Você pode não acreditar mas o diretor alemão Boll foi o único (até hoje!) a receber o prêmio Framboesa de Ouro pela Pior Carreira. Verdade seja dita, ele realmente fez alguns “abacaxis” como as adaptações para a telona dos videogames House of the Dead e Alone in the Dark e outros até razoáveis como o suspense Seed – Assassino em Série e o épico capa e espada Em Nome do Rei com Jason Statham. Então, que atire a primeira pedra aquele diretor que nunca dirigiu um fiasco (hoje alguém se lembra que o homem por trás de Titanic e Avatar foi o mesmo capaz de dirigir o trash Piranha 2 – Assassinas Voadoras). Boll é um diretor que claramente não está nem aí para seus críticos, a maior prova é que sua carreira vai de vento em popa lançando praticamente um filme a cada ano, quer você assista ou não. Este Assault on Wall Street pode não ser nenhum primor de roteiro e execução mas não há como negar que ao menos a forma politicamente incorreta que o diretor encontrou para o protagonista resolver seus problemas mandando bala no capitalismo selvagem é no mínimo inusitada, curiosa e engraçada. Aproveitando os efeitos da crise financeira americana em 2008, Boll criou essa estória de vingança que bebe na fonte direta do sucesso Um Dia de Fúria. Jim Baxford (Purcell) é um homem comum e honesto que trabalha numa transportadora de valores. Assim como qualquer cidadão americano, ele investiu todas as suas economias na bolsa de valores. Sua esposa sofre de câncer e a vida não está nada fácil. Até que a crise se abate sobre a economia e logo surgem os reflexos na população.
Jim perde o emprego, é trapaceado pelo seu agente financeiro, torna-se inadimplente no banco, recebe ordem de despejo e perde o direito do convênio médico, agravando o estado de saúde de sua esposa. Sob pressão e mergulhado num turbilhão de problemas, não demora muito para ele surtar e partir para uma atitude desesperadora contra seus agentes. Boll caprichou na atmosfera e conduz a estória com segurança prendendo a atenção e fazendo o público torcer pelo anti-herói. Óbvio que, por tratar-se de um filme de ação sem maiores pretensões, não dá pra levar a sério, é apenas passatempo e de quebra uma oportunidade de rever alguns ex-heróis oitentista atuando como coadjuvantes (Paré de Ruas de Fogo, Furlong de O Exterminador do Futuro 2 e Roberts de Expresso Para o Inferno). E sobre a Framboesa de Ouro, não se preocupe. Ed Wood, que foi considerado o pior cineasta de todos os tempos, hoje é cultuado e seus filmes tem um grande valor para a história do cinema. Vá entender!