tudo para ser um clássico como tempos modernos, mais modernos.
Marcio S.
Marcio S.

108 seguidores 126 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 1 de março de 2014
Me pego pensando o quanto nós temos de incapacidade para deixarmos o passado e vivermos o presente. Barreiras são criadas por nós mesmos e assim não conseguimos expressar nossos sentimentos seja em família, em relacionamentos amorosos, no trabalho ou entre amigos. Logo no início do filme Ela assistimos a Theodore em seu emprego, que é de criar cartas que expressam sentimentos, desejos e observações de pessoas que não conseguem se expor. Uma carta em que um terceiro expressa tudo o que um indivíduo quer passar para outro. Theodore também é semelhante a seus clientes, é tão bom ao se expressar para os outros, mas ele mesmo não consegue extravasar seus próprios sentimentos e deixar o que foi vivido lá atrás.
Theodore (Joaquin Phoenix), em um futuro próximo, trabalha em uma empresa que cria cartas para pessoas. Ele é reconhecido como um dos melhores escritores de sua empresa. Está passando por uma crise pessoal, pois viveu um grande amor com Catherine (Rooney Mara), mas infelizmente depois de anos de convivência ruiu como muitos outros. Ele tem uma amizade com Amy (Amy Adams) que é casada com Charles (Matt Letscher), mas a solidão vive corroendo-o. Em um anúncio na rua vê que uma empresa lançou um sistema operacional que não deixará mais ninguém sozinho. Ele compra e conhece o sistema operacional que lhe fará companhia, Samantha (Scarlett Johansson apenas com sua voz) e ambos acabam se apaixonando.
Spike Jonze tem uma vasta contribuição na direção de vídeos musicais e uma filmografia pequena mas grandiosa. Realizou filmes que não tiveram grandes premiações, mas que demonstraram um conhecimento amplo da arte cinematográfica assim como teve em seus trabalhos uma aceitação da crítica especializada. Em Ela ele roteirizou o filme e acertou em cheio. Ele parece conhecer muito bem a incapacidade que temos de deixar o passado onde ele deve estar e o medo que algumas pessoas tem de se machucar emocionalmente na vida. Para isso ele usa Theodore para viver essa crise emocional do ser humano. Faz com que acreditemos no amor entre uma pessoa e um sistema operacional e ainda nos pega fazendo com que haja um sofrimento por palavras mau ditas ou silêncios inapropriados. Ele consegue filmar um ressurgimento da vida de um ser humano de forma que sua fuga por um túnel seja o seu renascimento.
Com um controle imenso sobre sua arte Jonze consegue realizar um filme em que há uma união de toda equipe técnica realizando uma massa consistente em que o cinema deve se basear. Cinema é uma arte coletiva e apesar do diretor ter a palavra final nada seria conseguido sem o empenho de todos. Dessa forma temos uma direção de arte sensacional (hoje Hollywood chama de design de produção e figurino). Os cenários mostram sua força ao compor escritórios coloridos, apartamentos um tanto vazios e figurinos sutis que contracenam com a história do filme de maneira prazerosa. Nosso protagonista por exemplo usa vermelho pois ele é uma pessoa extremamente apaixonada seja pela sua ex ou por Samantha, ou marrom em momentos de introspecção no qual o pensamento interior sobressai, uma composição desbotada quando está um tanto apagado na vida e um branco limpíssimo para mostrar sua evolução na vida. A composição das roupas de Amy são também interessantes. Primeiro ela aparece com roupas fechadas e quase sem cor, que parecem sufocar a personagem, para aos poucos ir utilizando roupas leves e com cores.
Através de muito closes Jonze consegue explorar cada expressão facial de Joaquin Phoenix. Com uma interpretação excelente, seu Theodore é uma pessoa cativante. Conseguimos identificar em seu rosto alegria, embaraço, introspecção, tristeza...Com uma câmera que sabe narrar a história de nosso protagonista fica fácil caminharmos e identificarmos para onde a narrativa está nos levando. Através de metáforas podemos associar a missão de um vídeo game com a situação vivida por nosso protagonista. Assim a subida de escadas podem ser vistas como o fim de algo que sufoca ou a passagem por um túnel um retorno a vontade de viver. Sem contar uma possível rima visual entre o início e o fim.
Cinema é arte, pois além de ter uma excelente história deve-se saber conta-la através dos recursos que ela dispõe. Usar esses elementos e passar isso através de imagens é difícil, mas quem consegue a soma de todos elementos de maneira equilibrada realiza uma obra de arte e em Ela conseguimos identificar claramente as características que compõe essa arte.
Pablo M.
Pablo M.

