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Paulo R.
2 críticas
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2,0
Enviada em 21 de janeiro de 2013
Eu sempre desconfio quando vejo uma crítica muito boa de um filme no jornal. É oito ou oitenta. Ou amo ou odeio. É porque crítico de cinema adora alguns filmes de arte, chatíssimos, que só agradam a meia dúzias de criaturas. Será que é desse tipo de filme que estamos comentando aqui?
O Som ao Redor é um filme de baixo orçamento, rodado em Recife, Pernambuco, com atores pouco conhecidos. O roteiro é muito interessante, e bem desenvolvido pela direção. Os atores têm ótimas atuações, extremamente realistas e naturais. É um projeto inteligente e muito bem executado. Porém, isso não significa dizer que o resultado seja um filme que agrade ao espectador. Se você não tiver muita paciência, levantará da poltrona e irá embora no meio do filme.
Sabe aquele filme em que nada acontece? Você vai assistindo na expectativa de que de repente alguma coisa importante vai acontecer, mas nada acontece! É isso, essa é a proposta e o ritmo do filme, durante 133 minutos de projeção. O filme todo segue um ritmo completamente letárgico, mostrando a vida cotidiana de alguns moradores de uma rua classe média do Recife. Todos os personagens parecem viver um estado de profunda depressão.
Tudo que acontece no filme é apenas uma preparação para o desfecho final. É verdade que você chega lá no final sem nenhuma pista do que vai acontecer. O grande problema é que a essa altura você já não quer que nada aconteça, só que o filme acabe!
É um roteiro inteligente e bem executado. Mas será que só isso justifica um filme de 133 minutos de total monotonia? Letargia total.
Filme mal construído, personagens dispensáveis, narrativa fraca, dicção péssima... tenho o hábito de assistir filmes cuts e independentes, mas francamente, tentaram fazer algo inteligente, mas que ficou muito fraco, quase uma experimentação de estudantes de cinema... o pior é acreditar que este filme tinha chances de chegar ao Oscar... foram as horas mais dolorosas do meu ano... o tema daria um bom documentário porém, a proposta foi absurdamente mal trabalhada... cenas dispensáveis, diálogos que não acrescentam nada a narrativa... Aff! Resumindo: Horrível!
"O som ao Redor" é uma excelente crônica que envolve relações sociais e a segurança de moradores em uma rua de Recife. A estória se destrincha lentamente e algumas ações dos personagens são movidas pelos sons do dia-a-dia. O cotidiano, diga-se de passagem, é retratado de forma realista e sonoramente contagiante, fazendo com que o espectador se sinta dentro do filme. O trunfo desta produção brasileira não é apenas o curioso conteúdo narrativo, mas a maneira como tudo é exposto, o que faz do roteiro e da direção, ambos de Kleber Mendonça Filho, serem os destaques. Para quem perceber, o ritmo lento e a câmera estática que observa as ações de todos tem uma pegada Tarantinesca (não é atoa que ele ganha uma referência no longa). A conclusão, que pode parecer vaga, faz refletir não apenas pelo conexto antropológico, mas pelo som ao redor de todos.
Muitas pessoas se perguntam por que o filme tem sido tão elogiado se, afinal, as cenas trazem algo tão cotidiano. É isso: a trama tem foco num dia a dia que, lamentavelmente, ainda passa despercebido e por meio do qual contrastes sociais seculares perpetuam suas raízes com a explosão urbana. Uma cachoeira de sangue onde se banham um anacrônico - e, paradoxalmente, atual - senhor de engenho e seu neto "gente fina". Mas, na trama - como na História -, onde há coronéis, atua o cangaço!
depois de um bom tempo "digerindo" as reflexões do filme, aconselho que assistam, o cinema nacional produz sim excelentes filmes ,infelizmente muitos não tem o espaço necessário para sua divulgação e acabam ficando no ostracismo, escondido do "grande público", neste filme não tem atores globais, nem efeitos especiais, não possui cenas dramáticas, nem vampiros de olhos azuis, não foi indicado ao óscar, tampouco aquelas cenas de ação hollywoodianas, o cenário é o nosso dia-dia, os atores são pessoas comuns como a maioria, mas o conteúdo garanto que é dos melhores, fala daquilo que está a nossa volta e passa desapercebido aos nossos olhares.
Tá de brincadeira... nada com nada, um pseudo envolvimento de famílias no período da escravidão mas mesmo assim muito forçado... nunca uma avaliação positiva me enganou tanto.
Orgulho do cinema Nacional e principalmente do cinema pernambucano. O Som ao Redor nos mostra que para fazer bom cinema não é preciso que se conte uma estória no centro-sul do país, não é preciso atores globais, não é preciso apelas para baixarias e humores questionáveis. O Som ao Redor é o retrato da sociedade em que vivemos e por isso, é universal. Poderia ter sido feito em qualquer cidade. Genial!!! Grande obra cinematográfica para ser vista e estudada.
Existe uma narrativa pungente por trás das simplórias micro-histórias que compõem este fabuloso O Som ao Redor, que se revela através da eficiente diegese sonora que dá título ao filme. Rigorosamente falando, não existe necessariamente uma grande trama que costure todas as narrativas do filme, mas verdadeiros flagrantes do cotidiano dos personagens que têm sua importância intensificada através da captura eficiente de sons ambientes, cujo design sonoro eficaz nos ajudará a mergulhar naquele ambiente e compreender melhor aquele universo.
Universo esse que diz respeito à indivíduos de um condomínio de classe média de Recife que, enquanto lidam cada um a seu modo com pequenas situações do cotidianos, estão cada vez mais preocupados com a própria segurança, sobretudo depois que o carro de uma jovem amanhece arrombado. Aliás, esse é o pontapé da trama: depois de passar a noite com uma desconhecida, o personagem João, ao levar sua jovem amante até o carro dela, encontra-o arrombado e roubado. Após despedirem-se, João passa a investigar o fato entre os vizinhos até começar a desconfiar de seu primo, Dinho. Cenas depois, seguranças particulares estão circulando pela mesma rua oferecendo seus serviços aos moradores que, cada vez mais ressabiados, aceitam sem questionamentos... (LEIA O RESTANTE DO TEXTO NO LINK ABAIXO!)
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