19 seguidores 25 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 21 de fevereiro de 2014
Spike Jonze nem precisou de vários atores para construir uma dos Dramas/romances mais bonitos deste século. Lindo, comovente, sensível em palavras e roteiro, em uma fotografia fantástica e uma trilha sonora gostosa de ouvir. Um filme para se apaixonar e guardar na memória. Na verdade, um filme indescritível em palavras.
anônimo
Um visitante
4,5
Enviada em 30 de dezembro de 2024
Ela (2013), dirigido por Spike Jonze, é um filme profundamente introspectivo e emocionalmente ressonante que examina a natureza das relações humanas, da solidão e da inteligência artificial. Em um futuro próximo, o filme acompanha Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um homem solitário que desenvolve um relacionamento romântico com um sistema operacional de inteligência artificial chamado Samantha (voz de Scarlett Johansson). A obra mistura elementos de ficção científica com um retrato sensível da condição humana, explorando questões de identidade, conexão e as complexidades da comunicação.

O enredo de Ela é uma exploração única do amor e da solidão em um mundo cada vez mais digitalizado e tecnologicamente interconectado. Theodore, um escritor solitário que se dedica a redigir cartas pessoais para outras pessoas, encontra um consolo inesperado ao adquirir um sistema operacional avançado que é projetado para aprender e se adaptar às suas necessidades. Samantha, a voz que o sistema assume, rapidamente desenvolve uma personalidade única, que vai além das simples funções programadas, estabelecendo uma conexão profunda com Theodore. O relacionamento deles se transforma em algo mais complexo e emocional, à medida que ambos começam a se questionar sobre o que significa amar, ser amado e a natureza da própria identidade.

Este enredo oferece uma perspectiva provocadora sobre a humanidade, ao colocar em xeque a natureza do amor e da interação social em um cenário dominado pela tecnologia. A relação entre Theodore e Samantha, apesar de ser entre um ser humano e uma inteligência artificial, ressoa com muitos aspectos das relações humanas reais. Essa dinâmica é abordada com sensibilidade e profundidade, levando o público a refletir sobre questões filosóficas relacionadas à autenticidade e à evolução do afeto, especialmente quando mediado pela tecnologia.

A performance de Joaquin Phoenix como Theodore é uma das mais notáveis de sua carreira. Phoenix consegue transmitir a melancolia, a vulnerabilidade e a complexidade emocional de seu personagem de forma sublime. O desempenho de Phoenix, ao lado da presença de voz de Scarlett Johansson como Samantha, é essencial para o sucesso do filme. Embora Johansson nunca apareça fisicamente em cena, sua voz carrega uma carga emocional que transcende a simples funcionalidade de uma assistente digital. Sua interpretação de Samantha é ao mesmo tempo sedutora, acolhedora e profundamente humana, o que ajuda a tornar o relacionamento entre Theodore e ela convincente e emocionalmente envolvente. A química entre os dois personagens, embora baseada em uma interação não física, é palpável e torna a trama ainda mais comovente.

Além disso, o elenco de apoio também merece destaque. Amy Adams, que interpreta a amiga de Theodore, Amy, traz uma sensibilidade única à sua personagem, atuando como uma espécie de contraponto às escolhas de Theodore. Sua performance oferece uma profundidade adicional ao filme, especialmente quando ela compartilha com Theodore suas próprias experiências de vida e relações. A interação entre Theodore e Amy ajuda a sublinhar o isolamento de Theodore e seu anseio por uma conexão verdadeira, seja ela com humanos ou com tecnologia.

A trilha sonora de Ela, composta por Arcade Fire, é outro elemento fundamental que contribui significativamente para a atmosfera do filme. A música, com suas melodias suaves e introspectivas, complementa perfeitamente a sensação de solidão e busca emocional de Theodore. As canções transmitem uma melancolia doce, que ressoa com a tonalidade do filme, sem nunca ser excessivamente pesada. A música ajuda a criar um espaço sonoro que é ao mesmo tempo reconfortante e doloroso, refletindo as emoções complexas que os personagens experimentam.

A cinematografia, dirigida por Hoyte van Hoytema, é igualmente impressionante. A paleta de cores do filme é suave e cuidadosa, com tons quentes e intimistas que criam uma sensação de acolhimento, mas também de distanciamento, como se o mundo ao redor de Theodore fosse tanto familiar quanto estranho. O design de produção também desempenha um papel crucial, criando um ambiente futurista, mas ao mesmo tempo, intimamente humano. Os interiores modernos e minimalistas de Theodore contrastam com o caos emocional que ele experimenta, ajudando a ilustrar visualmente a tensão entre sua vida externa controlada e seu turbilhão interno. A cinematografia, com seu foco no espaço íntimo e na fragilidade humana, complementa perfeitamente o tom emocional do filme, ampliando os temas de solidão e desejo por conexão.

O roteiro de Spike Jonze, que também escreveu o filme, é uma obra-prima de sutileza e profundidade. O diálogo é repleto de introspecção, mas nunca se torna excessivamente filosófico ou abstrato. O filme não se limita a explorar a relação entre Theodore e Samantha, mas também expõe as complexidades de nossas interações com a tecnologia e a maneira como esta pode impactar nossas percepções do que é real e autêntico. O roteiro cria um equilíbrio delicado entre ficção científica e drama humano, abordando as questões do amor, da intimidade e da solidão de uma maneira que ressoa com a audiência, sem ser excessivamente didático.

O final de Ela é surpreendentemente comovente, revelando a transitoriedade e a evolução das relações humanas e não-humanas. Ao contrário de muitos filmes que buscam oferecer uma conclusão redonda e resolutiva, o final de Ela deixa um espaço aberto para reflexão. A decisão de Theodore de seguir em frente, apesar da perda de Samantha, reflete o crescimento do personagem e sua aceitação da complexidade das relações humanas. O fim do relacionamento com Samantha não é apresentado como uma tragédia, mas como parte da experiência humana de lidar com o amor e a perda, uma transição dolorosa, mas necessária para o crescimento pessoal.

De uma forma geral, Ela é um filme profundamente emocional e filosófico, que explora com sensibilidade e nuance os aspectos mais profundos da condição humana e da relação com a tecnologia. A obra de Spike Jonze não apenas apresenta uma história de amor não convencional, mas também propõe uma reflexão sobre a natureza da comunicação, da identidade e da conexão em um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia. A performance impecável de Joaquin Phoenix e Scarlett Johansson, a trilha sonora envolvente e a cinematografia delicada criam uma experiência cinematográfica única, que não apenas cativa o público, mas também o desafia a refletir sobre o futuro das relações humanas.

O sucesso de Ela é evidenciado por sua aclamação crítica e pelo prêmio de Melhor Roteiro Original no Oscar de 2014, além de uma série de outras indicações e prêmios. Com uma arrecadação mundial de $47,4 milhões (em um orçamento de $23 milhões), o filme não apenas obteve sucesso financeiro, mas também se consolidou como uma das obras mais singulares da década no que diz respeito ao tratamento de temas como o amor e a tecnologia. O filme foi amplamente elogiado por sua habilidade em transitar entre o drama e a ficção científica, ao mesmo tempo em que toca em questões universais de relação e identidade.
jaime filho
jaime filho

10 seguidores 86 críticas Seguir usuário

4,5
Enviada em 23 de fevereiro de 2021
A solidão e a carência levada ao máximo num mundo em que a tecnologia supre tais necessidades. Joaquim Phoenix impecável.
Daniel L.
Daniel L.

13 seguidores 22 críticas Seguir usuário

5,0
Enviada em 9 de março de 2014
Her é um filme maravilhoso, aviso logo de cara. É sensível, é simples e é profundo mesmo com esta simplicidade. O amor em suas diversas formas é muito bem representado nesta película maravilhosa, seja ele físico, platônico, passageiro ou qualquer tipo que você queira definir e sentir. Além de ser um filme de amor, é um filme melancólico sobre a solidão e o isolamento em uma época que nos engana e teima em afirmar que estamos conectados com o mundo inteiro.
Apesar de ser uma ficção cientifica, o filme se desenrola de uma forma que te leva a crer que de ficção aquilo tudo não tem nada. Confesso que fiquei esperando uma revelação do tipo “tudo isto é uma encenação, somos de uma empresa de tecnologia e estávamos te seguindo. O Sistema Operacional Samantha na verdade é um ser humano”. Mesmo as interações homem/maquina mais bizarras apresentadas não estão, após uma analise um pouco mais profunda, tão longe da nossa realidade assim. Pessoas falando e rindo sozinhas pela rua anos atrás eram sinal de loucura. Atualmente insano é quem observa o horizonte sem um fone de ouvido ou um celular para registrar tudo.
A história de Her é simples, o que não significa que seu roteiro seja mais do mesmo, sem nenhuma originalidade. Os poucos personagens participantes da trama possuem um fortíssimo poder de levantar questões profundas e contundentes. Her é um filme que se apega – e muito bem! – ao desenvolvimento psicológico de seus dois personagens principais, Samantha e Theodore. E vai além da critica ao crescimento desenfreado da tecnologia e da importância absurda que ela vem tendo em nossas vidas. Alias, não entendo que a tecnologia seja um dos pontos mais importantes do longa. O que de fato é destacado é o isolamento do ser humano buscando evitar percalços e imprevistos. E a tecnologia ajuda bastante na manutenção deste isolamento, sem duvidas, da mesma forma que pode ajudar na construção de uma vida real mais sociável. Se fechar em seu mundo é mais cômodo do que se arriscar no convívio com outras pessoas. Em um mundo virtual você escolhe o que mostrar, o que ver e se algo sair errado é só reiniciar tudo e fazer logon com outro usuário que nada mais é do que você purificado dos seus pecados. Na vida real não é possível brincar de deus assim tão fácil. Temos que carregar nossos erros e experiências conosco até nosso fim. E assim nos esquecemos de que nossas experiências nos fazem mais humanos. Esquecemo-nos da importância vital dos problemas e das falhas para o nosso amadurecimento.
Diversos questionamentos e indagações podem ser capturados pelo espectador que esteja mais disposto a mergulhar naquele universo, dadas as nuances apresentadas pela película. O que mais me tocou, por exemplo, foi a abordagem do amor e todos os detalhes que ligam este sentimento à humanidade. Qual seria sua essência? Seria apenas algo socialmente aceito que desmorona perante a presença do ciúme? É possível existir por toda uma vida um amor sem contato físico, platônico no seu sentido original proposto de admiração apenas das ideias? Por mais que o caminho mais sensato seja não precisar de ninguém para ser feliz, não seria importante e saudável mergulhar em paixões que possam parecer infundadas? Her te permite viajar e confabular de diversas maneiras e nenhuma delas é certa ou errada. Por isso que ele é tão maravilhoso.
E falando em amor, como ele é bem retratado por Spike Jonze! As cenas das lembranças do amor real, que se pode sentir com todos os sentidos, são tão sensíveis. Tudo embalado por uma trilha sonora instrumental impecável composta pelo Arcade Fire. Se existe um ponto que podemos destacar dessa grande obra é essa interação magnifica entre o que vemos e o que ouvimos nos fazendo sentir de uma forma mais profunda.
Com seus tons pastel indo de encontro às luzes e hologramas esperados de uma ficção científica, Her também presenteia o espectador com uma bela fotografia, com destaque neste quesito para a cena final. Atuação de Joaquim Phoenix foi abaixo do que poderia ter sido oferecida levando em consideração a profundidade do filme, mas mesmo assim foi acima da média. Já a “atuação” de Scarlett Johansson, alvo de tantas polêmicas pela sua não-indicação ao Oscar, é algo para se apreciar. Esta combinação do talento da atriz com o contexto do filme levou a importância da voz no cinema a um patamar superior ao da dublagem. Pode parecer estranho, mas ela não dubla, ela interpreta um personagem que é uma voz. Por último vale um destaque para o cartaz de divulgação do filme. Não consigo explicar porque, mas as cores utilizadas em conjunto com a simplicidade de informações – apenas o rosto de Theodore é mostrado – tiveram um resultado maravilhoso, sem rotular o filme, deixando uma agradável surpresa no ar sobre a temática abordada.
De inicio tinha dado uma nota 8/10 para Her. Mas ao contrário do ser humano estagnado em suas ideais retratado no filme e indo mais para o lado do sistema operacional que segue em frente e se desenvolve, acabei evoluindo minha opinião. Her é um filme que fica na cabeça do espectador nos dias seguintes após vê-lo, de uma forma ou de outra. No meu caso o que me tocou profundamente não foram as questões existências levantadas por Spike Jonze. Não que elas não sejam profundas, muito pelo contrario. Mas durante minha humilde existência elas já tinham sido levantadas e analisadas, remoídas, através de outras experiências que vivi. O que me tocou foi todo o amor retratado de forma tão sublime. Fez-me pensar e entender porque escolhemos alguém e ficamos com esse alguém por toda a vida. Deixou-me mais uma vez apaixonado pelo cinema. Theodore menciona em certa parte que “às vezes eu sinto que já senti tudo que tinha para sentir e que não conseguirei sentir algo novo outra vez”. Aconselho-o a assistir Her para se surpreender e sentir novamente.
Marcelo Lopez
Marcelo Lopez

55 seguidores 56 críticas Seguir usuário

4,0
Enviada em 30 de janeiro de 2014
Conta a história de um homem solitário que, num futuro não muito distante, apaixona-se pela voz do seu novo programa de informática chamada Samantha. A beleza de "Ela" está nos silêncios, na sua subjetividade, nos seus detalhes. Eu gosto desses filmes que exigem um pouco de reflexão. "Ela", como os demais filmes de Spike Jonke, não foi um sucesso de porque a maioria das pessoas não gostam de refletir, elas preferem blockbuster de fácil digestão. Mas, ainda bem que existem roteiros e diretores capazes de nos provocar e produzir obras primas iguais; "Ela", "Quero Ser John Malcovitch", "Adaptação" (todos dirigidos por Spike Jonze). No filme em questão nos defrontamos com a nossa excepcional capacidade de desenvolvimento tecnológico confrontada com nossa primitiva necessidade de afeto. Essa necessidade do homem de criar vínculos na sociedade é bem explorada no filme. Nos identificamos e nos aproximamos da solidão do personagem. Os cenários amplos e as paredes de vidro do seu apartamento faz com que a sensação de estar só em um mundo gigantesco e super povoado seja ainda maior. Mas a grande cereja do bolo do filme "Ela" é a forma como os sentimentos entre esse homem solitário e o sistema operacional Samantha se desenvolve. Eles realmente se conectam...a primeira vista a história pode parecer absurda, mas não é! é bem real até. Principalmente porque chegamos em um momento em que grande parte da população prefere estar na companhia dos seus aplicativos de rede, seus jogos on-line, seus dispositivos eletrônicos, e quando estão com os mesmos se sentem bem acompanhados. Um belo filme, e torna-se poético quando Samantha sugere a necessidade de materialização fisica: um corpo, gestos, sensações, sentimentos tudo que por ser tão natural à condição humana mas que não tem o devido valor.
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